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Jeremias 20

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1E Fassur, filho de Emer, sacerdote, que havia sido nomeado Prefeito da casa do Senhor, ouviu a Jeremias profetizando estas palavras. 2E feriu Fassur ao profeta Jeremias, e o meteu no cepo, que estava na porta de Benjamim, a de cima, na casa do Senhor. 3E ao outro dia logo que amanheceu, tirou Fasstitf a Jeremias do cepo: E Jeremias lhe disse: O Senhor não chamou o teu nome Fassur, mas Pavor de tôda a parte. 4Porque isto diz o Senhor: Eis-aí te encherei eu de espanto, a ti, e a todos os teus amigos: E cairão à espada de seus inimigos, e os teus olhos o verão: E a todo o Judá porei na mão do rei de Babilônia: E os passará a Babilônia, e mata-los-á à espada. 5E entregarei todo o cabedal desta cidade, e todo o seu trabalho e todo o precioso, e todos os tesouros dos reis de Judá, tudo porei nas mãos de seus inimigos: E os saquearão, e tomarão, e levá-los-ão a Babilônia. 6E tu, Fassur, e todos os moradores da tua casa ireis para o cativeiro: E irás a Babilônia, e ali morre-tás, e ali serás enterrado tu, é todos os teus amigos, a quem profetizaste a mentira. 7Tu me seduziste, Senhor, e eu fui seduzido: Fôste mais forte do que eu, e pudeste mais: Fiquei sendo um objeto de escárnio todo o dia, todos me insultam. 8Porque há já muito tempo que falo, gritando contra a iniquidade, e anunciando com repetidos clamores a ruína: E tornou-se-me a palavra do Senhor em opróbrio, e em ludíbrio todo o dia. 9E disse eu: Não me lembrarei dêle, nem falarei mais em seu nome: E se ateou no meu coração um como fogo abrasador, e reconcentrado nos meus ossos: E desfaleci, não o podendo suportar. 10Porque ouvi as afrontas de muitos, e ameaças ao redor: Persegui-o, e persigamo-lo: Esta voz saia dentre todos os varões que viviam em paz comigo, e que guardavam o meu lado: A ver se de algum modo se pode surpreender, e prevaleçainos contra êle, e cheguemo-nos a vingar dêle. 11Mas o Senhor está comigo como um forte guerreiro: Por isso os que me perseguem, cairão e ficarão desfalecidos: les em grande maneira serão confundidos porque não compreenderam o opróbrio eterno que nunca se apagará. 12E tu, Senhor dos exércitos, que provas o justo, que penetras os afetos e o coração: Rogo-te que veja eu a tua vingança contra êles: Pois eu te descobri a minha causa. 13Cantai cânticos ao Senhor, louvai ao Senhor: Porque livrou a alma do pobre da mão dos malvados. 14Maldito seja o dia em que nasci: O dia em que minha mãe me deu à luz não seja bendito. 15Maldito seja o homem que levou a nova a meu pai, dizendo: Nasceu-te um filho macho: E que julgou que com isto lhe dava motivo de se alegrar. 16Seja êste homem como são as cidades, que o Senhor destruiu, e não se arrependeu: Ouça gritos de manhã, e uivos no tempo do meio-dia: 17Porque êle me não matou antes de sair do ventre materno: A fim de que minha mãe fôsse o meu sepulcro, e nunca houvesse saído do seu ventre. 18Por que saí eu do seio materno, para ver trabalho e dor, e consumirem-se os meus dias na confusão?

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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