Jó 37
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Sobre isto se espantou o meu coração, e se moveu do seu lugar. 2Ouvi, ouvi a sua voz terrível, e o sonido que sai. da sua bôca. 3Êle considera tudo o que há debaixo dos céus, e difunde a sua luz sôbre as extremidades da terra. 4Após êle rugirá sonido, trovejará, pela.voz da sua grandeza, e não será compreendida, quando fôr ouvida a sua voz. 5Trovejará Deus maravilhosamente com a sua voz, o que faz coisas grandes e impenetráveis. 6O que manda à neve que desça sôbre a terra, e às chuvas do inverno, e às impetuosas águas das grandes tormentas. 7O que põe como um sêlo sôbre a mão de todos os homens, para que cada um conheça as suas obras. 8A fera entrará no seu esconderijo, e ficará na sua cova. 9De lugares ocultos sairá a tempestade, e do Arcturo o frio. 10O caramelo se forma ao assopro de Deus, e depois se derramam as águas em grande abundância. 11O trigo deseja as nuvens, e as nuvens espalham a sua luz. 12Elas esclarecem em tôrno, por onde quer que as conduz a vontade daquele que as governa, a tudo quanto êle lhes manda sôbre a face de tôda a terra: 13Ou seja numa tribo estrangeira, ou numa terra sua, ou em qualquer lugar onde a sua bondade lhes mandar que se achem. 14Ouve, Jó, estas coisas: Pára, e considera as ma-, ravilhas de Deus. 15Acaso sabes tu, quando mandou Deus às chuvas, que fizessem aparecer a luz das suas nuvens? 16Porventura conheces as grandes veredas das nuvens, e as suas perfeitas inteligências? 17Não é assim que os teus vestidos estão quentes, quando o vento do meio-dia assopra sôbre a terra? 18Talvez formaste tu com êle os céus, que são tão sólidos como se fôssem de metal. 19Mostra-nos o que lhe diremos: Porque nós outros cá estamos envolvidos em trevas. 20Quem lhe referirá o que falo? se o homem se atrever a falar, será oprimido. 21Mas agora não vem a luz: O ar repentinamente; sc condensará em nuvens, e um vento que passa as dissipará. 22Do Setentrião vem o ouro, e o louvor de Deus seja com temor. 23Não podemos compreendê-lo como merece: Grande em fortaleza, e em juízo, e em justiça, e êle é inefável. 24Por isso o temerão os homens, e não ousarão con-templá-lo todos aqueles que se persuadem ser sábios.