Jeremias 17
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1O pecado de Judá está escrito com um ponteiro de ferro numa unha de diamante, gravado sôbre a largura do coração dêles, e nos ângulos das suas aras. 2Quando os seus filhos se lembrarem das suas aras, e dos seus bosques, e das árvores frondosas nos montes altos, 3sacrificando no campo: Darei a saque a tua fortaleza, e todos os teus tesouros, as tuas alturas, por causa dos pecados cometidos em tôdas as tuas terras. 4E ficarás só despojada da tua herança, que te dei: E te farei servir aos teus inimigos na terra, que não conheces: Porquanto ateaste um fogo na minha sanha. que para sempre arderá. 5Isto diz o Senhor: Maldito o homem. que confia no homem e põe a carne por seu arrimo, e cujo coração se retira do Senhor. 6Porque será como as tamargueiras no deserto, e não verá quando vier o bem: Mas habitará em secura no deserto, numa terra de salsugem e despovoada. 7Bem-aventurado o varão, que confia no Senhor, e de quem o Senhor fôr a esperança. 8E será como a árvore, que é transplantada sôbre as águas, que estende as suas raízes para a umidade: E hão temerá quando vier o calor. E será verde a sua folha, e em tempo de sêca não terá míngua, nem jamais deixará de.fazer fruto. 9Depravado é o coração de todos, e impenetrável: Quem o conhecerá? 10Eu sou o Senhor que esquadrinho o coração, e que sondo os afetos: Que dou a cada um segundo o seu caminho, e segundo o fruto das invenções do seu capricho. 11A perdiz chocou os ovos que não pôs: Assim o injusto ajuntou riquezas, e não com direito: No meio de seus dias as deixará, e no seu fim será insipiente. 12O trono da glória do Altíssimo é desde o princípio, lugar da nossa santificação. 13Senhor, tu és a esperança de Israel: Todos os que te deixam, serão confundidos: Os que se apartam de ti, serão escritos sôbre a terra: Porque deixaram o Senhor, que é a fonte das águas vivas. 14Cura-me, Senhor, e eu serei curado: Salva-me, e serei salvo: Porque tu és o meu louvor. 15Eis-aí me estão eles dizendo: Onde está a palavra do Senhor? Venha. 16Mas eu não me turbei, seguindo-te como meu pastor: Nem desejei o dia do homem: Tu bem o sabes. O que saiu dos meus lábios, foi reto na tua presença. 17Não me sejas tu motivo de mêdo, tu, esperança minha no dia da aflição. 18Sejam confundidos os que me perseguem, e não seja eu confundido: Assombrem-se êles, e não me assom-bre eu: Faze vir sôbre êles o dia da aflição, e com dobrada esmigalhadura os esmigalha: 19Isto me disse a mim o Senhor: Vai, e põe-te à porta dos filhos do povo, pela qual entram e saem os reis de Judá, e vai a tôdas as portas de Jerusalém: 20E dir-lhes-ás: Ouvi a palavra do Senhor, reis de Judá, e tôda Judá, e todos os moradores de Jerusalém, que entrais por estas portas. 21Isto diz o Senhor: Guardai as vossas almas, e não queirais trazer cargas no dia do sábado: Nem as introduzais pelas portas de Jerusalém. 22E não façais tirar cargas de vossas casas no dia do sábado: Nem façais obra servil alguma: Santificai o dia do sábado, como eu ordenei a vossos pais. 23E não o ouviram, nem inclinaram o seu ouvido: Mas endureceram a sua cerviz para me não ouvirem, nem receberem a correção. 24E acontecerá isto: Se me escutardes, diz o Senhor, de sorte que não metais cargas pelas portas desta cidade no dia do sábado: E se santificardes o dia do sábado: E sem fazer nêle obra alguma servil: 25Entrarão pelas portas desta cidade reis e príncipes, que se assentarão sôbre o trono de Davi, e subirão sobre coches e cavalos, êles e os seus príncipes, os varões de Judá, e os moradores de Jerusalém: E será para sempre povoada esta cidade. 26E virão das cidades de Judá, e dos contornos de Jerusalém, e da terra de Benjamim, e das planícies, e dos montes, e do Meio-dia, trazendo holocaustos, e vítimas, e sacrifícios, e incenso, e meterão oferendas na Casa do Senhor. 27Mas se vós me não escutardes de sorte que santi-fiqueis o dia do sábado, e não tragais cargas, nem as metais pelas portas de Jerusalém no dia do sábado, acenderei fogo nas portas dela, e devorará as casas de Jerusalém e não se apagará.