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Jó 7

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1A vida do homem sôbre a terra é uma guerra: E os seus dias são como os dias dum jornaleiro. 2Assim como o escravo deseja a sombra, e como o jornaleiro espera pelo fim do seu trabalho: 3Assim também eu tive meses vazios, e noites trabalhosas contei para mim. 4Se durmo, digo: Quando me levantarei eu? E de novo esperarei a tarde, e fartar-me-ei de dores até à noite. 5A minha carne está coberta de podridão e de imundícia do pó, a minha pele se secou, e se encolheu. 6Os meus dias passaram mais depressa do que a teia é cortada pelo tecelão, e consumiram-se sem nenhuma esperança. 7Lembra-te que a minha vida é um assopro, e que os meus olhos não tornarão a ver os bens. 8Nem me verá mais vista de homem: Teus olhos estão sôbre mim, e não subsistirei. 9Assim como se desfaz a nuvem, e passa: Assim aquele que descer aos infernos, não subirá. 10Nem tornará mais a sua casa, nem o lugar onde estava o conhecerá jamais. 11E por isso não reprimirei a minha língua, falarei na tribulação do meu espírito, conversarei com a amargura da minha alma. 12Acaso sou eu o mar, ou baleia, para tu me teres encerrado como num cárcere? 13Se eu disser: Consolar-me-á o meu leito, e terei alívio falando comigo mesmo na minha cama: 14Tu me assustarás com sonhos, e me horrorizarás com espantosas visões. 15Por isso mesmo escolheu a minha alma um laço, e os meus ossos a morte. 16Perdi as esperanças, não viverei jamais. Perdoa-me, que nada são os meus dias. 17Que coisa é o homem para o engrandeceres? e por que pões sôbre êle o teu coração? 18Tu o visitas pela manhã, e de repente o experimentas: 19Até quando me não perdoarás e não permitirás que eu trague a minha saliva? 20Pequei, que te farei eu, ó Libertador dos homens? por que me puseste contrário a ti, e me tenho feito pesado a mim mesmo? 21Por que não me tiras o meu pecado, e por que não apagas a minha iniquidade? eis-ai vou agora dormir no pó: E se tu me buscares pela manhã, não subsistirei.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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