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João 6

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Depois disto passou Jesus à outra banda do mar de Galiléia, que é o de Tiberíades. 2E seguia-o uma grande multidão de gente, por que viam os milagres que fazia sôbre os que se achavam enfermos. 3Subiu, pois, Jesus a um monte, e ali se assentou com seus discípulos. 4E estava perto a Páscoa, dia da festa dos judeus. 5Pelo que tendo Jesus levantado os olhos, e visto que veio ter com êle uma grandíssima multidão de povo, disse para Filipe: (Com que compraremos nós o pão, de que êstes necessitam para comer? 6Mas Jesus falava assim para experimentar: Porque êle bem sabia o que havia de fazer. 7Respondeu-lhe Filipe: Duzentos dinheiros de pão não lhe bastam, para que cada um receba à sua parte um pequeno bocado. 8Um de seus discípulos, cnamado André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe: 9Aqui está um moço; que tem cinco pães de cevada e dois peixes; mas isto que é para se repartir entre tanta gente? 10Então disse Jesus: Fazei assentar essa gente. Havia muita erva naquele lugar. E sc assentaram a comer, em número de cinco mil pessoas. 11Tomou, pois, Jesus os pães: E tendo dado graças, distribuiu-os aos que estavam assentados: - E assim mesmo dos peixes, quanto êles queriam. 12E como estiveram fartos, disse a seus discípulos: Recolhei os pedaços, que sobejaram, para que se não percam. 13Êles pois os recolheram, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada,que tinham sobejado aos que haviam comido. 14Vendo então aqueles: homens o milagre que Je-, sus obrará, diziam: Êste é verdadeiramente o Profeta que devia vir ao mundo. 15E entendendo Jesus que o viriam arrebatar para o fazerem rei, tornou-se a retirar para o monte, êle só. 16E quando veio a tarde, desceram seus discípulos ao mar. 17E metendo-se numa barca, atravessaram à banda dalém a Cafarnaum; e era já escuro: E ainda Jesus não tinha vindo a êles. 18Entretanto o mar começava a empolar-se, por causa do vento rijo que assoprava. 19E tendo navegado quase o espaço de vinte e cinco, ou trinta estádios, viram a Jesus, que vinha andando sôbre o mar, e vinha chegando à barca, do que eles ficaram atemorizados. 20Mas Jesus lhes disse: Sou eu, não temais. 21Quiseram êles, pois, recebê-lo na barca: E logo. a barca chegou à terra, a que êles queriam abordar. 22No dia seguinte o povo que estava da outra banda do mar, advertiu que não tinha ali estado outra barca, senão só aquela, e que Jesus não tinha entrado na barca com seus discípulos, mas que os seus mesmos discípulos tinham ido sós. 23Mas depois arribaram de Tiberíades outras barcas, perto do lugar onde tinham comido o pão, depois do - Senhor ter dado graças. 24Quando enfim viu a gente que nem Jesus lá estava, nem seus discípulos, entraram naquelas barcas, e vieram até Cafarnaum em busca de Jesus. 25E depois que o acharam da banda dalém do mar, disseram-lhe: Mestre, quando chegaste tu aqui? 26Respondeu-lhe Jesus, e disse: Em verdade, em verdade vos digo: Que vós me buscais, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães, e ficastes fartos. 27Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até à vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará. Porque êle é o em que Deus Padre imprimiu o seu sêlo. 28Disseram-lhe pois êles: Que faremos: nós para obrarmos as obras de Deus? 29Respondeu Jesus, e disse-lhes: A obra de Deus é esta, que creiais naquele que êle enviou. 30Disseram-lhe então êles: Pois que milagre fazes tu, para que o vejamos, e creiamos en: ti? Que obras tu? 31Nossos pais comeram o maná no deserto, segundo o que está escrito: Êle lhes deu a comer o pão do Céu. 32E Jesus lhes respondeu: Em verdade, em verdade vos digo: Que Moisés não vos deu o pão do Céu, mas meu Pai é o que vos dá o verdadeiro pão do Céu. 33Porque o pão de Deus é o que desceu do Céu, e que dá vida ao mundo. 34Eles pois disseram-lhe: Senhor, dá-nos sempre dêste pão. 35E Jesus lhes respondeu: Eu sou o pão da vida: O que vem a mim, não terá jamais fome, e o que crê em mim, não terá jamais sêde. 36Porém eu já vos disse, que vós me vistes, e que: me não credes. 37Todo o que meu Pai me dá, virá a mim: E o que vem a mim, não o lançarei fora: 38Porque eu desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39E essa é a vontade daquele Pai que me enviou: Que nenhum perca eu de todos aqueles que êle me deu, mas que o ressuscite no último dia. 40Ea vontade de meu Pai que me enviou, é esta: Que todo o que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 41Murmuravam pois dêle os judeus, porque dissera: Eu sou o pão vivo, que desci do Céu. 42E diziam: Porventura não é êste Jesus o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como logo diz êle: Desci do Céu? 43Respondeu pois Jesus, e disse-lhes: Não murmureis entre vós outros. 44Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, o não trouxer: E eu o ressuscitarei no último dia. 45Escrito está nos profetas: E serão todos ensinados de Deus: Assim que todo aquele qué do Pai ouviu, e aprendeu, vem a mim. 46Não que alguém tenha visto ao Pai, senão só aquele que é de Deus, êsse é o que tem visto ao Pai, 47Em verdade, em verdade vos digo: O que crê em mim, tem a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram. 50Aqui está o pão que desceu do Céu: Para que todo o que dele comer, não morra. 51Eu sou o pão vivo, que desci do Céu. 52Se qualquer comer dêste pão, viverá eternamente: E o pão, que eu darei, é a minha carne, para ser a vida do mundo. 53Disputavam pois entre si os judeus, dizendo: Como pode este dar-nos a comer a sua carne? 54E Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós. 55O que come a minha carne, e bebe o meu sangue, tem a vida eterna: E eu o ressuscitarei no último dia. 56Porque a minha carne verdadeiramente é comida: E o meu sangue verdadeiramente é bebida. 57O que come a minha carne, e bebe o meu sangue, êsse fica em mim, e eu nele. 58Assim como o Pai, que é vivo, me enviou, e eu vivo pelo Pai: Assim o que se alimenta com a minha carne, êsse mesmo também viverá por mim. 59Aqui está o pão que desceu do Céu. Não como vossos pais, que comeram o maná, e morreram. o que come dêste pão viverá eternamente. 60Estas coisas disse Jesus quando em Cafarnaum ensinava na Sinagoga. 61Muitos pois dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é êste discurso, e quem o pode ouvir? 62Porém Jesus conhecendo em si mesmo que seus discípulos murmuravam por isso, disse-lhes: Isto escandaliza-vos? 63Pois que será, se vós virdes subir o Filho do homem, onde êle primeiro estava? 64O espirito é o que vivifica: À carne para nada aproveita: As palavras que eu vos disse são espírito e vida. 65Mas há alguns de vós outros que não crêem. Porque bem sabia Jesus desde o princípio quem eram os que não criam, e quem o havia de entregar. 66E dizia: Por isso eu vos tenho dito, que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai lhe não fôr isso concedido. 67Desde então se tornaram atrás muitos de seus discípulos: E já não andavam com êle. 68Por isso disse Jesus aos doze: Quereis vós outros timbém retirar-vos?. 69E respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras da vida eterna. 70E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo Filho de Deus. 71Disse-lhes Jesus: Não é assim que eu vos esto-lhi em número de doze, e contudo um de vós é o diabo? 72O que êle dizia por Judas Iscariotes, filho de Simão, porque êle era o que o havia de entregar, sendo que era um dos doze.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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