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Jó 36

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1E acrescentou Eliú, e falou assim: 2Escuta-me um pouco, e eu me explicarei, contigo: Porque ainda tenho que falar em defesa de Deus. 3Tornarei a pegar no discurso que eu fazia desde o princípio, e provarei que o meu Criador é justo. 4Porque o certo é que nos meus discursos não há mentira, e será da tua aprovação uma ciência consumada. 5Deus não rejeita os poderosos, visto que também êle é poderoso. 6Mas não salva os ímpios, e faz justiça aos pobres. 7Não tirará os seus olhos do justo, e põe aos reis sôbre o trono para sempre, e êles são exalçados. 8E se estiverem em cadeias e atados com os laços da pobreza: 9Êle lhes fará ver as suas obras, e as suas maldades, porque foram violentos. 10E lhes abrirá também o seu ouvido para os repreender: E lhes falará, para que se convertam da sua iniquidade. 11Se ouvirem e cumprirem, acabarão os seus dias em bem, e os seus anos em glória: 12Porém se não ouvirem passarão por espada, e serão consumidos na sua sandice. 13Os dissimulados, e dobres do coração provocam contra si a ira de Deus, nem clamarão, quando se virem manietados. 14A sua alma morrerá na tempestade, e sua vida acabará entre os depravados. 15Êle livrará da sua angústia, ao pobre, e lhe abrirá o ouvido na tribulação. 16Êle te salvará pois da bôca da angústia, e que não tem fundo debaixo de si largamente: E o descanso da tua mesa estará cheio de gordura. 17A tua causa tem sido julgada, como a de um ímpio; ganharás a causa e sentença. 18Não te vença pois a ira, para oprimires a algum: Nem te dobre multidão de dádivas. 19Reprime a tua grandeza sem tribulação, e todos os robustos com fortaleza. 20Não dilates a noite, para que subam os povos por êles. 21Guarda-te de declinares para a iniquidade: Porque tu a começaste a seguir depois que caíste na miséria. 22Olha como Deus é excelso na sua fortaleza, e nenhum semelhante a êle entre os legisladores. 23Quem poderá esquadrinhar os seus caminhos? Ou quem poderá dizer-lhe: Tu fizeste uma injustiça? 24Lembra-te que não compreendes a sua obra, da qual cantaram os homens. 25Todos os homens o veem. mas cada um o vê de longe. 26Com efeito, Deus é grande, que sobreexcede a nossa ciência: Os seus anos são inumeráveis. 27Êle detém as gôtas da chuva, e verte as águas do céu como arroios. 28As quais caem das nuvens, que cobrem tudo por cima. 29Se quiser estender as nuvens como pavilhão seu, 30e fuzilar relâmpagos com a sua luz desde o alto, cobrirá também as extremidades do mar. 31Porque por meio destas coisas exercita os seus juízos sôbre os povos, e alimenta a muitos mortais. 32Nas suas mãos esconde a luz, e lhe manda que torne de novo. 33Faz conhecer a quem ama, que esta é possessão sua, e que até ela pode subir.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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