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Jó 38

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1E respondendo o Senhor a Jó, do meio de um redemoinho, disse: 2Quem é êste, que mistura sentenças com discursos ignorantes? 3Cinge os teus lombos como homem: Perguntar-te-ei, e responde-me. 4Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? dize-mo, se é que tens inteligência. 5Quem deu as medidas para ela, se é que o sabes? ou quem lhe lançou o cordel? 6Sôbre que foram firmadas as suas bases? ou quem assentou a sua pedra angular, 7quando os astros da manhã me louvavam todos Juntos, e quando todos os filhos de Deus estavam transportados de júbilo? 8Quem pôs diques ao mar para o ter encerrado, quando êle transbordava saindo como do ventre de sua mãe: 9Quando lhe punha nuvem por vestidura, e o en-volviá em obscuridade, como com envolvedouro de infância? 10Eu o encerrei nos limites que lhe prescrevi, e lhe pus ferrolhos, e portas: 11E eu lhe disse: Até aqui chegarás, e não passarás mais longe, e aqui quebrarás as tuas empoladas ondas. 12Acaso cs tu o que depois do teu nascimento deste lei à estrela dalva, e o que mostraste à aurora o seu lugar? 13E tomaste a terra pelas suas extremidades, para fazê-la estremecer, e sacudir dela os ímpios? 14A figura impressa será restabelecida como o barro, e ficará como um vestido: 15Tirar-se-á aos ímpios a sua luz, e quebrar-se-á o seu excelso braço. 16Acaso entraste tu até o fundo do mar, e andaste passeando no mais profundo do abismo? 17Porventura abriram-se-te as portas da morte, e viste tu essas portas tenebrosas? 18Consideraste tôda a extensão da terra? declara-me. se sabes tôdas estas coisas. 19Em que caminho habita a luz, e qual é o lugar das trevas? 20Para que leves cada coisa aos seus lugares, e saibas as veredas da sua casa. 21Sabias tu então que havias de nascer? e tinhas averiguado o número dos teus dias? 22Entraste porventura nos tesouros da neve, ou viste os tesouros da saraiva? 23Que eu preparei para o tempo do inimigo, para o dia da guerra e da batalha? 24Por que caminho se difunde a luz, e se espalha o calor sôbre a terra? 25Quem deu curso à tempestade impetuosa, e passagem ao estampido do trovão, 26para que chovesse sôbre a terra sem homem, em deserto onde não mora nenhum dos mortais, 27para inundá-la, ainda que inacessível, e desolada, e que criasse as ervas com o seu verdor? 28Quem é o pai da chuva? ou quem produziu as gôtas do orvalho? 29De que seio saiu a geada? e quem gerou o gêlo do céu? 30As águas, se endurecem a modo de pedra, e a superfície do abismo se aperta. 31Acaso poderás tu ajuntar as brilhantes estrelas Plêiadas ou poderás impedir a revolução do Arcturo? 32Acaso és tu o que fazes aparecer a seu tempo o luzeiro, ou que se levante de tarde o Véspero sôbre os filhos da terra? 33Acaso entendes a ordem do céu, e darás tu disso a razão estando na terra? 34Levantarás porventura a tua voz até às nuvens, e te cobrirá um dilúvio de água? 35Porventura enviarás os relâmpagos, e irão, e te dirão quando voltarem: Aqui estamos? 36Quem pôs a sabedoria no coração do homem? ou quem deu inteligência ao galo? 37Quem contará o modo de proceder dos céus, e quem fará cessar a harmonia do céu? 38Quando se fundia o pó, em massa de terra, e se formavam os seus torrões? 39Porventura caçarás tu prêsa para a leoa, e saciarás a fome das suas crias, 40quando estas estão deitadas nos seus covis, e à espreita nas suas cavernas? 41Quem prepara ao corvo o seu sustento, quando os seus filhinhos, vagueando, gritam a Deus, por não terem que comer?

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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