Jeremias 14
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Palavra do Senhor, que foi dirigida a Jeremias, pelo que diz respeito a uma sêca. 2Chorou a Judéia, e caíram as suas portas, e ficaram obscurecidas por terra, e subiu o clamor de Jerusalém. 3Os magnates enviaram os seus inferiores por água: Foram a tirá-la, não acharam água, voltaram com os seus cântaros vazios: Confundiram-se e afligiram-se e cobriram as suas cabeças. 4Pela desolação da terra, porque não veio chuva sôbre a terra, se confundiram os lavradores, cobriram as suas cabeças. 5Porquanto a cerva também pariu no campo a sua cria, e a abandonou: Porque não havia erva. 6E os asnos monteses puseram-se nos rochedos, enguliram vento como os dragões, desfaleceram os seus olhos, porque não havia erva. 7Se as nossas iniquidades houverem dado testemunho contra nós: Tu, Senhor, usa conosco de clemência por amor do teu nome, porque muitas são as nossas re-beldias, contra ti temos pecado. 8O' esperança de Israel, Salvador seu no tempo da tribulação: Por que hás de ser nesta terra como um estranho, e como um viandante que toma o seu caminho para albergar na estalagem por pouco tempo? 9Por que hás de ser como um homem vagabundo, como um homem forte que não pode salvar? mas tu, Senhor, entre nós estás, e o teu nome tem sido invocado sôbre nós, não nos desampares. 10Isto diz o Senhor a êste povo, que gostou de mover os seus pés, e não repousou, nem agradou ao Senhor: Agora se lembrará das maldades dêles, e visitará os seus pecados. 11Outrossim me disse o Senhor: Não me peças que eu perdoe a êste povo. 12Quando êles jejuarem, eu não escutarei as suas rógativas: E se êles me oferecerem holocaustos, ou vítimas, eu os não aceitarei: Porque os consumirei pela espada, e pela fome, e pela peste. 13E disse eu A, a, a, Senhor Deus, os profetas lhes dizem: Não vereis espada, e não haverá fome entre vós, mas êle vos dará paz verdadeira neste lugar. 14E me disse o Senhor: Os profetas falsamente vaticinam em meu nome: Não os enviei, nem lho mandei, nem lhes falei: Tudo o que vos profetizam é uma visão mentirosa, e uma adivinhação, e impostura, e engano do seu coração. 15Portanto isto diz o Senhor acêrca dos profetas, que profetizam em meu nome, ainda que eu os não tenha enviado, dizendo: A espada, e a fome não aíligirão esta terra: Êstes mesmos profetas hão de ser consumidos à espada e à fome. 16E os povos, a quem profetizam, serão lançados nas ruas de Jerusalém com a fome e a espada, e não. haverá quem os sepulte, eles mesmos, e suas mulheres, seus filhos e filhas, e derramarei o seu mal sôbre êles. 17E lhes dirás a eles esta palavra: Derramem os meus olhos lágrimas de noite e de dia, e não cessem: Porque de grande ruína ficou maltratada a virgem filha do meu povo, de chaga muito. maligna em extremo. 18Se eu sair aos campos, eis-ali se vêem mortos à espada: E se entrar na cidade, eis-ali se acham exte-nuados de fome. Até o profeta, e o sacerdote foram a uma terra, que não conheciam. 19Porventura rejeitaste de todo a Judá? ou aborreceu a tua alma a Sião? logo por que nos tens ferido, sem que nos reste melhora alguma? esperamos a paz, e não há bem: E o tempo da cura, e eis nós todos em perturbação. 20Nós reconhecemos, Senhor, as nossas impiedades, as iniquidades de nossos pais, porque pecamos contra ti. 21Não nos entregues ao oprólirio por amor do teu nome, nem permitas que sejamos a afronta do sólio da tua glória: Lembra-te, não anules a tua aliança conosco. 22Acaso há entre os simulacros das gentes alguns que façam chover? ou podem os céus dar chuvas? não és tu o Senhor nosso Deus, a quem esperamos? pois tu tens feito tôdas essas coisas.