João 18
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Tendo Jesus dito estas palavras, sait com os seus discípulos para a outra banda do ribeiro de Cedron, onde havia um horto, no qual entrou êle, e seus discípulos. 2Ora, Judas, que o entregava, sabia também dêste lugar, porque a êle tinha vindo; Jesus muitas vezes com seus discípulos. 3Tendo -pois Judas tomado uma companhia de soldados, e os quadrilheiros da parte dos pontífices e fariseus, veio ali com lanternas e archotes, e armas. 4Pelo que Jesus, que sabia tudo o que estava para lhe sobrevir, adiantou-se, e disse-lhes: A quem buscais? 5Responderam-lhe êles: A Jesus Nazareno. Disse-lhes Jesus: Eu sou. E Judas, que o entregava, estava também com êles. 6Tanto pois que Jesus lhes disse: Eu sou, recuaram para trás, e cairam por terra. 7Perguntou-lhes pois Jesus segunda vez: A quem buscais? E responderam êles: A Jesus Nazareno. 8Disse-lhes Jesus: Já vos disse que eu squ: Se a mim pois é que buscais, deixai ir êstes. 9Para se cumprir a palavra que êle dissera: Dos que me destes não perdi nenhum dêles. 10Mas Simão Pedro, que tinha espada, puxou dela: E feriu um servo do pontífice. E lhe cortou a orelha direita. E o servo se chamava Malco. 11Porém Jesus disse a Pedro: Mete a tua espada na bainha. Não hei de beber o cálice que o Pai me deu? 12A coorte pois, e o tribuno, e os quadrilheiros dos judeus prenderam a Jesus, e o manietaram: 13E primeiramente o levaram à casa de Anás, por ser sogro de Caifás, que era o pontífice daquele ano. 14Caifás porém era aquele que tinha dado aos judeus o conselho: De que convinha que um homem morresse pelo povo. 15Ora seguia a Jesus Simão Pedro, e outro discipulo. Era pois o tal discípulo conhecido do pontífice, e entrou com Jesus no pátio do pontífice. 16Mas Pedro estava de fora à porta. Saiu então o outro discípulo, que era conhecido do pontífice, e falou à porteira: E esta fêz entrar a Pedro. 17Esta porteira pois, que era escrava, disse a Pedro: Não és tu também -dos discípulos dêste homem? Respondeu êle: Não sou. 18Ora, os servos e quadrilheiros estavam em pé ao lume porque fazia frio, e ali se aquentavam: E com êles estava também Pedro: em pé, do mesmo modo aquentando-se. 19Entretanto fêz o pontífice perguntas a Jesus, sôbre que discípulos tinha, e qual era a sua doutrina. 20Respondeu-lhe Jesus: Eu falei publicamente ao mundo: Eu sempre ensinei na Sinagoga, e no Templo, aonde concorrem todos os judeus: E nada disse em secreto. 21Por que me fazes tu perguntas? Faze-as àqueles que ouviram o que eu lhes disse: Ei-los aí estão que sabem o que eu ensinei. 22E tendo dito isto, um dos quadrilheiros, que se achavam presentes, deu uma bofetada em Jesus, dizendo: Assim é que tu respondes ao pontífice? 23Disse-lhe Jesus: Se eu falei mal, dá tu testemunho do mal, mas se eu falei bem, por que me feres? 24E Anás o enviou manietado ao pontífice Caifás. 25Estava pois ali em pé Simão Pedro, aquentando-se ainda. E êles lhe disseram: Não és tu também dos seus discípulos? Negou êle, e disse: Não. sou. 26Disse-lhe um dos servos do pontífice, que era parente daquele a quem Pedro cortara a orelha: Não é assim que eu te vi com êle no horto? 27E negou-o Pedro outra vez: E imediatamente cantou o galo. 28Levaram pois Jesus da casa de Caifás ao pretório. Era de manhã: E êles não entraram no pretório por se não contaminarem, mas comerem a Páscoa. 29Pilatos pois saíu fora para lhes falar, e disse: Que acusação trazeis vós contra êste homem? 30Responderam êles e disseram-lhe: Se êste não fôra malfeitor, não to entregáramos nós. 31Pilatos lhes disse então: Tomai-o lá vós outros, e julgai-o segundo a vossa lei. E os judeus lhe disseram: A nós não nos é permitido matar ninguém. 32Para se cumprir a.palavra, que Jesus dissera, significando de que morte havia de morrer. 33Tornou pois a entrar Pilatos no pretório, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o rei dos judeus? 34Respondeu Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou foram outros os que to disseram de mim? 35Disse Pilatos: Porventura sou eu judeu?. A tua nação, e os pontífices são os que te entregaram nas minhas -mãos: Que fizeste tu? 36Respondeu Jesus: O meu reino não é dêste mundo: Se meu reino fôsse dêste mundo, certo que os meus ministros haviam de pelejar, para que eu não fôsse entregue aos judeus: Mas agora não é daqui o meu reino. 37Disse-lhe então Pilatos: Logo tu és rei? Respondeu Jesus: Tu o dizes, que eu sou rei. Eu para isso nasci, e ao que vim ao mundo foi para dar testemunho da verdade: Todo o que é da verdade, ouve a minha voz. 38Disse-lhe Pilatos: Que coisa é a verdade? E dito isto, tornou a sair a ver-se com os judeus, e disse-lhes: Eu não acho nele crime algum. 39Mas é costume entre vós, que eu pela Páscoa vos solte um: Quereis vós logo que vos solte o rei dos judeus? 40Então gritaram todos novamente, dizendo: Não queremos sôlto a êste, mas a Barrabás. Ora, este Barrabás era um ladrão.