Jeremias 51
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Isto diz o Senhor: Eis-aí levantarei eu um como vento pestilento contra Babilônia, e contra os seus moradores, que elevaram o seu coração contra mim. 2Enviarei contra Babilônia padejadores, e a pade-jarão, e demolirão a sua terra: Porque vieram sôbre ela de tôdas as partes, no dia da sua aflição. 3O que estende o seu arco não no estenda, nem suba armado de couraça, não perdoeis aos mancebos dela, passai à espada tôda a sua gente de guerra. 4E cairão mortos na terra dos caldeus, e feridos nas suas regiões. 5Porque Israel e Judá não enviuvaram do seu Deus o Senhor dos exércitos: E a terra dêles cheia está de delitos contra o santo de Israel. 6Fugi do meio de Babilônia, e salve cada um a sua alma: Não caleis a sua iniquidade: Porque tempo é da vingança do Senhor êle mesmo lhe dará o pago. 7Na mão do Senhor é Babilônia um copo de ouro, que embriaga tôda a terra: Beberam as gentes do seu vinho, e ficaram por isso agitadas. 8Babilônia caiu num momento, e ficou arruinada: Uivai sôbre ela, tomai resina para a aplicardes à sua dor, a ver se acaso sara. 9Cuidamos de Babilônia, e ela não sarou: Deixemo-la, e vamos cada qual para a sua terra: Porque a condenação que ela merece chegou até os céus, e se elevou até às nuvens. 10O Senhor manifestou as nossas justiças: Vinde, e contemos em Sião a obra do Senhor nosso Deus. 11Aguçai as setas, enchei as aljavas: O Senhor despertou o espírito dos reis dos medos: E contra Babilônia o seu conselho é para a destruir: Porque é vingança do Senhor, vingança do seu templo. 12Sôbre os muros de Babilônia levantai bandeira, multiplicai as sentinelas: Colocai guardas, dispondo emboscadas: Porque pensou o Senhor, e fêz tudo quanto falou contra os moradores de Babilônia. 13Tu, que habitas sôbre grandes águas, abundas em tesouros: Está chegado o teu fim, a tua inteira destruição. 14O Senhor dos exércitos jurou pela sua alma: Eu pois te encherei de homens como de bruxos, e será cantada sôbre ti a canção da vindima. 15O que fêz a terra com a sua fortaleza, ordenou o mundo com a sua sabedoria, e estendeu os céus com a sua prudência. 16Dando êle uma voz, se multiplicam as águas no céu: O que levanta as nuvens da extremidade da terra, resolveu os relâmpagos em chuva, e tirou o vento dos seus tesouros. 17Embotou-se todo o homem no seu saber: Todo o fundidor se confundiu nos seus simulacros: Porque é coisa enganosa a sua fundição, nem há espirito neles. 18Vãs são estas obras, e dignas de riso, elas perecerão no tempo da sua visitação. 19Não como isto aquêle que é a porção de Jacó: Porque êle mesmo é o que fêz tudo, e Israel o reino da sua herança: O Senhor dos exércitos é o seu nome. 20Tu me estragas os que são para mim instrumentos de guerra, e eu por ti arruinarei nações, e por ti destruirei reinos:. 21E quebrantarei por ti ao cavalo, e ao cavaleiro: E quebrantarei por ti ao carro e ao que vai nêle: 22E quebrantarei por ti ao homem e à mulher: E quebrantarei por ti ao velho e ao moço: E quebrantarei por ti ao mancebo e à virgem: 23E por ti quebrantarei ao pastor e ao seu rebanho: E por ti quebrantarei ao lavrador e as suas juntas: l!, por ti quebrantarei os capitães e os magistrados. 24E pagarei a Babilônia, e a todos os moradores da Caldéia todo o seu mal, que fizeram em Sião, ante os vossos olhos, diz o Senhor. 25Eis-me aqui contra ti, diz o Senhor, ó monte pestifero, que inficcionas tôda a terra: E estenderei a minha mão sôbre ti, e te farei rodar dentre as rochas, e te tornarei em um monte do incêndio. 26E de ti não tomarão pedra para um ângulo, nem pedra para fundamentos, mas destruído ficarás para sempre, diz o Senhor. 27Levantai o estandarte na terra: Tocai a buzina entre as gentes, santificai sôbre ela as nações: Convocai contra ela aos reis de Ararat, de Meni, e Ascenez: Ponde em conta contra ela a Tafsar, trazei cavalos como gafanhotos armados de aguilhões. 28Santificai contra ela as gentes, os reis da Média, us seus capitães, e todos os seus magistrados, e tôda a terra dos seus domínios. 29E comover-se-á a terra, e se turbará: Porque estará em vigia contra Babilônia o pensamento do Senhor, para deixar deserta e sem morador a terra de Babilônia. 30Deixaram de pelejar os fortes de Babilônia, habitaram nos presídios: Consumida foi a sua fôrça, e se tornaram como mulheres: Incendiadas foram as tendas dela, quebrados foram os seus ferrolhos. 31O correio se encontrará com o correio: E o mensageiro alcançará ao mensageiro: Para dar aviso ao rei de Babilônia, que a sua cidade está tomada desde um cabo até outro cabo: 32E que os vaus estão tomados, e os juncais ardendo em fogo, e que os homens de guerra ficaram ame-drontados. 33Porque isto diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: A filha de Babilônia é como eira, tempo é de se debulhar: Ainda mediará um pouco e virá o tempo da sua ceifa. 34Nabucodonosor, rei de Babilônia, me tragou, me devorou: Êle me deixou como um vaso despejado, engu-hu-me como um dragão, encheu o seu ventre de tudo o que eu tinha de mais delicioso, e deitou-me fora. 35A sua injustiça contra mim, e a minha carne está sôbre Babilônia, diz a morada de Sião: E o meu sangue sôbre os: moradores da Caldéia, diz Jerusalém. 36Por cuja causa, isto diz o Senhor: Eis-aqui estou eu que julgarei a tua causa, e vingarei a tua vingança, e despovoarei o seu mar, e secarei o seu manancial. 37E será Babilônia reduzida a montões, virá a ser a habitação de dragões, o assombro, e o silvo, porque não haverá morador: 38Rugirão assim mesmo como leões, sacudirão as suas guedelhas, como cachorros de leões. 39No seu calor lhes darei de beber, e os embriagarei, para que adormeçam, e durmam um sono sem fim, e não se levantem, diz o Senhor. 40Eu os conduzirei como cordeiros que vão a degolar, e como carneiros que são levados com os cabritos. 41Como foi tomada Sesac, e prêsa a esclarecida de tôda a terra? Como tem sido tornada Babilônia em espanto entre as gentes? 42O mar subiu sôbre Babilônia, coberta foi da multidão das suas ondas. 43As suas cidades se têm tornado em espanto, terra despovoada, e deserta, terra em que ninguém pode habitar, nem passar por ela filho algum de homem. 44E irei com a minha visita sobre Bel em Babilónia. e lhe farei lançar da sua bôca o que havia absorvido, e dali em diante não concorrerão a êle as gentes, pois que até o muro de Babilônia cairá. 45Sai do meio dela, povo meu: Para que salve cada um a sua vida da ira do furor do Senhor. 46E porque talvez não se enterneça o vosso coração, e temais o rumor que se há de ouvir na terra: E virá num ano um boato, e depois dêste ano outro boato: E a maldade na terra, e dominador sôbre dominador. 47Por cuja causa eis-aí vêm os dias, e virei com a minha visita sôbre os simulacros de Babilônia: E tôda a terra dela será confundida, e todos os seus mortos cairão no meio dela. 48E os céus e a terra, e tôdas as coisas que nêles há, darão louvor pelo excídio de Babilônia: Porque do Aquilão lhe virão os roubadores, diz o Senhor. 49E como fêz Babilônia que caissem mortos em Israel: Assim cairão de Babilônia mortos em tôda a terra. 50Os que escapastes da espada, vinde, não fiqueis parados: De longe lembrai-vos do Senhor, e Jerusalém suba sôbre o vosso coração. 51Coníusos estamos, porque ouvimos a afronta: Cobriram-se de vergonha os nossos rostos: Porque vieram os estranhos contra o Santuário da casa do Senhor. 52Por cuja causa eis-aí vêm os dias, diz o Senhor: E irei com a minha visita sôbre os seus simulacros, e em tôda a sua terra bramará o ferido. 53Ainda que suba Babilônia ao céu, e firme no alto a sua fôrça: De mim virão os destruidores dela, diz o Senhor. 54Onviu-se uma voz de clamor de Babilônia, e uma grande ruína da terra dos caldeus: 55Porque o Senhor assolou a Babilônia, e fêz cessar dela a sua grande voz: E soarão as ondas dêles, como o estrondo de muitas águas: Deu soada a voz deles: 56Porque o exterminador veio sôbre ela, isto é, sobre Babilônia, e foram presos os seus valentes, e afrou-xou o seu arco, porque o Senhor vingador forte lhes dará a merecida recompensa. 57E embriagarei os seus príncipes, e os seus sábios, e os seus capitães, e os seus magistrados, e os seus valentes: E dormirão um sono eterno, e não despertarão jamais, diz o rei; o Senhor dos exércitos é o seu nome. 58Isto diz o Senhor dos exércitos: Aquêle muro larguíssimo de Babilônia será arruinado de alto a baixo, e as suas portas excelsas serão abrasadas pelo fogo, e os trabalhos dos povos e das nações reduzidos a nada, e entregues ao fogo, e assim perecerão. 59Palavra que mandou o profeta Jeremias a Saraias, filho de Nerias, filho de Maasias, quando ia com o rei Sedecias para Babilônia, no quarto ano do seu reinado: Êste Saraias pois era o príncipe da profecia. 60E escreveu Jeremias em um livro todo o mal que estava para vir sôbre Babilônia: Tôdas estas palavras que ficam escritas contra Babilônia. 61E disse Jeremias a Saraias: Quando chegares a Babilônia, e vires, e leres tôdas estas palavras, 62dirás: Senhor, tu tens pronunciado contra êste lugar, que o destruirias: Que não haja quem nêle habite desde o homem até ao gado, e que fique sendo uma perpétua solidão. 63E quando acabares de ler êste livro, atar-lhe-ás uma pedra, e o lançarás no meio do Eufrates: 64E dirás: Assim será submergida Babilônia, e não se levantará mais à vista da aflição, que eu vou a descarregar sôbre ela, e ficará destruída. Até aqui as palavras de Jeremias.