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Joel 2

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Fazei retumbar a trombeta em Sião, dai uivos no meu santo monte, todos os habitantes da terra se perturbem: Porque é chegado o dia do Senhor, pois está perto. 2Êste dia de trevas, e de escuridade, êste dia de nublado, e de torvelhinho: Bem como a luz da manhã se espalha sôbre os montes, assim um povo numeroso e possante se difundirá por tôda a vossa terra de Israel: Semelhante a êle não houve desde o princípio, nem depois dele haverá outro em todos os anos de geração e de geração. 3Diante da sua face virá um fogo devorante, e atrás dele a chama abrasadora: A terra que diante dêle era um jardim de delícias, depois dêle ficará também sendo a solidão de um deserto, nem há quem escape dele. 4Quem os vir, tomá-los-á por uns cavalos: E eles, como uma tropa de cavalaria, assim correrão. 5Êles saltarão sôbre os cumes dos montes, com um estrondo semelhante ao das carroças, com um sonido semelhante ao da chama de fogo que queima a palha séta, bem como um poderoso exército apercebido para o combate. 6À sua vista ficarão atormentados os povos: Todos os semblantes tomarão a côr do chumbo. 7êles correrão como valentes que são: À cscala vista cavalgarão as muralhas, como homens de guerra: files marcharão unidos cada um no seu pôsto, e não se desviarão da sua fileira. 8Nenhum dêles apertará a seu irmão, cada um andara pelo seu carreiro: E ainda se baquearão pelas janelas, e não se estropiarão. 9£les ertrarão nas cidades, correrão por cima dos muros: Subirão às casas, entrarão pelas janelas como um ladrão. 10A terra tremeu diante dêles, os céus se abalaram: O sol e a lua se escureceram, e as estrêlas retiraram o seu resplendor. 11Mas o Senhor fiz ouvir a sua voz anta a face do seu exército: Porque os seus arraiais são muitos em extremo, porque são fortes e executam as suas ordens: Porque o dia do Senhor é grande, e sobremaneira terrível: E quem o poderá sofrer? 12Agora, pois, diz o Senhor: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração em jejum, e em lágrimas, e em gemidos. 13E rasgai os vossos corações, e não os vossos vestidos, e convertei-vos ao Senhor vosso Deus: Porque êle é benigno, e mavioso, paciente e de muita misericórdia, e pode arrepender-se do imai com que vos tinha amea-cado. 14Quem sabe se quererá êle volver-se para vós, e perdoai--vos, e deixar após si alguma bênção, algum sacrifício, e libação para o Senhor vosso Deus?: 15Fazei soar a trombeta em Sião, santificai um Jejum, convocai uma assembléia. 16Fazei vir todo o povo, adverti a todos em geral que se purifiquem, ajuntai os velhos, congregai os pequeninos, e os meninos de peito: Saia o espôsc de sua câmara, e a espôsa do seu leito. 17Os sacerdotes, ministros do Senhor, postos entre o vestíbulo e o altar, chorarão, e dirão: Perdoa, Senhor. perdoa ao teu povo: E não deixes cair a tua herança em opróbrio, de sorte que as nações os dominem: Porque dizem entre os povos: Onde está o Deus dêles? 18o Senhor zelou a sua terra e perdoou ao seu povo: 19E respondeu o Senhor, e disse ao seu povo: Eis-ai vou eu a enviar-vos trigo, e vinho, e azeite, e vós ficareis cheios dêstes gêneros: E eu vos não entregarei mais ao insulto das gentes. 20E eu porei longe de vós aquêle que é das partes do Aquilão: E lançá-lo-ci para uma terra sem caminho, e deserta, a sua face para a banda do mar oriental, e a sua extremidade para o mar mais remoto: E subirá o seu fedor, e subirá a sua podridão, porque obrou com soberba. 21Não temas, terra, exulta, e alegra-te: Porque o Senhor vai a fazer grandes coisas. 22Não temais, animais do campo: Porque os amenos campos do deserto brotaram, porque tôda a árvore deu o seu ruto, a figueira e a vinha brotaram com todo O seu vigor. 23E vós, filhos de Sião, exultai, e alegrai-vos no Senhor vosso Deus: Porque êle vos deu um doutor, que vos ensinará a justiça, e fará descer sôbre vós, como no princípio, uma chuva temporã e tardia. 24Ti as vossas eiras se encherão de trigo, e os vossos lagares trasbordarão de vinho, e de azeite. 25E eu vos recompensarei os anos, cujos frutos comeu e gafanhoto, o brugo, e a ferrugem, e a lagarta, êste meu poderoso exército, que eu mandei contra vós. 26Vós porém vos sustentareis desta abundância, e vos fartareis dêstes bens: E louvareis o nome do Senhor vosso Deus, que obrou a vosso favor tantas maravilhas: E o meu povo nunca jamais tornará a cair em confusão. 27Vós sabereis então que eu estou no meio de Israel: E que eu sou o Senhor vosso Deus e que não há outro senão cu: E o meu povo nunca jamais tornará a cair em confusão. 28Depois disto acontecerá também o que vou a dizer: Eu derramarei o meu espírito sôbre tôda a carne: E os vossos filhos, e as vossas filhas profetizarão: Os vossos velhos serão instruídos por sonhos, e os vossos mancebos terão visões. 29E derramarei também naqueles dias o meu espirito sôbre os meus servos, e sôbre as minhas servas. 30E darei a ver prodígios no céu, e na terra, prodígios de sangue, e de fogo, e de vapor de fumo. 31O sol converter-se-á em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande, e terrível dia do Senhor. 32E acontecerá isto: Todo o que invocar o nome do Senhor, será salvo: Porque a salvação se achará, como o Senhor disse, no monte Sião, e em Jerusalém, e nos restos que o Senhor tiver chamado.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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