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Jó 9

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1E respondendo Jó, disse: 2Eu sei verdadeiramente, que isto é assim, e que o homem comparado com Deus não é justo. 3E se quiser disputar com Deus, não lhe poderá responder por mil coisas uma sequer. 4Êle é sábio de coração, e forte em poder: Quem lhe resistiu e ficou em paz? 5Êle transferiu os montes, e aqueles mesmos que subverteu no seu furor, não o conheceram. 6Êle move a terra do seu lugar, e as suas colunas são abaladas. 7Êle manda ao sol, e o sol não nasce: Êle tem as estrelas encerradas como debaixo de um sêlo: 8Êle só formou a extensão dos céus, e anda sôbre as ondas do mar. 9Êle criou as estrelas da Ursa, e do Orion, e das Híadas, e as mais próximas ao meio-dia. 10Êle faz coisas grandes, e incompreensíveis, e maravilhosas, as quais não têm número. 11Se Êle vier a mim, eu hão o verei: se se fôr, eu não o perceberei. 12Se Êle perguntar de repente quem lhe responde: rá? ou quem lhe pode dizer: Por que fazes isto? 13Deus, a cuja ira ninguém pode resistir, e sob o qual se curvam os que sustentam o mundo sôbre seus ombros. 14Quem sou eu logo para lhe responder e para ousar falar-lhe? 15Que ainda quando em mim haja algum vestígio de justiça, não lhe responderei, mas que implorarei ao meu juiz. 16E ainda quando me ouvir deprecando-lhe, eu não crerei que êle ouvisse a minha voz. 17Porque me desfará com um redemoinho, e multiplicará as minhas ferida^ ainda sem causa. 18Não concede que meu espírito repouse, e me enche de amarguras. 19Se se busca fortaleza, é robustíssimo: Se.equidade de juízo, ninguém ousa dar testemunho em meu favor. 20Se eu pretender justificar-me a minha bôca me condenará: Se mostrar-me inocente, êle me convencerá de culpado. 21Ainda quando eu seja sincero, isto mesmo ignorará a minha alma, e me será tediosa a minha vida. 22Uma só coisa é que digo, Deus aflige assim o inocente como o ímpio. 23Se Êle fere, mate por uma vez, e não se ria das penas dos inocentes. 24A terra foi entregue nas mãos do ímpio, cobre com um véu os olhos dos seus juízos: Se não é Deus, quem é logo? 25Os dias da minha vida foram mais velozes do que um correio: Fugiram, e' não viram o bem. 26Passaram como navios que levam fruta, como a águia que voa à sua comida. 27Quando disser: Já não falarei assim: Mudo o meu rosto, e de dor me atormento. 28Eu me temia de tôdas as minhas obras, sabendo que não perdoavas ao delinquente. 29Mas se ainda assim sou-um ímpio, porque trabalhei eu em vão: 30Ainda que me lavasse como com água de neve, e brilhassem as minhas mãos como as mais limpas: 31Contudo me cobrirás de imundícies, e os meus próprios vestidos me abominarão. 32Porque o meu caso não é responder a um homem semelhante a mim: Nem contestar com êle como com um meu igual, 33Não há quem possa ser árbitro entre ambos, nem meter a sua mão entre os dois. 34Tire êle a sua vara de cima dé mim, e não me amedronte o seu terror. 35Falarei, e não o temerei: Porque eu não posso cheio de medo responder.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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