Jeremias 48
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Isto diz a Moab o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Ai de Nabo, porque foi devastada, e confundida: Cariataim foi tomada: A forte se confundiu e tremeu. 2Não há mais alegria em Moab contra Hesebon: Pensaram mal. Vinde, e acabemos com ela dentre as gentes: Pois calando emudecerás, e a espada te irá seguindo. 3Uma voz de tumulto se levantou de Oronaim: Um estrago, e ruína grande. 4Arruinada ficou Moab: Ensinai lamentos aos seus pequeninos. 5Porque pela subida de Luit chorando subirá com gemidos: E na descida de Oronaim ouviram os inimigos um alarido de estrago: 6Fugi, salvai as vossas almas: E sereis como tamargueiras no deserto. 7Pelo motivo pois de haveres pôsto a confiança nas tuas fortificações, e nos teus tesouros, também tu serás tomada: E irá Camos para o cativeiro, juntamente os seus sacerdotes, e os seus príncipes. 8E virá o roubador a tôdas as cidades, e nenhuma cidade escapará: E perecerão os vales, e serão taladas as campinas: Porque o Senhor o disse: 9Dai flores a Moab, porque florescente será transportado: E as suas cidades ficarão desertas, e despovoadas. 10Maldito o que faz a obra do Senhor com dolo: E maldito o que veda a sua espada do sangue. 11Em abundância estêve Moab desde a sua mocidade, e repousou nas suas fezes: Nem foi trasfegado de vasilha em vasilha, nem foi para o cativeiro: Por isso permaneceu o seu sabor nêle, e o seu cheiro não se mudou. 12Por esta causa eis-aí vêm os dias, diz o Senhor: E enviar-lhe-ei trasfegadores, e que ponham em ordem as suas tinas, e o trasfegarão, e despejarão as suas vasilhas, e quebrarão as suas tinas. 13E será afrontado Moab por causa de Camos, como foi afrontada a casa de Israel por Betel, na qual tinha a sua confiança. 14Como dizeis: Valentes somos, e homens fortes para pelejar? 15Destruído ficou Moab, e talaram as suas cidades: E os seus mancebos escolhidos desceram ao degoladouro: Diz o rei, cujo nome é o Senhor dos exércitos. 16A ponto está de chegar a destruição de Moab: E o seu mal virá correndo com grandíssima velocidade. 17Consolai-o todos os que estais na sua comarca, e todos os que sabeis o seu nome, dizei: Como se fêz em pedaços a vara forte, o báculo glorioso? 18Desce da glória, assenta-te em sêco, morada da filha de Dibon: Porque o devastador de Moab subiu a ti, destruiu as tuas fortificações. 19Pára no caminho, e olha, morada de Aroer: Pergunta ao que foge: E dize ao que escapou: Que aconteceu? 20Confundido foi Moab, porque ficou vencido: Uivai e gritai, publicai em Arnon, que Moab foi destruída. 21E a vingança veio sobre a terra campestre: Sôbre Helon e sôbre Jasa, e sôbre Mefaat, 22e sôbre Dibon, e sobre Nabo, e sôbre a casa de Deblataim, 23e sôbre Cariataim, e sôbre Betgamul, e sôbre Betmaon, 24e sôbre Cariot, e sôbre Bosra: E sôbre tôdas as cidades da terra de Moab, as que demoram ao longe, e as que perto. 25Cortado foi o poder de Moab, e o seu braço tem sido quebrantado, diz o Senhor. 26Embriagai-o, porque se levantou contra o Senhor: E lastimará Moab a sua mão no seu vômito, e êle será também objeto de ludíbrio: 27Porque tu escarneceste a Israel: Como se o tiveras achado entre ladrões: E assim tu serás levado cativo pelas tuas palavras, que tens falado contra êle. 28Desamparai as cidades, moradores de Moab, vivei nos penhascos: E sêde como a pomba, que faz o ninho no mais alto da bôca da gruta. 29Ouvimos a soberba de Moab, que é soberbo em extremo: À sua inchação, e a arrogância, e soberba, e altivez do seu coração. 30Eu sei, diz o Senhor, a sua jactância: E que não é conforme a ela o seu valor, nem os seus esforços têm sido conforme ao que podia fazer. 31Portanto gemerei sôbre Moab, e darei gritos por tôda Moab, aos varões do muro de ladrilho, que se estão lamentando. 32Com o pranto de Jazer chorarei por ti, vinha de Sabama: As tuas vides passaram o mar, até ao mar de Jazer chegaram: O roubador se lançou sôbre as tuas searas, e a tua vindima. 33A alegria e o regozijo se têm desterrado do Carmelo e da terra de Moab, e eu tirei o vinho dos lagares: O pisador da uva não cantará já o seu costumado celeuma. 34Com o clamor de Hesebon até Eleale, e Jasa, levantaram a sua voz: Desde Segor até Oronaim, como bezerra de três anos: As mesmas águas de Nemrim serão mui nocivas. 35E tirarei de Moab, diz o Senhor, ao que faz oferendas nos altos, e sacrifica aos seus deuses. 36Portanto o meu coração por causa de Moab ressoará como frauta: E o meu coração dará um sonido de frautas sôbre os varões do muro de ladrilho: Porque fêz mais do que pôde, por isso pereceram. 37Porque tôda a cabeça ficará calva, e tôda a barba será rapada: Em tôdas as mãos se acharão algemas, e sobre todo o espinhaço cilício. 38Sôbre tôdas as casas de Moab, e nas suas praças ouvir-se-á todo o pranto: Porquanto fiz a Moab em pedaços, como o vaso inútil, diz o Senhor. 39Como foi vencida, e deram uivos? Como abaixou Moab a cerviz, e ficou envergonhado? E será Moab objeto de ludiíbrio, e de escarmento a todos os da sua comarca. 40Isto diz o Senhor: Eis-aqui o que como águia voará, estenderá as suas asas a Moab. 41Tomada foi Cariot, e os inimigos se têm apoderado dos seus baluartes: E será o coração dos fortes de Moab naquele dia, como o coração da mulher que está com dores de parto. 42E deixará Moab de ser povo: Porque se gloriou contra o Senhor. 43O espanto, e o fôsso, e o laço está sôbre ti, O morador de Moab, diz o Senhor. 44O que fugir da face do espanto, cairá no fôsso: E o que sair do fôsso, será apanhado no laço: Porque trarei sôbre Moab o ano da visitação dêles, diz o Senhor. 45À sombra de Hesebon fizeram alto os que fugiam do laço: Porque o fogo saiu de Hesebon, e a labareda do meio de Seon, e devorará parte de Moab e a altura dos filhos do tumulto. 46Ai de ti, Moab, pereceste, O povo de Camos: Porque presos foram teus filhos, e tuas filhas para o cativeiro. 47E farei voltar os cativos de Moab, nos últimos dias, diz o Senhor. Até aqui os juízos contra Moab.