Jeremias 18
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Palavra, que foi dirigida pelo Senhor a Jeremias, a qual dizia: 2Levanta-te, e vai à casa do oleiro, e lá ouvirás as minhas palavras. 3E fui à casa do oleiro, e eis-que êle estava fazendo a sua obra sôbre a roda. 4E quebrou-se a vasilha que êle estava fazendo do barro cem as suas mãos: E tornando de novo, fêz dêle outra vasilha, coro bem lhe tinha parecido em seus olhos fazê-la. 5E me foi dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 6Acaso não poderei eu fazer de vós, casa de Israel, como êste oleiro? diz o Senhor. Vêde que como o barro está na mão do oleiro, assim vós estais na minha mão, casa de Israel. 7De repente falarei contra uma gente e contra um reino, para desarraigá-lo, e destruí-lo, e arruiná-lo. 8Se aquela gente se arrepender do seu mal, de que eu a tenho repreendido: Também eu me arrependerei do mal, que tenho pensado fazer contra ela. 9E subitamente falarei da gente e do reino, para estabelecê-lo e plantá-lo. 10Se fizer o mal ante os meus olhos, de maneira que não escute a minha voz: Arrepender-me-ei do bem, que disse lhe faria. 11Pois agora fala ao varão de Judá, e aos moradores de Jerusalém, dizendo: Isto diz o Senhor: Eis-aqui estou eu forjando mal contra vós, e concebendo contra vós certo pensamento: Volte cada um do seu mau caminho, e dirigi vós os vossos caminhos, e os vossos afetos. 12Os quais disseram: Já disso temos perdido a esperança: E assim iremos após de nossos pensamentos, e seguiremos cada. um de nós a pravidade do seu mau coração. 13Portanto isto diz o Senhor: Perguntai às nações: Quem ouviu o excesso de coisas tão horríveis, como fêz a virgem de Israel? 14Acaso abandonará o atalho do campo? A neve do Líbano? Ou podem ser esgotadas as águas que saem frias, e que correm? 15Porque o meu povo se tem esquecido de mim, oferecendo vãs libações, e tropeçando nos seus caminhos, e nas veredas do século, para andarem por elas em caminho não trilhado: 16Para que a terra dêles se tornasse em desolação, e numa vaia perpétua: Todo o que passar por ela ficará espantado, e meneará a sua cabeça. 17Porque eu os espalharei diante do seu inimigo, como um vento abrasador. Mostrar-lhes-ei as costas, e não a face no dia do seu estrago. 18E disseram: Vinde, e formeinos pensamentos contra Jeremias: Porque não perecerá a lei por falta do sacerdote, nem o conselho de sábio, nem a palavra de profeta: Vinde, e firamo-lo com a língua, e não aten-damos a nenhum dos seus discursos. 19Põe, Senhor, os teus olhos em mim, e ouve a. voz dos meus adversários. 20Acaso assim se torna mal por bem, pois que já tem aberto cova à minha alma? Lembra-te que eu me apresentei na tua presença para falar bem por eles, e para apartar dêles a tua indignação. 21Por isso entrega tu seus filhos à fome, e faze-os passar pelo fio da espada: As suas mulheres fiquem sem filhos, e viúvas: E os maridos delas sejam emprêgo de feridas de morte: Os mancebos dêles sejam atravessados com a espada na peleja. 22Seja ouvido o clamor vindo das casas deles: Porque trarás de repente sôbre êlcs o ladrão: Porquanto abriram uma cova para me prenderem, e esconderam laços aos meus pés. 23Mas tu, Senhor, sabes todo o desígnio dêles contra mim para matar-me: Não lhes perdoes a sua maldade, e o seu pecado não se apague de diante da tua face: Caiam de repente na tua presença, trata-os com severi-' dade no tempo do teu furor.