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João 5

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Depois disto era dia duma festa dos judeus, e Jesus subiu. a Jerusalém. 2Ora, em Jerusalém est á a piscina probática, que em hebreu se chama: Betsaida, a qual tem cinco alpen-dres. 3Neste jazia uma grande multidão de enfermos, de cegos, de coxos, dos que tinham os membros resseca-dos, todos os quais esperavam que se movesse a água. 4Porque um anjo do Senhor descia em certo tempo ao tanque: E movia-se a água. E o primeiro que entrava no tanque depois de se mover a água, ficava curado de qualquer doença que tivesse. 5Estava também ali um homem, que havia trinta e oito anos que se achava enfermo. 6Jesus; que o viu deitado, e que soube que tinha já muito tempo de enfermo, disse-lhe: Queres ficar são? 7O enfermo lhe respondeu: Senhor, não tenho homem que me meta no tanque, quando a água for movida: Porque enquanto eu vou, outro entra primeiro do que eu. 8Disse-lhe Jesus: Levanta-te, toma a tua cama, e anda. 9E no mesmo instante ficou são aquele homem: E tomou a sua cama, e começou a andar. E era aquele dia um dia de sábado. 10Pelo que diziam os judeus ao que havia sido, curado: Hoje é sábado, não te é lícito levar a tua cama. 11Respondeu-lhes êle: Aquele que me cúrou, êsse mesmo me disse: Toma a tua cama, e anda. 12Perguntaram-lhe então: Quem é êsse homem que te disse: Toma a tua cama, e anda? 13Porém o que havia sido curado, não sabia quem êle era: Porque Jesus se havia retirado do muito povo que estava naquele lugar. 14Depois achou-o Jesus no Templo, e disse-lhe: Olha que já estás são: Não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior. 15Foi aquele homem declarar aos judeus que Jesus era o que o havia curado. 16Por esta causa perseguiam cs judeus a Jesus, por êle fazer estas coisas em dia de sábado. 17Mas Jesus lhes respondeu: Meu Pai até agora não cessa de obrar, e eu obro também incessantemente. 18Por isso pois procuravam os judeus com maior ânsia matá-lo: Porque não sômente quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu Pai, fazendo-se igual a Deus. E assim Jesus lhes respondeu, e lhes disse: 19Em verdade, em verdade vos digo: Que o Filho não pode de si mesmo fazer coisa alguma, senão o que vir fazer ao Pai: Porque tudo o que fizer o Pai, o faz também semelhantemente o Filho. 20Porque o Pai ama ao Filho, e mostra-lhe tudo o que êle faz: E maiores obras do que estas lhe mostrará, até o ponto de vós ficardes admirados. 21Porque assim como o Pai ressuscita os mortos, e lhes dá vida: Assim também dá o Filho vida àqueles que quer. 22Porque o Pai a ninguém julga: Mas todo o juízo deu ao Filho.: 23A fim de que todos honrem ao Filho, bem como honram ao Pai: O que não honrar ao Filho, não honra ao Pai, que o enviou. 24Em verdade, em verdade vos digo, que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida. 25Em verdade, em verdade vos digo, que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus: E os que a ouvirem, viverão. 26Porque assim como o Pai tem a vida em si mesmo, assim também deu êle ao Filho ter vida em si mesmo. 27E lhe deu o poder de exercitar o juízo, porque é Filho do homem. 28Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se acham nos sepulcros, ouvirão a voz do Filho de Deus: 29E os que obraram bem, sairão para a ressurreição da vida: Mas os que obraram mal, sairão ressuscitados para a condenação. 30Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Assim como oiço, julgo: E o meu juízo é justo: Por que não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 31Se eu dou testemunho de mim mesmo, não é verdadeiro o meu testemunho. 32Outro é o que dá testemunho de mim: E eu sei que é verdadeiro o testemunho que êle dá de mim. 33Vós enviastes mensageiros a João: E êle deu testemunho da verdade. 34Eu porém não é do homem que recebo o teste munho: Mas digo-uns estas coisas, a fim de que sejais salvos. 35Êle era uma lâmpada, que ardia e alumiava. E vós por algum tempo quisestes alegrar-vos com a sua luz. 36Mas eu tenho maior testemunho, que o de João. Porque as obras que meu Pai me deu que cumprisse: As mesmas obras que eu faço, dão por mim testemunho de que meu Pai é quem me enviou: 37E meu Pai, que me enviou, êsse é o que deu testemunho de mim: Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes quem o representasse: 38E não tendes em vós permanente a sua palavra, porque não credes no que êle enviou. 39Examinai as Escrituras, pois julgais ter nelas a vida eterna: E elas mesmas são as que dão testemunho de mim: 40Mas vós não quereis vira mim, para terdes vida. 41Eu não recebo dos homens a minha glória. 42Mas bem vos conheço, que não tendes em vós a dileção de Deus. 43Eu vim em nome de meu Pai, e vós não me recebeis: Se vier outro em seu próprio nome. haveis de recebê-lo. 44Como podeis crer vós outros, que recebeis a glória uns dos outros: E que não buscais a glória, que vem só de Deus? 45Não julgueis que eu vos hei de acusar diante de meu Pai: O mesmo Moisés, em que vós tendes as esperanças, é o que vos acusa. 46Porque se vós crêsseis a Moisés, certamente acreditaríeis também em mim: Porque êle escreveu de mim. 47Porém se vós não dais crédito aos seus escritos, como dareis crédito às minhas palavras?

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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