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Jó 39

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Porventura sabes o tempo do parto das cabras montesas nos rochedos, ou tens observado quando parem as corças? 2Contaste tu os meses da sua prenhez, e sabes o tempo do seu parto? 3Encurvam-se para darem à luz a sua cria, e parem dando rugidos. 4Apartam-se seus filhos, e vão a pascer: Saem, e não voltam a elas. 5Quem deixou o asno montês em liberdade, e quem soltou as suas prisões? 6A êle lhe dei casa no deserto, e lugar onde albergar-se em terra estéril. 7Despreza a multidão da cidade, não ouve os gritos do exator. 8Olha para tôdas as partes, para os montes dos seus pastos, e anda buscando tudo quanto está verde. 9Acaso quererá o rinoceronte servir-te, ou ficará êle na tua ca vaiar iça? 10Prenderás tu porventura o rinoceronte ao teu arado para lavrar? ou será êle o que após ti estorroe os. vales?, 11Porventura terás confiança na sua grande fôrça, e lhe deixarás o cuidado da tua lavoura? 12Porventura fiarás dele que te torne o que semeaste, e que te encha a tua eira? 13A pena do avestruz é semelhante às penas da cegonha, e do falcão. 14Quando êle desampara em terra os seus ovos, acaso os aquentarás tu no pó? 15Não tem cuidado de que algum pé lhos pise, ou -de que algum animal do campo lhos quebre. 16É cruel com seus filhos como se não foram seus, trabalhou debalde sem que algum temor o obrigasse. 17Porque Deus lhe negou sabedoria, e não lhe deu inteligência. 18Ouando chega a ocasião, levanta ao alto as asas: E faz zombaria do cavalo, e do cavaleiro. 19Porventura darás fortaleza ao cavalo, ou cercarás de rincho o seu pescoço? 20Porventura o farás dar saltos como os gafanhotos? o fogoso respirar das suas ventas faz terror. 21Escava a terra com a sua unha, salta com brio: Corre ao encontro dos armados. 22Não conhece mêdo, nem cede à espada. 23Sôbre êle fará ruído a aljava, se vibrará a lança e o escudo. 24Arrojando espuma e rinchando, sorve a terra, e não faz caso do som da trombeta. 25Logo que houve a buzina, diz: Vai, cheira de longe a batalha, a exortação dos capitães, e o alarido do exército. 26Porventura cobre-se o falcão de penas pela tua sabedoria, estendendo as asas para o Austro? 27Porventura a teu mandado se remontará a águia, e porá o seu ninho em lugares altos? 28Nas brenhas faz a sua mansão, e nos penhascos escarpados mora, e nas rochas inacessíveis. 29Dali contempla a sua presa, os seus olhos descobrem muito ao longe. 30Os seus filhinhos chupam o sangue: E ela onde houver carne morta, logo se acha. 31E acrescentou o Senhor, e disse a Jó: 32Porventura o que disputa com Deus, tão fácil-mente o deixa? por certo o que argui a Deus deve responder-lhe, 33Jó respondendo ao Senhor, disse: 34Eu que tenho falado com leveza, que coisa posso responder? porei a minha mão sôbre a minha bôca. 35Uma coisa tenho falado, que oxalá não a houvera dito: E outra também, às quais nada mais acrescentarei.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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