Jó 4
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Então respondendo Elifaz de Teman, disse: 2Se começarmos a falar-te, talvez que tu o leves de má mente, mas quem poderá conter a palavra con cebida! 3Eis-aqui a ensinaste a muitos, e deste vigor a mãos cansadas: 4As tuas palavras firmaram aos que vacilavam: E fortaleceste aos joelhos trémulos. 5Porém agora veio sôbre ti O açoite, e desfaleceste: Feriu-te, e tu te perturbaste. 6Onde está aquele teu temor, a tua fortaleza, a tua paciência, e a perfeição dos teus caminhos? 7Lembra-te, te peço, que inocente pereceu jamais? Ou quando foram os justos destruídos? 8Antes bem tenho visto, que os que obram iniquidade, e semeiam dores, e as segam, 9pereceram a um assopro de Deus, e foram consumidos pelo espírito da sua ira. 10O rugido do leão, e a voz da leoa, e os dentes dos cachorros dos leões se quebraram. 11O tigre morreu, porque não tinha presa, e os cachorros cios leões: foram dissipados. 12Mas a mim se me disse uma palavra em segrêdo, e os meus ouvidos como às furtadelas perceberam uma parte do seu ruído. 13No horror duma visão noturna, quando o sono costuma ocupar os sentidos dos homens, 14assaltou-me o mêdo, e o tremor, e todos os meus ossos estremeceram. 15E ao passar cliante de mim um espírito, os cabelos da minha carne se arripiaram. 16Parou diante um, cujo rosto eu não conhecia, um vulto diante dos meus olhos, e ouvi uma voz como de branda viração. 17Porventura o homem, em comparação de Deus, será justificado, ou o varão será mais puro que o seu Criador? 18Ainda os mesmos que o servem, não são estáveis, e entre os seus anjos achou crime: 19Quanto mais aquêles que moram em casas de lôdo, que tem o fundamento de terra, serão consumidos como pela traça? 20Da manhã até à tarde serão destroçados: E porque nenhum tem inteligência, perecerão para sempre. 21Aquêles porém que dêles restarem, serão arrebatados: Morrerão e não em sabedoria.