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Jeremias 4

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Se tu, Israel, voltares, diz o Senhor, converter-te-ás a mim: Se tu tirares de diante da minha face os teus tropeços, não experimentarás abalo. 2E jurarás: Vive o Senhor, em verdade, e em juízo, e em justiça: E o bendirão as gentes, e lhe darão louvor. 3Porque isto diz o Senhor, ao varão de Judá e de Jerusalém: Arroteai para vós o pousio, e não semeeis sôbre espinhos: 4Circuncidai-vos ao Senhor, e tirai os prepúcios de vossos corações, varões de Judá e habitadores de Jerusalém: Para que não suceda que de repente saia como fogo a minha indignação, e se acenda e não haja quem a apague, tudo por causa da malignidade dos vossos pensamentos. 5Anunciai em Judá e fazei ouvir em Jerusalém: Falai e publicai ao som da trombeta na terra, gritai em alta voz e dizei: Ajuntai-vos todos e entremos nas cidades fortificadas, 6levantai o estandarte em Sião. Esforçai-vos, não estejais parados, porque eu faço vir do Aquilão um mal e uma grande assolação. 7Saiu o leão do seu covil. e levantou-se o roubador das gentes: Saiu do seu país, para reduzir a tua terra a um deserto: As tuas cidades serão destruídas, sem que nelas fique algum habitador. 8Pelo que cobri-vos de cilícios, chorai, e pranteai: Porque se não apartou de nós a ira do furor do Senhor. 9E acontecerá isto naquele dia, diz o Senhor: Desfalecerá o coração do rei e o coração dos príncipes: E pasmarão os sacerdotes e os profetas serão consternados. 10E eu disse: Ai, ai, ai, Senhor Deus. E” possível que enganastes a êste povo e a Jerusalém, dizendo-lhes: Vós tereis paz: E eis agora lhes chega a espada até à alma. 11Naquele tempo dir-se-à a êste povo e a Jerusalém: Um vento abrasador 'assopra nos caminhos que do deserto conduzem à filha do meu povo, não para aventar, nem para limpar. 12Dêstes me virá um vento impetuoso: E eu agora falarei os meus juízos com eles. 13Eis-aí subirá como uma nuvem e como tempestade o seu carro: Mais velozes que águias os seus cavalos: Ai de nós porque somos destruídos. 14Lava, ó Jerusalém, o teu coração de tôda a maldade para que sejas salva: Até quando permanecerão em ti pensamentos pecaminosos? 15Porque uma voz vinda de Dan nos anuncia e faz saber que é chegado o ídolo, que vem do monte de Efraim. 16Dizei às nações: Eis-aí se ouviu dizer em Jerusalém, virem gentes de guerra dima terra remota ce darem o seu brado sôbre as cidades de Judá. 17Puseram-se sôbre ela ao redor, como guardas de campo: Porquanto ela me provocou a ira, diz o Senhor. 18Os teus caminhos e os teus pensamentos te trouxeram estas coisas: Essa tua malícia, porque é amarga, pois chegou até o teu coração. 19Em minhas entranhas, em minhas entranhas sinto dor, os afetos do meu coração se têm turbado em mim: Não me calarei porque a minha alma ouviu a voz da trombeta, um alarido de batalha. 20Tormento sôbre tormento foi chamado e assolada foi tôda a terra: De improviso têm sido destruídas as minhas tendas, subitamente as minhas peles. 21Até quando o verei fugir, ouvirei a voz da buzina? 22Porque o meu néscio não me conheceu: Filhos insensatos são, e sem prudência: Sábios são para fazer -o mal: Mas não souberam fazer o bem. 23Olhei para a terra, e eis-que estava vazia, e era nada: E para os céus, e não havia nêles luz. 24Vi os montes, e eis-que se moviam: E todos os outeiros tremiam. 25Olhei, e não havia homem: E tôdas as aves do céu se haviam retirado. 26Olhei, e eis-que estava deserto o Carmelo: E tôdas as suas cidades foram destruídas na presença do Senhor, e na presença da ira do seu furor. 27Porque isto diz o Senhor: Deserta ficará tôda a terra, porém contudo eu a não destruirei de todo. 28Chorará a terra, e entristecer-se-ão os céus de cima: Porque falei, considerei e não me arrependi nem desisti disso. 29À voz do cavaleiro e do que despede a seta fugiu" tôda a cidade: Entraram pelas asperezas e subiram pelos rochedos: Tôdas as cidades foram geralmente desampa-Tadas e nelas não habita nem um homem. 30E tu devastada que farás? Quando te vestires de púrpura, quando te adornares de colares de ouro e pin-tares os teus olhos com o antimônio, em vão te enfeitarás: Desprezaram-te os teus amantes, buscaram a tua morte. 31Porque ouvi uma como voz de mulher que está de parto, angústias como de puérpera: Voz da filha de Sião que está moribunda, estendendo as suas mãos: Ai de mim que desmaiou a minha alma por causa dos mortos.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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