Jó 34
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Continuando pois Eliú o seu discurso, disse também o que se segue: 2Ouvi, sábios, as minhas palavras; eruditos, escutai-me, 3Porque o ouvido julga das palavras, assim como o paladar distingue os manjares pelo gosto. 4Tratemos nós ein comum a causa, e vejamos entre nós o que seja o melhor; 5Porque Jó clisse: Eu sou justo, e Deiis transtornou a minha causa. 6Porquanto no juízo que se faz de mim, há mentira: Violenta é a minha seta sem pecado algum. 7Que homem há semelhante a Jó, que bebe o escárnio como a água: 8Que anda com os que obram a iniquidade e caminha com os homens ímpios? 9Porque disse: O homem não agradará a Deus, ainda que vá correndo com êle. 10Vós pois os cordatos, ouvi-me, a impiedade está longe de Deus, e a injustiça longe do Todo-Poderoso. 11Porque êle pagará aò homem a sua obra, e recompensará a cada um segundo os seus caminhos. 12Porque certamente Deus não condenará sem razão, nem o Onipotente atropelará a justiça. 13À qual outro estabeleceu sôbre a terra? Ou a quem pôs sôbre o mundo, que fabricou? 14Se voltasse a êle o seu coração, atrairia a si O espírito e alento dêle. 15Tôda a carne pereceria ao mesmo tempo, e O homem se tornaria em cinza. 16Portanto se tens entendimento, ouve o que se diz, e escuta a voz do meu discurso. 17Acaso pode ser curado aquele que não ama a justiça? E como condenas tu tão afoitamente aquele, que é o justo? 18O que diz ao rei, apóstata: E chama ímpios aos grandes: 19Aquêlè que não guarda respeito à pessoa dos príncipes: E que não conheceu o tirano, quando disputava contra o pobre: Porque todos são obra das suas mãos. 20Êles morrerão de improviso, e no meio da noite se sublevarão os povos, e passarão, e tirarão o violento sem se ver a mão: 21Porque os olhos de Deus estão sôbre os caminhos dos homens, e considera todos os seus passos. 22Não há trevas, e não há sombra de morte, de maneira que se escondam ali os que obram a iniquidade. 23Porque já não está mais no poder do homem, o vir a Deus a ser julgado. 24Êle destruirá a uma inumerável multidão, e porá outros em seu lugar. 25Porque conhece as suas obras: E por isso enviará a noite, e êles serão moídos. 26Feriu-os como ímpios à vista de todos. 27Os que como de: propósito se apartaram dêle’ e que não quiseram compreender todos os seus caminhos: 28Para fazerem que o clamor do indigente subisse até êle, e que ouvisse a voz dos pobres. 29Porque se êle concede a paz, quem há que o condene? E se êle esconde o seu rosto, quem o poderá contemplar, seja isto sôbre as gentes, seja sôbre todos os homens? 30Êle é o que faz reinar o homem hipócrita por causa dos pecados do povo. 31E pois que eu tenho falado de Deus, também te não estorvarei a ti. 32Se eu errei, corrige-me tu: Se falei com iniquidade, não acrescentarei mais. 33Porventura te pedirá Deus a ti conta do que eu falei que te desagradou? Mas tu fôste o primeiro a falar, e não eu: Se sabes coisa melhor, dize-a. 34Falem-me homens inteligentes, e ouça-me um homem sábio. 35Mas Jó falou nèsciamente, e as suas: palavras não soam boa doutrina. 36Pai meu, seja provado Jó até ao fim: Não retires a tua mão de um homem iníquo. 37Porque ajunta a blasfêmia sôbre os seus pecados, entrementes nós o apertemos: E depois apele para o juízo de Deus nos seus discursos.