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Jeremias 23

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Ai dos pastôres, que perdem e que despedaçam a grei da minha pastagem, diz o Senhor. 2Portanto isto diz o Senhor Deus de Israel aos pastôres que apascentam o meu povo: Vós desarran-jastes a minha grei, e os afugentastes, e não os visitastes: Eis-aqui estou eu que irei com a minha visita sôbre vós, para castigar a malícia de vossos desígnios, diz o Senhor. 3E eu ajuntarei as relíquias da minha grei de tôdas as terras, aonde eu para ali os tiver lançado: E os farei voltar aos seus campos: E elas crescerão e se multiplicarão. 4E levantarei sôbre eles pastôres, que os apascentarão: Dali em diante não terão mêdo, nem se até-morizarão: E do seu número não faltará nenhum, diz o Senhor. 5Eis-aí vêm os dias, diz o Senhor: E eu suscitarei a Davi, um germe justo: E reinará um rei, que será sábio: E obrará segundo a equidade e justiça na terra. 6Naqueles dias será salvo Judá, e Israel habitará sem temor: E êste é o nome que lhe chamarão, o Senhor nosso justo. 7Por esta causa eis-aí vêm os dias, diz o Senhor, e não dirão jamais: Vive o Senhor que tirou os filhos de Israel da terra do Egito: 8Mas sim: Vive o Senhor, que tirou e trouxe a linhagem da casa de Israel da terra do Aquilão, e de tôdas as terras, onde eu para ali os tinha lançado: E habitarão na sua terra. 9Aos profetas: O meu coração está feito em pedaços dentro de mim mesmo, todos os meus ossos se abalaram: Eu estou feito como um homem ébrio, e como um homem cheio de vinho, contemplando a face do Senhor, e à vista das suas santas palavras. 10Porque a terra está cheia de adúlteros, porque a terra chorou à. vista da maldição, secaram-se os campos do deserto: A carreira dêles se tem feito má, e a fortaleza dêles dissemelhante. 11Porque o Profeta e o sacerdote se corromperam: E na minha casa achei os males que êles lá cometeram, diz o Senhor. 12Por isso o seu caminho será como um caminho escorregadio nas trevas: Porque serão impelidos, e cairão nêle: Porque farei vir sôbre êles males o ano da sua visitação, diz o Senhor. 13E nos profetas de Samaria vi extravagância: Profetizavam em nome de Baal, e seduziam o meu povo de Israel. 14E nos profetas de Jerusalém vi semelhança de adúlteros, e caminho de mentira: E fortificaram as mãos dos malvadíssimos, para que se não convertesse cada um da sua malícia: Tem-se tornado todos para mim como Sodoma, e os moradores dela como Gomorra. 15Portanto isto diz o Senhor dos exércitos aos profetas: Eis-aqui estou eu que os alimentarei com losna, e lhes darei a beber fel: Porque dos profetas de Jerusalém se derramou, a contaminação.sôbre tôda a terra. 16Isto diz o Senhor dos exércitos: Não queirais ouvir as palavras dos profetas, que vos profetizam, e vos enganam: Falam as visões do seu coração, não da, bôca do Senhor. 17Dizem àqueles que me blasfemam: O Senhor o disse: Vós tereis a paz: E a todos aquêles que andam na pravidade do seu coração, disseram: Não virá sôbre vós mal. 18Mas qual dêles assistiu ao conselho do Senhor, e viu e ouviu a sua palavra? Quem considerou a sua palavra e a ouviu?. 19Eis-aí sairá fora o redemoinho da indignação do Senhor, e a tempestade que descarrega: Tudo virá sobre a cabeça dos ímpios.; 20Não retrocederá o furor do Senhor até que efe-tue, e até que cumpra o desígnio do seu coração: Nos últimos dias entendereis o seu conselho. 21Eu não enviava êstes profetas, e êles corriam: Não lhes falava nada, e êles profetizavam. 22Se tivessem assistido ao meu conselho, e tivessem feito saber as minhas palavras ao meu povo: Eu os tivera certamente desviado do seu mau caminho, e dos seus tão depravados pensamentos. 23Acaso cuidas que sou eu Deus de perto? diz o Senhor. E não Deus de longe? 24Poderá acaso ocultar-se algum em lugares reti-rados: E não no verei eu? diz o Senhor. Porventura não encho eu o céu e a terra? diz o Senhor. 25Tenho ouvido o que disseram os profetas, que em meu nome profetizam a mentira, e dizem: Sonhei, tenho sonhado. 26Até quando se achará isto no coração dos profetas que vaticinam a mentira, e que profetizam as sedu-ções do seu coração? 27Os quais querem fazer que o meu povo se esqueça do meu nome pelos sonhos dêles, que cada um conta ao seu vizinho: Assim como os pais dêles se esqueceram do meu nome por causa de Baal. 28O profeta, que tem um sonho, conte o seu sonho: E o que tem a minha palavra, anuncie a minha palavra verdadeiramente: Que comparação há entre a palha e o trigo? diz o Senhor. 29Acaso não são as minhas palavras como um fogo, diz o Senhor E como um martelo que quebra a pedra? 30Por esta causa eis-aqui venho eu aos profetas, diz o Senhor: Que furtam as minhas palavras cada um ao seu vizinho. 31Eis-me aqui contra os profetas, diz o Senhor: Que forjam sua linguagem, e pronunciam, diz o Senhor. 32Eis-me aqui contra os profetas que sonham a mentira, diz o Senhor: Que as referiram, e enganaram ao meu povo com a sua mentira, e com os seus milagres: Não os havendo eu enviado, nem dado ordem alguma a êsses que nada aproveitaram a êste povo, diz o Senhor. 33Pois se te perguntar êste povo, ou o profeta, ou o sacerdote, dizendo: Qual é o pêso do Senhor? lhes dirás: Vós sois o pêso: Porque eu vos hei de arrojar, diz o Senhor. 34E o profeta, e o sacerdote, e o povo. que diz: Pêso do Senhor: Eu farei visita sôbre aquêle varão e sôbre a sua casa. 35Isto direis cada um a seu vizinho, e a seu irmão: Que respondeu o Senhor? E que falou o Senhor?: 36E não se mencionará mais o pêso do Senhor: Porquanto a cada um será pêso a sua palavra: Porque transtornastes as palavras do Deus vivente, do Senhor dos exércitos nosso Deus. 37Isso dirás ao profeta: Que te respondeu o Senhor? E que falou o Senhor? 38E se disserdes: Pêso do Senhor: Por isso assim diz o Senhor: Porque dissestes esta palavra: Pêso do Senhor: E vos enviei a dizer: Não digais: Pêso do Senhor. 39Portanto eis-aí vos tomarei eu para levar-vos, e vos abandonarei longe da minha presença a vós, e à cidade que vos dei, e a vossos pais. 40Entregar-vos-ei a um opróbrio sempiterno e a uma eterna ignomínia, que nunca se apagará da memória.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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