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Jeremias 7

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Palavra que pelo Senhor foi dirigida a Jeremias, a qual, dizia: 2Põe-te em pé à porta da casa do Senhor, e prega aí estas palavras e dize: Ouvi a palavra do Senhor todo Judá, que entrais por estas portas, para adorardes ao Senhor. 3Eis-aqui o que diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Fazei bons os vossos caminhos, e os vossos afetos: E eu habitarei convosco neste lugar. 4Não ponhais a vossa confiança em palavras de mentira, dizendo: Templo do Senhor, templo do Senhor, êste templo é do Senhor. 5Porque se dirigirdes bem os vossos caminhos e os vossos afetos: Se fizerdes justiça aos que pleiteiam entre si, 6se não oprimirdes o estrangeiro, e o pupilo, e a viúva, nem derramardes o sangue inocente neste lugar, e se não andardes após dos deuses alheios para vossa própria desgraça: 7Habitarei convosco neste lugar: Na terra que dei a vossos pais desde o século e até o século. 8Eis-aí está que vós confiais para vosso mal em palavras de mentira, que vos não servirão para nada: 9Para furtar, matar, adulterar, jurar falso, sacrificar aos ídolos, e ir após dos deuses estranhos, que não conheceis. 10E viestes e vos presentastes diante de mim nesta casa, onde o meu nome foi invocado, e dissestes: Estamos livres ainda que tenhamos cometido tôdas estas abominações. 11Logo esta minha casa, onde foi invocado o meu nome diante de vossos olhos, não é assim que está feita um covil de ladrões? Eu, eu sou: Eu o vi, diz o Senhor. 12Ide ao meu lugar em Silo, onde habitou o meu nome desde o princípio: E vêde o que lhe eu fiz por causa. da malícia do meu povo de Israel: 13E agora porque tendes feito tôdas estas obras, diz o Senhor: Eu vos falei levantando-me de manhã e falando eu, ainda assim me não ouvistes: E vos chamei, e não respondestes: 14Farei eu a esta casa onde o meu nome foi invocado e na qual vós pondes a vossa confiança: E êste lugar que eu vos dei a vós e a vossos pais assim como fiz a Silo. 15E eu vos lançarei bem longe da minha face como lancei a todos os vossos irmãos, a tôda a linhagem de Efraim. 16Tu pois não rogues por êste povo, nem empreendas por êle louvor nem oração, e não te me oponhas: Porque te não escutarei. 17Acaso não vês tu o que êstes fazem nas cidades de Judá e nas praças de Jerusalém? 18Os filhos ajuntam a lenha e os pais acendem o fogo, e as mulheres misturam a manteiga com os mais adjuntos necessários para fazerem tortas à rainha do - s. Jerônimo. céu, e para sacrificarem a deuses estranhos, e para me provocarem a ira. 19Acaso êles a mim é que me provocam a ira? diz o Senhor, ou não é antes a si mesmos que fazem mal para confusão do seu rosto? 20Portanto isto diz o Senhor Deus: Eis-aí está que o meu furor, e a minha indignação se anda forjando sôbre êste lugar, sôbre os homens, e sôbre os animais, e sôbre as árvores do campo, e sôbre os frutos da terra, e se acenderá, e não se apagará. 21Isto diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Ajuntai os vossos holocaustos às vossas vítimas, e comei dessas carnes. 22Porque eu não falei com vossos pais, nem lhes mandei, no dia em que os tirei da terra do Egito, coisa alguma acêrca dos holocaustos e das vítimas. 23Mas eis-aqui o que lhes mandei, dizendo: Ouvi a minha voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo: E andai por todo o caminho que eu vos prescrevi, para serdes bem sucedidos. 24E não me ouviram, nem me aplicaram os seus ouvidos: Mas foram-se após os seus apetites, e da pravidade do seu malvado coração; e tornaram para trás, em vez de irem para diante, 25desde o dia em que seus pais saíram da terra do Egito. até ao dia de hoje. E eu vos enviarei a vós todos os meus servos os profetas, levantando-me cada dia, muito cedo, e prevenindo-vos em vo-los mandar. 26E não me ouviram, nem me aplicaram os seus ouvidos: Mas endureceram a sua cerviz: E obraram pior que seus pais. 27E tu lhes dirás a êles tôdas estas palavras, e não te escutarão: E chamá-los-ás e não te responderão: 28E tu lhes dirás a êles: Esta é uma gente, que não ouviu a voz do Senhor seu Deus, nem recebeu as suas instruções: Acabou-se a fé, e ela se exterminou da bôca dêles. 29Corta os teus cabelos, e lança-os fora e levanta o teu pranto ao alto: Porque o Senhor arrojou de si, e abandonou a geração do seu furor. 30Porque os filhos de Judá cometeram o mal diante dos meus olhos, diz o Senhor. Êles puseram os seus tropeços na casa em que foi invocado o meu nome, para a profanarem: 31E edificaram os altos de Tofet, que está no Vale do filho de Enon: Para queimarem no fogo a seus filhos, e a suas filhas, o que eu não mandei, nem pensei no meu coração. 32Portanto eis-aí virão dias, diz o Senhor, e não se dirá mais Tofet, nem Vale do filho de Enon: senão Vale da matança: E enterrarão em Tofet, porque não haverá mais lugar. 33E os corpos mortos dêste povo servirão de pasto às aves do céu, e às alimárias da terra, e não haverá quem dali as enxote. 34E farei que se não ouça nas cidades de Judá, e nas praças de Jerusalém voz de gôzo, e voz de alegria, voz de espôso, e voz de espôsa: Porque a terra será posta em desolação.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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