Jeremias 31
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Naquele tempo, diz o Senhor: Eu serei o Deus de tôdas as famílias de Israel, e êles mesmos serão o meu povo. 2Isto diz o Senhor: O povo, que tinha escapado da espada, achou graça no deserto: Israel irá para o seu descanso. 3De longe se me deixou ver o Senhor. E com amor eterno te amei, por isso compadecido de ti, te atrai a mim. 4E de novo te edificarei, e serás edificada, virgem de Israel: Ainda serás adornada dos teus atabales, e sairás acompanhada dos coros dos que dançam. 5Ainda plantarás vinhas nos montes de Samaria: Plantarão os plantadores, e enquanto não chegar o tempo, não vindimarão: 6Porque virá um" dia, em que os guardas gritarão no monte de Efraim: Levantai-vos e subamos a Sião ao Senhor nosso Deus. 7Porque isto diz o Senhor: Regozijai-vos com júbilo por amor de Jacó, e dai relinchos à frente das gentes: Fazei ressoar tudo, e cantai, e dizei: Salva, Senhor, ao teu povo, as relíquias de Israel. 8Eis-aqui estou eu que os trarei da terra do Aquilão, e os congregarei das extremidades da terra; o cego e o coxo, a mulher prenhe e a de parto estarão entre eles de companhia, sendo êste um grande tropel dos que tornarem para aqui. 9Com chôro virão: Mas com misericórdia os tornarei a trazer: E os trarei por arroios de águas em caminho direito, e não tropeçarão nele: Porque eu estou feito pai de Israel, e Efraim é o meu primogênito. 10Ouvi, gentes, a palavra do Senhor, e anunciai-a às Ilhas, que estão ao longe, e dizei: O que espalhou a Israel o congregará: E guardá-lo-á como pastor ao seu rebanho. 11Porque o Senhor remiu a Jacó, e o livrou da mão do mais poderoso. 12E virão, e darão louvor no monte de Sião: E correrão aos bens do Senhor, ao trigo, e ao vinho, e ao azeite, e às crias das ovelhas e das vacas: E será a alma dêles como enxido de regadio e não terão mais fome. 13Então se alegrará a virgem na dança, os mancebos e os velhos juntamente: E trocarei o seu pranto em gôzo, e os consolarei, e regozijarei passada a sua dor. 14E embriagarei de gordura a alma dos sacerdotes: E o meu povo será cheio dos meus bens, diz o Senhor. 15Isto diz o Senhor: Foi ouvida no alto uma voz da lamentação, do pranto, e do chôro de Raquel, que chorava seus filhos, e não queria ser consolada acêrca dêles, porque não existiam. 16Isto diz o Senhor: Cesse já do chôro a tua voz, e de verterem lágrimas os teus olhos: Porque recompensa há para a tua obra, diz o Senhor: E êles voltarão da terra do inimigo. 17As tuas esperanças enfim serão cumpridas, diz o Senhor: E voltarão teus filhos para os seus limites. 18Tenho ouvido atentamente a Efraim, quando ia para o cativeiro, dizendo: Castigaste-me, e tenho sido ensinado, como novilho ainda não domado: Converte-me, e converter-me-ei: Porque tu és o Senhor meu Deus. 19Porque depois que me converteste, fiz penitência: E depois que me abriste os olhos, feri a minha coxa. Eu fiquei confuso, e me envergonhei, porque suportei o opróbrio da minha mocidade. 20Efraim verdadeiramente é para mim filho honrado, sim filho da minha ternura: Pois desde que falei dele, ainda me lembrarei dele. Por isso se comoveram as minhas entranhas por êle: Compadecido eu terei misericórdia dele, diz o Senhor. 21Faze-te uma atalaia, põe diante de ti amarguras: Dirige o teu coração ao caminho direito, em que andaste: Volta, virgem de Israel, volta a essas tuas cidades. 22Até quando te debilitarão as delícias, filha vagabunda? porque o Senhor criou um novo prodígio sôbre a terra: Uma mulher cercará a um varão. 23Isto diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Ainda dirão esta palavra na terra de Judá, e nas. suas cidades, quando eu tiver feito voltar os cativos dêles: O Senhor te abençoe, ó formosura da justiça, O monte santo! 24E habitarão nele Judá, e tôdas as suas cidades Juntamente: Os lavradores e os que pastoreiam os rebanhos. 25Porque eu embriaguei a alma frouxa, e fartei a tôda a alma faminta. 26Por isso eu espertei como dum sono: E vi, e O meu sono foi doce para mim. 27Eis-aí vêm os dias, diz o Senhor: E eu semearei a casa de Israel e a casa de Judá de semente de homens, e de semente de animais. 28E assim como vigiei sôbre êles para desarrai-gar, e demolir, e dissipar, e arruinar, e afligir: Do mesmo modo vigiarei sobre êles para edificar, e plantar, diz o Senhor. 29Naqueles dias não dirão mais: Os pais comeram as uvas em agraço, e os dentes dos filhos são os que ficaram botos. 30Mas cada um morrerá na sua iniquidade: Todo o homem, que comer uvas em agraço, a êsse é que lhe ficarão botos os dentes. 31Eis-aí, virão os dias, diz o Senhor: E farei nova aliança com a casa de Israel, e com a casa de Judá: 32Não segundo o pacto, que eu fiz com seus pais no dia em que eu os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito:Pacto, que êles invalidaram, e eu mostrei o meu poder sôbre. êles, diz o Senhor. 33Mas esta será a aliança, que farei com a casa de Israel: Depois daqueles dias, diz o Senhor: Impri-mirei a minha lei nas suas entranhas, e a escreverei nos seus corações: E eu lhes serei o seu Deus, e êles me serão o meu povo. 34E.não ensinará daí em diante varão ao seu próximo, nem varão ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor: Porque todos me conhecerão desde o mais pequeno dêles até ao maior, diz o Senhor: Porque perdoarei a maldade dêles, e não me lembrarei mais do seu pecado. 35Isto diz o Senhor, que dá o sol para a luz do dia, a ordem da lua e das estrêlas para a luz da noite: O que turba o mar, e logo soam as suas ondas, o Senhor dos exércitos é o seu nome. 36Se faltarem estas leis diante de mim, diz o Senhor: Então faltará também a linhagem de Israel, para que não haja gente diante de mim todos os dias. 37Isto diz o Senhor: Se puderem ser medidos os céus para cima, e sondarem-se os fundamentos da terra para baixo: Eu também abandonarei a tôda a linhagem de Israel por tôdas as coisas que fizeram, diz o Senhor 38Eis-aí vêm os dias, diz o Senhor: E será edificada pelo Senhor a cidade desde a tôrre de Hananeel até à porta do ângulo. 39E estender-se-á mais adiante o cordei da medida à sua vista sôbre o outeiro de Gareb: E dará volta a Goata, 40e a todo o vale dos cadáveres, e da cinza, e a tôda a região da morte, até à torrente de Cedron, e até ao ângulo da porta dos cavalos, que está ao Oriente, o Santuário do Senhor: Não será arrancado êle, nem destruído dali por diante para sempre.