Jeremias 6
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Armai-vos de fortaleza, filhos de Benjamim, no meio de.Jerusalém, e fazei soar a trombeta em Técua, e levantai o estandarte sôbre Betacarem: Porque da banda do Aquilão apareceu um mal, e uma grande ruína. 2A uma formosa e delicada assemelhei a filha de Sião. 3A ela virão os pastôres, e os seus rebanhos, puseram nela ao redor as suas tendas: Cada um apascentará aquêles que estão debaixo da sua mão. 4Preparai-vos a lhe declarar a guerra: Levantai-vos, e subamos ao meio-dia: Ai de nós, que declinou o dia, porque as sombras se fizeram mais compridas pela tarde. 5Levantai-vos e subamos de noite e deitemos abaixo tôdas as suas casas. 6Porque isto diz o Senhor dos exércitos: Cortai as árvores do contôrno, e fazei um marachão à roda de Jerusalém: Esta é a cidade destinada à minha vingança, porque todo o gênero de calúnia reina no meio dela. 7Como a cisterna tornou fria a água que em si recebeu, assim esta cidade tornou fria a sua malícia: A iniquidade e a desolação se ouvirá nela; diante de mim estão sem cessar a miséria e o açoite. 8Escarmenta, Jerusalém, para que não suceda que a minha alma se aparte de ti, não suceda que eu te torne em terra deserta e despovoada. 9Eis-aqui o que diz o Senhor dos exércitos: Até ao último cacho, como em vindima, se rabiscarão os restos de Israel. Volta a tua mão como o vindimador ao cesto. 10A quem falarei eu? E a quem admoestarei que me ouça? Eis-que os seus ouvidos estão incircuncidados, e não podem ouvir: Eis-que a palavra do Senhor foi para êles um motivo de opróbrio: E não a receberão. 11Por isso é que eu estou cheio do furor do Senhor: Cansado estou de sofrer: Derrama a indignação sôbre o menino que anda pela rua, e juntamente sôbre o congresso dos mancebos: Porque o marido será prêso com a mulher, o velho com o decrépito. 12E as suas casas passarão a estranhos, os campos e igualmente as mulheres: Porque eu estenderei a minha: mão sôbre os habitantes da terra, diz o Senhor. 13Porquanto desde o mais pequeno até o maior todos estão entregues à avareza: E desde o profeta até o sacerdote todos procedem com dolo. 14E curam as chagas da filha do meu povo com ignomínia dizendo: Paz, paz: Quando não havia paz. 15Confundiram-se porque fizeram abominação: Ou por melhor dizer, nem a mesma confusão os pôde confundir, nem souberam que coisa era envergonhar-se: Por isso cairão entre a turba dos mortos: No tempo da sua visitação cairão, diz o Senhor. 16Eis-aqui o que diz o Senhor: Tende-vos sôbre os caminhos, e vêde, e perguntai, quais são as antigas veredas, para conhecerdes o bom caminho, e andai por êle: E achareis refrigério para as vossas almas. E êles responderam: Não andaremos por certo. 17E constituí umas sentinelas sôbre vós. Ouvi a voz da trombeta. E êles responderam: Não ouviremos por certo. 18Portanto ouvi, ó gentes, e tu, ó congregação, vê com quanto rigor os tratarei eu a êles. 19Ouve terra: Eis-aí farei eu vir calamidades sôbre êste povo, fruto dos seus pensamentos: Porque não ouviram as minhas palavras, e rejeitaram a minha lei. 20Para que me trazeis vós incenso de Sabá, e cana de suave cheiro de terra longínqua? os vossos holocaustos não me são aceitos, nem as vossas vítimas me agradaram. 21Portanto isto diz o Senhor: Eis-aqui estou eu que trarei a ruína sôbre êste povo, e cairão entre êles juntamente os pais e os filhos, o vizinho, e o próximo perecerão. 22Isto diz o Senhor: Eis-aqui vem um povo da terra do Aquilão, e uma nação grande se levantará dos fins da terra. 23Tomará seta e escudo: Ela é cruel, e não terá piedade: A sua voz soará como o mar: E montarão em cavalos, dispostos como um homem valente, a pelejar contra ti, filha de Sião. 24Ouvimos a sua fama, afrouxaram-se as nossas mãos: Alcançou-nos a tribulação, as dores como a que está de parto:, 25Não saiais aos campos, e não andeis pelo caminho: Porque a espada do inimigo é o espanto ao redor. 26Filho do meu povo, veste-te de cilício, e revolve-te na cinza: Toma luto como por um filho único, pranto amargo, porque de repente virá sôbre nós o destruidor. 27Por averiguador forte te tenho pôsto sôbre o meu povo: E saberás, e examinarás o caminho dêles. 28Todos êstes príncipes que estão fora de caminho, «que andam com engano, são cobre e ferro: Todos se têm corrompido. 29Faltou o fole, o chumbo foi consumido no fogo, debalde o meteu o fundidor na forja: Porque as suas malícias não se consumiram. 30Chamai-os uma prata falsa, porque o Senhor os rejeitou.