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Jeremias 22

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Isto diz o Senhor: Vai à casa do rei de Judá, e lhe falarás aí por êstes têrmos, 2e dirás: Ouve a palavra do Senhor, ó rei de Judá, que te assentas sôbre o trono de Davi tu, e os teus servos, e o teu povo, que entrais por estas portas. 3Isto diz o Senhor: Julgai com retidão e justiça, e livrai da mão do calúniador ao oprimido violentamente: E não contristeis ao estrangeiro, nem ao órfão nem à viúva, nem os aperteis injustamente: Nem derrameis sangue inocente neste lugar. 4Porque se verdadeiramente obrardes conforme a isto que vos digo: Entrarão pelas portas desta casa reis da linhagem de Davi, que se assentarão sôbre o seu trono, e montarão em carros e em cavalos, eles e os seus servos, e o povo dêles. 5Mas se não ouvirdes estas palavras, por mim mesmo tenho jurado, diz o Senhor, que em ermo será tornada esta casa. 6Porque isto diz o Senhor sôbre a casa do rei de Judá: Galaad, tu és para mim a cabeça do Líbano: Juro que te reduzirei a ermo, as tuas cidades inabitáveis. 7E consagrarei sôbre ti ao varão matador, e as suas armas: E cortarão os teus cedros escolhidos, e os arrojarão ao fogo, 8E passarão muitas gentes por esta cidade: E dirá cada um ao seu vizinho: Por que se houve Deus assim com esta grande cidade? 9E responderão: É porque abandonaram a aliança do Senhor seu Deus, e adoraram a deuses estranhos, e os serviram. 10Não choreis ao morto, nem tomeis dó por êle: Chorai aquêle que sai, porque não voltará mais, nem verá a terra onde nasceu. 11Porque isto diz o Senhor a Selum, filho de Josias, rei de Judá, que reinou por seu pai Josias, que saiu dêste lugar. Não tornará cá mais: 12Porém no lugar, para onde o transfcri, ali morrerá, e não verá esta terra jamais. 13Ai daquele que edifica a sua casa na injustiça: E as suas grandes salas não em equidade: Ao seu amigo oprimirá sem causa, e não lhe pagará o seu salário. 14Que diz: Edificarei para mim uma casa espa-cosa, e magníficos salões: O que se abre janelas, e faz tetos de cedro, e os pinta de sinopla. 15Porventura reinarás tu, pois que te comparas ao cedro? Acaso teu pai não comeu e bebeu, e praticou a equidade e justiça então quando tudo lhe sucedia bem? 16Julgou a causa do pobre e do indigente para bem seu: E não foi isto por que êle me conheceu? diz o Senhor. 17Mas os teus olhos e coração se dirigem à avareza, e a derramar sangue inocente, e à calúnia, e à carreira da obra má. 18Porquanto isto diz o Senhor a Joaquim, filho de Josias, rei de Judá: Não o lamentarão: Ai irmão! e ai irmã! Não farão retinir a seu respeito estas vozes: Ai, Senhor! e ai esclarecido! 19A sua sepultura será como a do asno, apodrecerá e será lançado fora das portas de Jerusalém. 20Sobe ao Líbano, e clama: E em Basan levanta a tua voz, e grita aos que passam, porque todos os teus amadores estão despedaçados. 21Na tua abundância te tenho falado: E disseste: Não ouvirei: Êste é o teu caminho desde a tua mocidade, porque não ouviste a minha voz. 22A todos os teus pastôres alimentará o vento, e os teus amadores irão para o cativeiro: E então serás confundida, e te envergonharás de tôda a tua malícia. 23Tu que tens o teu assento no Líbano, e fazes o teu ninho nos seus cedros, como gemeste quando te vieram as dores, como dores da que está de parto? 24Vivo eu, diz o Senhor: Que ainda que Jeconias, filho de Joaquim, rei de Judá, fôsse um anel na minha mão direita, eu o arrancaria dela. 25E te entregarei na mão dos que procuram a tua alma, e na mão daqueles, cuja vista te causa espanto, e na mão de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e na mão dos caldeus. 26E enviar-te-ei a ti, e a tua mãe que te gerou, a uma terra estranha, em que não haveis nascido, e ali morrereis: 27E à terra, à qual êles levantam o seu coração para tornarem lá: Não tornarão. 28Acaso Jeconias, êste homem tão distinto, é algum vaso de terra já quebrado? Acaso é êle um vaso que a ninguém agrada? Por que têm sido lançados, êle e sua linhagem, e arrojados para uma terra que não conheceram? 29Terra, terra, terra, ouve as palavras do Senhor. 30Isto diz o Senhor: Escreve, que êste homem será estéril, homem a quem nos seus dias nada lhe sucederá bem: Pois não sairá da sua linhagem varão como se assente sobre o trono de Davi, e que daqui em diante tenha poder soberano em Judá.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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