Jeremias 5
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Dai volta às ruas de Jerusalém, e vêde, e considerai, e andai procurando nas suas praças, a ver se achais um. homem, que faça justiça, e busque a verdade: E eu lhe perdoarei a ela. 2E se até disserem, vive o Senhor: Ainda assim jurarão falso. 3Senhor, os teus olhos olham para a fidelidade: Tu os feriste, e êles o não sentiram: moeste-os a golpes, e êles recusaram aceitar a correção: Endureceram as suas faces mais que uma pedra, e não quiseram voltar. 4Mas eu disse: Talvez são os pobres e insensatos os que ignoram o caminho do Senhor, o juízo do seu Deus. 5Irei ter pois com os grandes, e falar-lhes-ei: Porque êstes conheceram o caminho do Senhor, o juízo do seu Deus: E eis-aqui está que êstes juntos quebraram mais o jugo, romperam as prisões. 6Por isso o leão do bosque os feriu, o. lôbo de noite os destruiu, o leopardo andou vigilante sôbre as suas cidades: Todo aquêle, que deles sair, será prêso: Porque se têm multiplicado as suas prevaricações, têm-se endurecido as suas apostasias. 7Sôbre que te poderei eu ser propício? teus filhos me abandonaram. e juram por aquêles que não são deuses: Fartei-os, e adulteraram, e satisfaziam a sua paixão em casa de meretriz. 8Tornaram-se cavalos de lançamento, quando estão no maior ardor: Cada um rinchava à mulher do seu próximo. 9Pois não hei de castigar eu estas coisas? diz o Senhor, e numa gente como esta não se há de vingar a minha alma? 10Escalai os seus muros e derribai-os, mas não a acabeis de todo: Extingui-lhes os troncos das suas famílias, porque não são do Senhor. 11Porque tem com prevaricação prevaricado contra mim a casa de Israel, e a casa de Judá, diz o Senhor. 12Negaram ao Senhor, e disseram: Não é êle: Nem virá mal sôbre nós: Não veremos a espada, nem a fome. 13Os profetas falaram ao vento, e não lhes foi dada resposta: Estas coisas pois lhes virão. 14Isto diz o Senhor Deus dos exércitos: Porque haveis proferido esta palavra: Eis-aqui dou eu as minhas palavras na tua bôca por fogo, e a êste povo por lenha, e aquêle os devorará. 15Eis-aqui está que eu trarei sôbre vós uma gente de longe, casa de Israel, diz o Senhor: Uma gente robusta, uma gente antiga, uma gente, cuja língua não saberás, nem entenderás o que ela fala. 16A sua aljava será como um sepulcro aberto, todos êles geralmente serão fortes. 17E ela comerá as tuas searas, e o teu pão: Devorará os teus filhos, e as tuas filhas: Nutrir-se-á dos teus rebanhos, e das tuas vacadas: Comerá as tuas vinhas e as tuas figueiras: E destruirá com o ferro as tuas cidades fortificadas, nas quais tu tens a confiança. 18Com tudo isso, naqueles dias, diz o Senhor, não acabarei duma vez convosco. 19E se disserdes: Por que nos fêz o Senhor nosso Deus tôdas estas coisas? lhes dirás a êles: Assim como me haveis abandonado e haveis servido a um Deus estranho na vossa terra, assim servireis aos estrangeiros em terra não vossa. 20Anunciai isto à casa de Jacó, e fazei-o ouvir em Judá, dizendo: 21Ouve, povo insensato, que não tens coração: Vós, que tendes olhos não vêdes: E que tendes ouvidos, e não escutais. 22Pois que, não me temereis a mim, diz o Senhor: e na minha presença não vos arrependereis? Eu que pus a areia por limite do mar, mandamento perduravel, que não acabará: E levantar-se-ão as suas ondas, e não prevalecerão: E empolar-se-ão e não passarão fora das suas balizas: 23Mas a êste povo se lhe tem feito o seu coração incrédulo e rebelde, êles se apartaram e apostataram. 24E não disseram no seu coração: temamos o Senhor nosso Deus, que nos dá a seus tempos a chuva do cedo e do tarde: Conservando-nos a fértil abundância duma anual colheita. 25As vossas iniquidades desviaram estas coisas: E os vossos pecados apartaram de vós o bem: 26Porque no meu povo se acharam ímpios, que armavam ciladas, como os caçadores de aves, pondo laços e rêdes, para apanhar os homens. 27Como gaiola cheia de aves, assim são as suas casas cheias de dolo: Por isso se têm engrandecido e enriquecido. 28Engordaram e engrossaram: E transgrediram as minhas palavras perversissimamente. Não julgaram a caúsa da viúva, não encaminharam a causa do órfão, nem fizeram justiça aos pobres. 29Acaso não punirei eu êstes excessos? diz o Senhor, ou duma gente como esta não se vingará a minha alma? 30Coisas espantosas e estranhas se têm feito na terra: 31Os profetas profetizavam a mentira, e os sacerdotes os aplaudiam com as suas mãos: E o meu povo amou essas coisas: Que castigo não virá pois sobre esta gente no seu último fim?