Jeremias 15
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E o Senhor me disse: Ainda que Moisés, e Samuel se puserem diante de mim, não está a minha alma com êste povo: Tira-os diante da minha face, e saiam. 2E se te disserem a ti: Para onde sairemos? lhes dirás a êles: Isto diz o Senhor: O que para a morte, para a morte: E o que para a espada, para a espada: E o que para a fome, para a fome: E o que para o cativeiro, para o cativeiro. 3E eu enviarei sôbre êles quatro sortes de castigo, diz o Senhor: A espada para os matar, e os cães para os despedaçarem, e as aves do Céu e alimárias da terra para os devorarem e fazerem em pedaços: 4E eu os porei à furiosa perseguição de todos os reinos da terra: Por causa de Manassés, filho de Ezequias, rei de Judá, por tudo o que fêz em Jerusalém. 5Quem se compadecerá logo de ti, ó Jerusalém? Ou quem se entristecerá por ti? Ou quem irá a rogar pela tua paz? 6Tu me deixaste, diz o Senhor, tu voltaste para trás: Por isso eu estenderei a minha mão sôbre ti, e te matarei: Porque estou cansado de rogar. 7E espalhá-los-ei com a pá nas portas da terra: Matei e destruí o meu povo, e ainda com tudo isso não se tem deixado dos seus caminhos. 8Multiplicadas foram por mim as suas viúvas, mais que as areias do mar: Enviei contra êles um Exterminador que ao meio-dia matasse o menino nos braços da mãe: Espalhei pelas cidades um repentino terror. 9A que pariu sete enfraqueceu, a sua alma caiu em desfalecimento: O sol se pôs para ela, quando ainda era dia: Ela ficou coberta de confusão, e de vergonha: E os que ficarem dela, dá-los-ei à espada à vista de seus inimigos, diz o Senhor. 10Ai de mim, minha mãe: Por que me geraste. varão de contenda, varão de discórdia em tôda a terra? Nunca lhes dei dinheiro a usura, nem a mim mo deu ninguém: Todos me amaldiçoam. 11O Senhor diz: O teu fim irá em bem, que eu te assisti no tempo da aflição, e no tempo da tribulação contra o inimigo. 12Acaso ligar-se-ã o ferro com o ferro da parte do Aquilão, e o bronze? 13Eu darei sem preço ao saque as tuas riquezas e os teus tesouros por todos os teus pecados, e em todos os teus limites. 14E trarei os teus inimigos duma terra, que não sabes: Porque o fogo se tem ateado no meu furor, sôbre vós arderá. 15Tu o sabes, Senhor, lembra-te de mim, e visita-me, e defende-me daqueles que me perseguem, não tardes em amparar-me: Sabe que por amor de ti tenho sofrido afronta. 16Acharam-se os teus discursos, e eu os comi, ca tua palavra foi para mim o prazer e a alegria do meu coração: Porque invocado foi o teu nome sobre mim, Senhor Deus dos exércitos. 17Não me assentei no congresso dos escarnecedores, nem me gloriei à face da tua mão: Eu estava sentado só, porquanto me encheste de ameaças. 18Por que se tem feito perpétua a minha dor, e a minha chaga maligna recusou ser curada? tem-se tornado para mim como engano de águas que não são fiéis. 19Por esta causa o Senhor diz isto: Se te conver-teres, eu te converterei, e estarás diante da minha face: E se apartares o precioso do vil, serás como a minha bôca: Voltar-se-ão êles para ti, e tu não.voltarás para êles. 20E dar-te-ei eu a êste povo por um muro de bronze, por um muro forte: E pelejarão contra ti, e não poderão mais do que tu: Porque eu contigo sou para te salvar, e te livrar, diz o Senhor. 21E livrar-te-ei da mão dos malvadíssimos, e re-dimir-te-ei da mão dos fortes.