João 7
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E depois disto andava Jesus por Galiléia, porque não queria andar por Judéia: Visto que os judeus o que riam matar. 2Estava porém a chegar a festa dos judeus, chamada dos Tabernáculos. 3Disseram-lhe pois seus irmãos: Sai daqui. e vai para Judéia, para que também teus discípulos vejam as obras que fazes.: 4Porque ninguém, que deseja ser conhecido em público, obra coisa alguma em secreto: Já que fazes estas coisas, descobre-te ao mundo. 5Porque nem ainda seus irmãos criam nele. 6Disse-lhe pois Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo sempre está pronto. 7O mundo não vos pode aborrecer: Mas êle me aborrece a mim: Porque cu dou testemunho clêle, que são más as suas obras. 8Vós outros subi a esta festa, que eu todavia não vou a esta festa: Porque não é ainda cumprido o meu tempo. 9Tendo dito isto, deixou-se ficar êle mesmo em Galiléia. 10Mas quando seus irmãos já tinham subido, então subiu êle também à festa não descobertamente, mas como em segredo. 11Buscavam-no pois os judeus no dia da festa, e diziam: Onde está êle? 12E era grande a murmuração que dêle havia no povo. Porque uns diziam: Êle é bom. Outros porém diziam: Não é, antes engana o povo. 13«Ninguém contudo ousava falar dêle em público, por: mêdo dos judeus. 14Ora, estando já os dias da festa no meio, entrou Jesus no Templo, e pôs-se a ensinar. 15E admiravam-se os judeus, dizendo: Como sabe êste letras, não as tendo estudado? 16Respondeu-lhes Jesus, e disse: A minha doutrina não é minha, mas é daquele que me enviou. 17Se alguém quiser fazer a vontade de Deus: Reconhecerá se a minha doutrina vem dele, ou se eu falo de: 18O que fala de si mesmo, busca a própria glória Mas aquele que busca a glória de quem o enviou, êsse é verdadeiro, e não há nele injustiça. 19Não é assim que Moisés vos deu a Lei, e cor-tudo nenhum de vós cumpre com a Lei? 20Por que me procurais vós matar? Respondeu o povo, e disse: Tu estás possesso do demônio; quem é que procura matar-te? 21Respondeu Jesus, e disse-lhes: Eu fiz uma só obra, e todos vós estais por isso maravilhados: 22Vós contudo, porque Moisés vos ordenou a circuncisão (Se bem que ela não vem de Moisés, mas dos patriarcas) no sábado mesmo circuncidais um homem. 23Se por não se violar a Lei de Moisés vos ordenou a circuncisão em dia de sábado: Por que vos indignais vós de que eu em dia de sábado curasse a todo um homem? 24Não julgueis segundo a aparência, mas julgai. segundo a reta justiça. 25Então alguns de Jerusalém diziam: Não é êste o tal a quem procuram matar? 26E contudo ei-lo aí está falando em público, e não lhe dizem coisa alguma. Será que tenham verdadeiramente reconhecido os senadores que este é o Cristo? 27Mas nós sabemos donde êste é: E do Cristo, quando vier, ninguém saberá donde êle seja. 28E Jesus levantava a voz no templo ensinando, e dizendo: Vós outros não só me conheceis, mas sabeis donde eu sou: E eu não vim de mim mesmo, mas é verdadeiro o que me enviou, a quem vós não conheceis: 29Eu sou quem o conheço: Porque dêle sou, e êle me enviou. 30Procuravam pois os judeus prendê-lo: Mas ninguém lhe lançou as mãos, porque não era ainda chegada a sua hora. 31E muitos do povo creram nele, e diziam: Quando vier o Cristo, fará êle mais prodígios que os que êste. faz? 32Ouviram os fariseus êste murmúrio que dêle fazia o povo: E os príncipes dos sacerdotes, e os fariseus enviaram quadrilheiros para o prenderem. 33Mas Jesus lhes disse: Ainda por um pouco de tempo estou convosco: E depois vou para aquele que me enviou. 34Vós me buscareis, e não me achareis: Nem vós podeis vir onde eu estou. 35Disseram logo entre. si os judeus: Para onde é que irá êste e que o não possamos achar? Será caso que vá para os que se acham dispersos entre as nações, -e para instruir os gentios? 36Que quer dizer esta palavra, que êle nos disse: Vós me buscareis, e não me achareis: E onde eu estou, não podeis vós vir?, 37E no último dia da festa que era o mais solene, estava ali Jesus, pôsto em pé, e levantava a voz, dizendo: Se alguém tem sêde, venha a mim, e beba. 38O que crê em mim, como diz a Escritura, do seu ventre correrão rios dágua viva. 39Isto porém dizia êle, falando do Espírito, que haviam de receber os que cressem nele: Porque ainda o Espirito não fôra dado, por não ter sido ainda glorificado Jesus. 40Entretanto alguns daquele povo, tendo ouvido estas suas palavras, diziam: Êste seguramente é profeta. 41Outros diziam: Êste é o Cristo. Porém diziam alguns: Pois que de Galiléia é que há de vir o Cristo? 42Não diz a Escritura: Que o Cristo há de vir da geração de Davi, e da vilota de Belém, onde assistia Davi? 43Assim que havia esta dissensão entre o povo acêrca dêle. 44E alguns dêles o queriam prender: Mas nenhum lançou as mãos sôbre êle. 45Voltaram pois os quadrilheiros para os príncipes dos sacerdotes, e fariseus. E êles lhes perguntaram: Por que o não trouxestes vós prêso? 46Responderam os quadrilheiros: Nunca homem algum falou como êste homem. 47Replicaram-lhes então os fariseus: Dar-se-á caso qué sejais vós também dos enganados? 48Houve porventura algum dentre os senadores, ou dos fariseus, que crêsse nele? 49Porque enquanto a esta plebe, que não sabe o que é lei, êles são uns homens amaldiçoados. 50Disse-lhes Nicodemos que era um dêles, e o mesmo que viera de noite buscar a Jesus: 51Condena porventura a nossa lei a algum homem antes de o ouvir, e antes de se informar das suas ações? 52Responderam êles, e disseram-lhes: E's tu também galileu? Examina as Escrituras, e verás que de Galiléia não se levanta profeta. 53E tornaram-se cada um para sua casa.