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Jeremias 49

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Para os filhos de Amon. Isto diz o Senhor: Acaso” não tem filhos Israel? Ou êle não tem herdeiro? Por que razão logo se apoderou Melcom de Gad, como por herança: E o seu povo morou nas cidades desta? 2Portanto eis-aí vêm os dias, diz o Senhor: E farei ouvir sôbre Rabat, capital dos filhos de Amon, o estrondo da batalha, e será reduzida pela sua ruína. a um montão de pedras, e as suas filhas arderão em fogo, e Israel se fará senhor dos que o possuem, diz o Senhor. 3Dá uivos, Hesebon, porque Hai foi assolada: Gritai, filhos de Rabat, cingi-vos de cilícios: Chorai e dai voltas pelos valados: Porque Melcom será levado ao cativeiro, juntamente os seus sacerdotes e os seus príncipes. 4Por que te glorias tu nos vales? Dissipou-se o teu vale, filha delicada, que confiavas nos teus tesouros, e dizias: Quem virá contra mim? 5Eis-aqui estou eu que farei vir sôbre ti o espanto, diz o Senhor Deus dos exércitos, por meio de todos os que estão à roda de ti: E sereis dispersos cada um da vista do outro, e não haverá quem vos recolha na vossa fugida. 6E depois disto farei voltar os cativos dos filhos de Amon, diz o Senhor, 7para a Iduméia. Isto diz o Senhor dos exércitos: Pois que não há jamais sabedoria em Teman? Perdeu-se o conselho de seus filhos, o saber deles se tornou inútil. 8Fugi e voltai as costas, descei às mais profundas cavernas da terra, habitantes de Dedan: Porque eu fiz vir sobre êle a ruína de Esaú, o tempo da sua visitação. 9Se tivessem vindo sôbre ti vindimadores, não haveriam deixado cachos: Se ladrões de noite, teriam roubado quanto lhes bastasse. 10Eu porém patenteei a Esaú, pus às claras o que êle tinha escondido, e não poderá ocultar-se: Destruída foi a sua linhagem, e os seus irmãos, e os seus vizinhos, e não subsistirá mais. 11Deixa os teus pupilos: Eu lhes salvarei a vida: E as tuas viúvas esperarão em mim. 12Porque isto diz o Senhor: Eis-aqui aquêles que não estavam julgados para beberem o cálice, de certo o beberão: E tu serás deixada como inocente? Não serás inocente, mas de certo o beberás. 13Porque por mim mesmo tenho jurado, diz o Senhor, que Bosra existirá para desolação, e para opróbrio, e para deserto, e para maldição: E tôdas as suas cidades ficarão despovoadas para sempre. 14Esta coisa ouvi do Senhor, e um embaixador foi enviado às gentes para lhes dizer: Ajuntai-vos, e vinde contra ela, e levantemo-nos para a batalha: 15Porque eis-aí te pus pequenino entre as gentes, desprezível entre os homens. 16A tua arrogância te enganou, e a soberba do teu coração: Tu que habitas nas concavidades dos rochedos, e forcejas por subir até ao cume do outeiro: Ainda que tenhas pôsto no alto como águia o teu ninho, dali te arrancarei, diz o Senhor. 17E ficará a Iduméia deserta: Todo o que atravessar pelas suas terras, pàsmari, e dará multa vaia à tôdas as suas perdas. 18Assim como foi destruída Sodoma, e Gomorra, e as suas vizinhas, diz o Senhor: Não morará ali varão, nem o povoará filho de homem. 19Aqui está aquele que como leão subirá da soberba do Jordão à grande formosura: Porque eu farei correr subitamente a ela: E quem será o escolhido que porei sobre ela? Porquanto quem há semelhante a mim? E quem me poderá suster? E quem é êste pastor, que ousará resistir à minha face? 20Portanto ouvi o conselho do Senhor, que tomou acêrca de Edon: E os desígnios que êle teve sôbre os moradores de Teman: De certo os arrastarão os zagais da grei, de certo destruirão com êles a sua morada. 21Ao estrondo da sua ruína se comoveu a terra: No mar Roxo foi ouvido o clamor da sua voz. 22Eis-aí subirá como águia, e voará: E estenderá as suas asas sôbre Bosra e o coração dos valentes de Iduméia será, naquele dia, como o coração duma mulher, que está com dores de parto. 23Para Damasco: Envergonhada tem sido Emat, e Arfad: Porque muito má coisa ouviram, perturbados foram no mar: De inquietação não pôde sossegar. 24Desmaiou Damasco, lançou-se a fugir, o tremor a ocupou: À angústia e as dores a tomaram como à que está com dores de parto. 25Como desampararam a cidade louvável, a cidade da alegria? 26Por.isso cairão os seus mancebos nas suas ruas: E todos os homens de armas emudecerão naquele dia, diz o Senhor dos exércitos. 27E acenderei fogo no muro de Damasco, e devorará as muralhas de Benadad. 28Para Cedar, e para os reinos de Asor, que destruiu Nabucodonosor, rei de Babilônia. Isto diz o Senhor: Levantai-vos, e saí a Cedar, e devastai os filhos do Oriente. 29Tomarão as suas tendas, e os seus rebanhos: Tomarão para si as suas peles, e todos os seus móveis, e os seus camelos: E chamarão sôbre eles o terror de tôdas as partes. 30Fugi, ide-vos a tôda a pressa, escondei-vos nas grutas da terra os que morais em Asor, diz o Senhor: Porque Nabucodonosor, rei de Babilônia, tomou conselho contra vós, e formou os desígnios contrários a vós. 31Levantai-vos, e subi à gente pacífica, e que mora sem receio, diz o Senhor, êles não têm portas, nem ferrolhos: Habitam sós. 32E os seus camelos serão metidos a saque, e a multidão dos seus animais servirá para despôjo: E espalharei a todo o vento os que cortam o cabelo em redondo: E de todos os seus confins trarei mortandade sôbre eles, diz o Senhor. 33E Asor ficará para morada de dragões, deserta para sempre: Não permanecerá ali varão, néin a povoará filho de homem. 34Palavra do Senhor, que foi dirigida ao profeta Jeremias contra Elam no princípio do reinado de Sedecias, rei de Judá, a qual dizia: 35Isto diz o Senhor dos exércitos: Eis-aí quebrarei eu o arco de Elam, e o seu grandíssimo poder. 36E farei vir sôbre Elam os quatro ventos das quatro plagas do céu: E os espalharei para todos êstes ventos: E não haverá: nação, onde não cheguem os fugitivos de Elam. 37E farei tremer a Elam diante de seus inimigos, e na presença dos que procuram a sua alma: E farei cair sôbre êles o mal, a ira do meu furor, diz o Senhor: E enviarei a sua espada após êles até que eu os consuma. 38E porei o meu trono em Elam e exterminarei dali os reis e os príncipes, diz o Senhor. 39Nos últimos dias porém farei voltar os cativos de Elam, diz o Senhor.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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