Jeremias 13
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Isto me disse a mim o Senhor: Vai, e compra para ti um cinto de linho, e pô-lo-ás sôbre os teus lombos, e não o metas na água. 2E comprei um cinto conforme a palavra do Senhor e o pus à roda dos meus lombos. 3E foi dirigida a mim segunda vez a palavra do Senhor, a qual dizia: 4Toma o cinto que compraste, que tens à roda dos teus lombos, e levantando-te vai ao Eufrates e esconde-o ali no buraco de uma pedra. 5E fui, e escondi-o no Eufrates, como o Senhor mo havia mandado. 6E sucedeu que passados muitos dias me disse o Senhor: Levanta-te, vai ao Eufrates: E toma dali o cinto, que te mandei que o escondesses ali. 7E fui ao Eufrates e cavei, e tomei o cinto do lugar onde o havia escondido: E eis-que já tinha apodrecido o cinto, de tal sorte que não servia para uso algum. 8E me foi dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 9Isto diz o Senhor: Assim farei apodrecer. a soberba de Judá, e a muita soberba de Jerusalém. 10A êstes povos perversíssimos que não querem ouvir as minhas palavras, e andam na pravidade do seu coração: E foram após dos deuses estranhos, para os servir e os adorar: E serão como êsse cinto, que para nenhum uso é bom. 11Porque assim como se une o cinto aos lombos de um homem, assim eu uni estreitamente comigo tôda a casa de Israel, e tôda a casa de Judá, diz o Senhor: Para que fôssem o meu povo, e do meu nome, e para meu louvor, e para minha glória: E não ouviram. 12Pelo que lhes dirás a eles estas palavras: Isto diz o Senhor Deus de Israel: Tôda a vasilha se encherá de vinho. E êles te dirão a ti: Acaso ignoramos que tôda a vasilha se encherá de vinho? 13E tu lhes dirás a êles: Isto diz o Senhor: Eis-aqui estou eu que encherei de embriaguez a todos os moradores desta terra, e reis da estirpe de Davi aos que se assentam sôbre o seu trono, e aos sacerdotes, e aos profetas, e a todos os moradores de Jerusalém: 14E pô-los-ei a cada um dispersos de seu irmão, e igualmente aos pais e aos filhos, diz o Senhor: Não perdoarei, e não me aplacarei: Nem usarei de clemência para que os não destrua. 15Ouvi, e percebei nos vossos ouvidos: Não vos ensoberbeçais, porque o Senhor falou. 16Dai glória ao Senhor vosso Deus, antes que so-brevenham as trevas, e antes que tropecem vossos pés nos montes tenebrosos: Esperareis luz, e mudá-la-á em sombra de morte, e em escuridão. 17Porque se isto não ouvirdes, chorará a minha alma em segrêdo à vista da vossa soberba: Pranteando chorará, e os meus olhos verterão lágrimas, porque foi cativo o rebanho do Senhor. 18Dize ao rei, e à rainha: Humilhai-vos, assentai-vos no chão, porque a coroa da vossa glória caiu da vossa cabeça. 19As cidades do Meio-dia estão fechadas, e não há quem as abra: Todo Judá foi transferido na transmigração geral. 20Levantai os vossos olhos, e vêde os que vêm do Aquilão: Onde está o rebanho, que te foi confiado, êsse teu gado famoso? 21Que dirás quando Deus te visitar? porque tu os ensinaste contra ti, e os instruíste para tua ruína: Acaso não te tomarão dores, como a mulher que está de parto? 22E se disseres no teu coração: Por que me vieram êstes males? Pela multidão das tuas iniquidades tem sido descoberto o mais vergonhoso que em ti há: Têm-se contaminado as tuas plantas. 23Se um etiope pode mudar a sua pele, ou um leopardo as suas malhas: Podereis vós também fazer o bem, vós que não aprendestes senão a fazer o mal. 24E eu os espalharei como a moinha, que pelo vento é arrebatada no deserto. 25Esta é a tua sorte, e a parte da tua medida que terás de mim, diz o Senhor, porque te esqueceste de mim, e tens confiado na mentira: 26Por isso eu também descobri as tuas coxas das pernas contra a tua face, e apareceu a tua ignomínia, 27os teus adultérios, e os teus rinchos, a maldade da tua fornicação: E eu vi as abominações que tu fizeste sôbre os outeiros no meio do campo. Ai de ti, Jerusalém, não serás tu jamais limpa, resolvendo-te a me seguires: Até quando ainda?