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Jeremias 50

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Palavra que o Senhor falou acêrca de Babilônia, e da terra dos caldeus por mão do profeta Jeremias. 2Anunciai entre as gentes, e fazei-lho ouvir: Levantai bandeira, publicai-o, e não lho encubrais: Dizei: Babilônia foi tomada, Bel ficou confundido, Merodac foi destroçado, confundidos têm sido os seus simulacros, derrotados ficaram os ídolos dêles. 3Porque subiu contra ela gente do Aquilão, que tornará a sua terra em solidão: E não haverá quem na povoe, desde o homem até ao animal: E êles se têm comovido. e se foram. 4Naqueles dias, e naquele tempo, diz o Senhor: Virão os filhos de Israel, êles, e juntamente os filhos de Judá: Marchando, e chorando se apressarão, e buscarão ao Senhor seu Deus. 5Perguntarão o caminho para Sião, aonde fixarão o seu rosto. Virão. e se unirão ao Senhor com uma eterna aliança. a qual jamais se apagará da sua memória. 6O meu povo veio a ser um rebanho perdido: Os pastôres dêles os enganaram, e os fizeram andar desgarrados pelos montes: Do monte passarão ao outeiro, esqueceram-se do lugar do seu repouso. 7Todos os que os acharam, os devoraram: E os inimigos dêles disseram: Não temos delingiido: Pelo motivo de que êles pecaram contra o Senhor, que é formosura de justiça, e contra o Senhor, que foi a esperança de seus pais. 8Apartai-vos do meio de Babilônia, e saí da terra dos caldeus: E sêde como os cabritos que vão adiante do rebanho. 9Porque eis-aqui estou eu que suscito, e trarei contra Babilônia grandes exércitos das gentes da terra do Aquilão: E armar-se-ão contra ela, e depois será tomada: A sua seta como a de varão forte matador, não tornará sem efeito. 10E a Caldéia servirá para prêsa: Todos os que a saquearem se fartarão, diz o Senhor. 11Porquanto vos ensoberbeceis, e falais com insolência, saqueando a minha herança: Porque estais soltos como bezerros sôbre a erva, e bramastes como touros. 12Tem sido mui confundida a vossa mãe, e igua-lada ao pó a que vos gerou: Eis-aí será a última entre as gentes, despovoada, sem caminho, e sem água. 13Pela ira do Senhor ficará despovoada, e será tornada tôda em uma solidão: Todo o que passar por Babilônia, se espantará, e dará uma vaia sôbre tôdas as suas ruínas. 14Atacai a Babilônia de tôdas as partes, todos vós os que sabeis manejar o arco: Debelai-a, não pou-peis as flechas: Porque ela pecou contra o Senhor. 15Gritai contra ela, em tôdas as partes deu as mãos, caíram os fundamentos dela, destruídos ficaram os seús muros, porque é vingança do Senhor: Tomai vingança dela, fazei-lhe o mesmo que ela fêz. 16Exterminai de Babilônia ao que a semeia, e ao que tem a foice no tempo da ceifa: Ante o fio da espada da pomba cada um tornará ao seu povo, e cada um fugirá para a sua terra. 17Israel é um rebanho desgarrado, os leões o lan-caram fora: O rei de Assur o devorou primeiro: Êste Nabucodonosor, rei de Babilônia, lhe quebrou os ossos em último lugar. (S) 18Por cuja causa, isto diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Eis-aí visitarei eu ao rei de Babilônia, e a sua terra, assim como visitarei ao rei de Assur: 19E farei tornar Israel para o lugar da sua habitação: E êle entrará outra vez nas pastagens do Carmelo, e de Basan, e a sua alma se fartará nos montes de Efraim, e de Galaad. 20Naqueles dias, e naquele tempo, diz o Senhor: Buscar-se-á a iniqüidade de Israel e não a haverá mais: E buscar-se-á o pecado de Judá, e êle se não achará: Porque eu me mostrarei propício ao que tiver reservado. 21Sobe à terra dos dominadores, e vai com a tua visita sôbre os moradores dela, destrói, e mata aos que vão após êles, diz o Senhor: E faze conforme a tudo o que te mandei. 22Ouviu-se uma voz de guerra na terra, e um grande destrôço. 23Como se quebrou, e se fêz em migalhas o martelo de tôda a terra? como se mudou num deserto esta Babilônia tão formosa entre as gentes? 24Eu te enredei, ó Babilônia, e tu fôste tomada, e sem o saberes: Fôste surpreendida e apanhada: Porque provocaste o Senhor. 25O Senhor abriu o seu tesouro e dêle tirou as armas da sua ira: Porque o Senhor Deus dos exércitos as há mister contra o pais dos caldeus. 26Vinde a ela dos últimos confins, abri para que saiam os que a hão de pisar: Tirai do caminho as pedras, e ponde-as em montes, e matai-a: E não fique resto algum. 27Matai a todos os seus valentes, venham ao degoladouro: Ai dêles, porque veio o seu dia, o tempo da sua visitação. 28Ouviu-se uma voz dos fugitivos, e daqueles que escaparam da terra de Babilônia, para publicar em Sião a vingança do Senhor nosso Deus, a vingança do seu templo. 29Anunciai a todos os que estendem o arco, que venham em bandos contra Babilônia: Cercai-a de tôdas as partes, e não escape nenhum: Tornai-lhe segundo a sua obra: Segundo tôdas as coisas que fêz, assim lhe fazei a ela: Porque se levantou contra o Senhor, contra o Santo de Israel. 30Por isso os seus mancebos cairão nas suas praças: E tôdas as suas gentes de guerra emudecerão naquele dia, diz o Senhor. 31Eis-me aí sou eu contigo, ó soberbo, diz o Senhor Deus dos exércitos: Porque é chegado o teu dia, o tempo da tua visitação. 32E cairá o soberbo, e dará consigo em terra, e não haverá quem o levante: E acenderei fogo nas suas cidades, e devorará tudo o que estiver em seu circuito. 33Isto diz o Senhor dos exércitos: Os filhos de Israel e juntamente os filhos de Judá sofrem opressão: Todos os que os cativaram, os retêm, não os querem deixar ir, 34O redentor deles é forte, o Senhor dos exércitos é o seu nome, defenderá em juízo a causa dêles, para assombrar a terra, e fazer tremer os moradores de Babilônia. 35A espada está desembainhada contra os caldeus, diz o Senhor, e contra os moradores de Babilônia, e contra os seus príncipes, e sábios. 36A espada está desembainhada contra os seus adivinhos, que ficarão insensatos: A espada está tirada contra os seus valentes, que temerão. 37A espada está desembainhada contra os seus cavalos, e contra os seus carros, e contra todo o seu povo, que está no meio dela: E serão como mulheres: A espada está tirada contra os tesouros dela, que serão sa-queados. 38Cairá a sêca sôbre as suas águas e elas secarão: Porque é terra de ídolos, e que nos seus monstros se glória. 39Por isso os dragões virão morar nela com os faunos, que vivem de figos bravos: E morarão nela avestruzes, nem será edificada até à geração e geração. 40Assim como o Senhor destruiu a Sodoma e a Gomorra. e as outras cidades suas vizinhas, diz o Senhor: Não morará ali varão, nem a povoará filho de' homem. 41Eis-aí vem um povo do Aquilão, e uma gente grande, e muitos reis se levantarão dos confins da terra. 42Armar-se-ão de arco. e de escudo: Êles são cruéis e desapiedados: A voz dêles soará como o mar, e montarão em cavalos: Como um varão apercebido para a batalha contra ti, filha de Babilônia. 43Ouviu o rei de Babilônia a fama dêles. e desfaleceram as suas mãos: Tomou-o a angústia, a dór, como a daquela que está com dores de parto. 44Eis-aí subirá da inchação do Jordão um como leão à formosura forte: Porave sùbitamente o farei correr a ela: E qual será o escolhido. que eu hei de pôr à sua frente? quem há pois semelhante a mim? e quem me susterá? e quem é aquêle pastor que se atreva a resistir à minha face? 45Portanto ouvi o conselho do Senhor, que formou na sua mente contra Babilônia: E os seus desig-. nios; que dispôs sôbre a terra dos caldeus: Eu juro que os zagais das manadas os arrastarão, juro que será derribada com êles a sua morada. 46À voz da tomada de Babilônia se comoveu a terra, e o seu clamor foi ouvido entre as gentes.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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