Jeremias 32
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Palavra que pelo Senhor foi dirigida a Jeremias no décimo ano de Sedecias, rei de Judá: Êste é o ano décimo oitavo de Nabucodonosor. 2Cercava então o exército do rei de Babilônia a Jerusalém: E o profeta Jeremias estava recluso no átrio do cárcere, que havia na casa do rei de Judá. 3Porque Sedecias, rei de Judá, o havia encerrado, dizendo: Por que vaticinas, dizendo: Isto diz o Senhor: Eis-aqui estou eu que entregarei esta cidade nas mãos do rei de Babilônia, e êle a tomará? 4E Sedecias, rei de Judá, não escapará da mão dos caldeus: Mas será entregue nas mãos. do rei de Babilônia: E falará com êle bôca a bôca, e os seus olhos verão os olhos dêle. 5E levará a Sedecias para Babilônia: E ali estará até que eu o visite, diz o Senhor:.E se pelejardes contra os caldeus, não tereis bom sucesso. 6E disse Jeremias: Foi-me dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: 7Eis-aí está que teu primo Hanameel, filho de Selum, virá a ti, dizendo: Compra para ti o meu campo, que está em Anatot: Porque te compete a ti o comprá-lo por sêres o mais próximo parente. 8E veio ter comigo Hanameel, filho de meu tio paterno, conforme a palavra do Senhor, ao pátio do cárcere, e me disse: Apossa-te do meu campo, que está em Anatot, em terra de Benjamim: Porque a ti te compete a herança, e tu és o parente mais chegado para possui-ia. E eu entendi que era palavra do Senhor. 9E comprei o campo a Hanameel, filho de meu tio paterno, que está em Anatot: E lhe pesei por êle em prata sete estateres, e dez siclos também de prata. 10E fiz uma escritura, e assinei-a, e chamei testemunhas: E pus o dinheiro em uma balança. 11E tomei a escritura de aquisição, firmada, e as estipulações do contrato, e a ratificação dêle, com os selos por fora. 12E dei a escritura de aquisição a Baruc, filho de Neri, filho de Maasias, à vista de Hanameel, meu primo, à vista das testemunhas, que se haviam assinado na escritura de compra, e à vista de todos os judeus, que estavam assentados no átrio do cárcere. 13E dei ordem a Baruc diante dêles, dizendo: 14Isto diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Toma estas escrituras, esta escritura de compra cerrada, e esta outra escritura, que está aberta: E mete-as numa vasilha de barro, para que se possam conservar muitos dias. 15Porque eis-aqui o que diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Ainda se comprarão casas e campos, e vinhas nesta terra. 16E roguei ao Senhor, depois que entreguei a escritura de aquisição a Baruc, filho de Neri, dizendo: 17Ah! ah! ah! Senhor Deus: Eis-aí está que tu fizeste o céu e a terra com o teu grande poder, e com o teu braço estendido: Não haverá coisa alguma que seja difícil para ti: 18Que fazes misericórdia em milhares, e tornas a iniquidade dos pais ao seio de seus filhos depois dêles: O fortíssimo, grande e poderoso, o Senhor dos exércitos é o teu nome. 19Grande em conselho, e incompreensível no pensamento, cujos olhos estão abertos sôbre todos os ca-aminhos dos filhos de Adão, para retribuíres a cada um segundo os seus caminhos, e segundo o fruto das invenções do seu capricho. 20Que fizeste sinais e portentos na terra do Egito até o dia de hoje, e em Israel, e entre os homens, e te fizeste um nome qual tu tens neste dia. 21E tiraste o teu povo de Israel da terra do Egito com sinais e com portentos, e com uma mão forte, e com um braço estendido e com terror. 22E lhes deste esta terra, como o juraste aos pais dêles, que lhes darias uma terra, que manasse leite e mel. 23E entraram, e tomaram posse dela: E não obedeceram à tua voz, nem andaram na tua lei, não cumpriram nada de quanto lhes mandaste que fizessem: E lhes aconteceram todos êstes males. 24Eis-aí levantadas estão as máquinas contra a cidade para ser tomada: E a cidade tem sido entregue nas mãos dos caldeus, que combatem contra ela à vista da espada, e da fome, e da peste: E quanto falaste tudo aconteceu, como tu mesmo o estás presenciando. 25E tu, Senhor Deus, me dizes: Compra o campo por dinheiro, e toma testemunhas: havendo sido a cidade entregue nas mãos dos caldeus. 26E foi dirigida a palavra do Senhor a Jeremias, a qual dizia: 27Eis-aqui estou eu que sou o Senhor Deus de tôda a carne: Haverá pois alguma coisa que seja difícil para mim? 28Portanto, isto diz o Senhor: Eis-aqui estou eu que entregarei esta cidade nas mãos dos caldeus, e nas. mãos do rei de Babilônia, e êles a tomarão. 29E virão os caldeus a pelejar contra esta cidade, e lhe -porão fogo, e a queimarão, e as casas, em cujos terraços sacrificavam a Baal, e ofereciam a deuses estranhos libações para me irritarem: 30Porque os filhos de Israel, e os filhos de Judá estavam fazendo incessantemente o mal diante dos meus. olhos desde a sua mocidade: ós filhos de Israel que até agora me irritam com as obras das suas mãos, diz O Senhor. 31Porque esta cidade se me tem feito objeto' do meu furor e da minha indignação, desde o dia em que a edificaram, até êste dia em que será tirada da minha presença. 32Pela maldade dos filhos de Israel, e dos filhos de Judá, que fizeram, provocando-me a ira, êles mesmos e Os seus reis, e os seus príncipes, e os seus sacerdotes, e os seus profetas, os varões de Judá e os moradores de Jerusalém. 33E voltaram-me as costas e não o rosto: Quando os ensinava de madrugada, e os corrigia, e não queriam ouvir para receberem a admoestação. 34E puseram os seus ídolos na casa em que o meu nome foi invocado, para o profanarem, 35E edificaram a Baal os altares que estão no vale do filho de Enom para fazerem sacrifícios de seus. filhos e de suas filhas a Moloc: O que eu lhes não mandei, nem subiu ao meu coração que fizessem esta abominação, nem induzissem o pecado a Judá. 36E agora por amor disto, assim diz o Senhor Deus de Israel a esta cidade, da qual vós dizeis que será entregue nas mãos do rei de Babilônia à espada, e à fome, e à peste. 37Eis-aqui estou eu que os congregarei de tôdas as terras, para onde os lancei no meu furor, e na minha ira, e na minha grande indignação: E os trarei a êste lugar, e farei que habitem. nêle sem temor. 38E serão para mim o meu povo, e eu serei para eles o seu Deus. 39E dar-lhes-ei um coração, e um caminho, para que me temam todos os dias: E lhes vá bem a êles, e a seus filhos depois dêles. 40E farei com êles uma aliança sempiterna, e não deixarei de fazer-lhes bem: E porei o meu temor no coração deles, para que se não apartem de mim. 41E alegrar-me-ei sôbre êles, quando lhes fizer bem a eles: E plantá-los-ei nesta terra em verdade, com todo o meu coração, e com tôda a minha alma. 42Porque isto diz o Senhor: Assim como fiz vir sôbre êste povo todo êste grande mal, assim farei vir sôbre êles todo o bem, que eu lhes anuncio. 43E serão possuídos os campos nesta terra: Da qual vós dizeis que está tôda deserta, por não ter ficado nela nem homem, nem animal, e porque ela foi entregue nas mãos dos caldeus. 44Os campos serão comprados por dinheiro, e re-gistrados em escritura, e pôr-se-lhes-á o selo, e tomar-se-ão testemunhas: Na terra de Benjamim, e nos contornos de Jerusalém, nas cidades de Judá, e nas cidades das montanhas, e nas cidades das planícies, nas cidades que estão ao meio-dia: Porque farei voltar os cativos dêles, diz o Senhor.