João 19
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Pilatos pois tomou então a Jesus, e o mandou açoitar. 2E os soldados, tecendo de espinhos uma coroa. lha puseram sôbre a cabeça: E o vestiram dum manto de púrpura. 3Depois vinham ter com êle, e diziam-lhe: Deus te salve, rei dos judeus: E davam-lhe bofetadas. 4Saiu Pilatos ainda outra vez fora, e disse-lhes; Eis aqui vo-lo trago fora, para que vós conheçais que eu não acho nele crime algum. 5(Saiu pois Jesus trazendo uma coroa de espinhos, e um vestido de púrpura.) E Pilatos lhes disse: Eis aqui o homem. 6Então os príncipes dos sacerdotes, e os oficiais, tendo-o visto, gritaram, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Tomai-o vós outros, crucificai-o: Porque eu não acho nele crime algum. 7Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei, e êle deve morrer segundo a lei, pois se fêz Filho de Deus. 8Pilatos pois como ouviu estas pàlavras, temeu ainda mais. 9E entrou outra vez no pretório: E disse a Jesus: Donde és tu? mas Jesus não lhe deu resposta alguma. 10Então lhe disse Pilatos: Tu não me falas? Não sabes que tenho poder para te crucificar, e que tenho poder para te soltar? 11Respondeu-lhe Jesus: Tu não terias sôbre mim poder algum, se êle te não fôra dado lá de cima. Por isso o que me entregou a ti, tem maior pecado. 12E dêste ponto: em diante buscava Pilatos algum meio de o livrar. Mas os judeus gritavam, dizendo: Tu se livras a êste, não és amigo dó César: Porque todo o que se faz rei, contradiz ao César. 13Pilatos pois como ouviu estas vozes, trouxe para fora a Jesus: E assentou-se no seu tribunal, no lugar que se chama Litostrotos, e em hebraico Gabata. 14Era então o dia da preparação da Páscoa, quasi a hora sexta, e disse Pilatos aos judeus: Eis aqui o vosso rei. 15Mas êles diziam a gritos: Tira-o, tira-o, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Pois eu hei de crucificar o vosso rei? Responderam os príncipes dos sacerdotes: Nós não temos outro rei senão o César. 16Então porém lho entregou para que fôsse crucificado. E êles tomaram a Jesus, e o tiraram para fora. 17E levando a sua cruz às costas, saiu para aquele lugar que se chama do Calvário, e em hebreu Gólgota: 18Onde o crucificaram, e com êle outros dois, um de uma parte, outro de outra, e Jesus no meio. 19E Pilatos escreveu também um título: E o pôs sôbre a cruz. E dizia a inscrição: JESUS NAZARENO, 20E muitos dos judeus leram êste título: Porque estava perto da cidade o lugar onde Jesus fôra crucificado. E estava escrito em hebraico, em grego, e em latim. 21Diziam pois a Pilatos os pontífices dos judeus: Não escrevas rei dos judeus: Mas o que êle diz: Eu sou rei dos judeus. 22Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi. 23Porém os soldados, depois de haverem crucificado a Jesus, tomaram as suas vestiduras (e fizeram delas quatro partes, para cada soldado sua parte) e a túnica. - Mas a túnica não tinha costura, porque era tôda tecida de alto a baixo. 24E disseram uns para os outros: Não a rasgue-mos, mas lancemos sortes sôbre ela, a ver quem a há de levar. Para se cumprir a Escritura, que diz: Repartiram meus vestidos entre si: E lançaram. sorte sôbre a minha vestidura. E os soldados de, fato assim o fizeram. 25Entretanto estavam em pé junto à Cruz de Jesus sua mãe, e irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. 26J ésus pois tendo visto sua mãe, e ao discípulo que êle amava, o qual estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. 27Depois disse ao discipulo: Eis aí tua mãe. E desta hora em diante a tomou o discípulo para sua casa. 28Depois sabendo Jesus que tudo estava cumprido, para se cumprir uma palavra, que ainda restava das Escritura, disse: Tenho sede. 29Tinha-se porém ali posto um vaso cheio de vinagre. Então os soldados ensopavam no vinagre uma esponja, e atando-a a um hissôpo lha chegaram à bôca. 30Jesus porém havendo tomado o vinagre, disse: Tudo está cumprido. E abaixando a cabeça, rendeu o espirito. 31E os judeus (porquanto era a preparação) para que não ficassem os corpos na cruz em dia de sábado (porque aquele dia de sábado era de grande solenidade), rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e que fossem dali tirados. 32Vieram pois os soldados: E quebraram as pernas ao primeiro, e ao outro, que com êle fôra crucificado. 33Tendo vindo depois a Jesus, como viram que estava já morto, não lhe quebraram as pernas. 34Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e imediatamente saíu sangue e água. 35Aquele porém que o viu, deu testemunho disso: E o seu testemunho é verdadeiro. E êle sabe que diz a verdade: Para que também vós o creiais. 36Porque estas coisas sucederam para que se cumprisse esta palavra da Escritura: Não quebrareis dêle osso algum. 37E também diz outro lugar da Escritura: Êles verão aquele a quem traspassaram. 38E depois disto José de Arimatéia (pois que era discípulo de Jesus, ainda que era por mêdo dos judeus) rogou a Pilatos que o deixasse tirar o corpo de Jesus. E Pilatos lho permitiu. Veio pois, e tirou o corpo de Jesus. 39E Nicodemos, o que havia ido primeiramente de noite buscar a Jesus, veio também, trazendo uma composição de quase cem libras de mirra e de aloés. 40Tomaram pois o corpo de Jesus, e o ligaram envolto em lençóis depois de embalsamado com aromas, da maneira que os judeus têm por costume sepultar os mortos. 41No lugar porém em que Jesus fôra crucificado havia um horto: TE neste horto um sepulcro novo, em que ninguém ainda tinha sido depositado. 42Portanto em razão de ser o dia da preparação dos judeus, visto que êste sepulcro estava perto, depositaram nele a Jesus.