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Juízes 14

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Desceu depois Sansão a Tamnata: e tendo ali visto a uma mulher das filhas dos filisteus, 2voltou, e noticiou a seu pai, e a sua mãe, dizendo: Eu vi em Tamnata uma mulher das filhas dos filisteus, rogo-vos que ma deis por esposa. 3Seu pai e sua mãe lhe disseram: Pois não há mulheres entre as filhas de teus irmãos, e entre todo o nosso povo, para que tu queiras casar com uma dentre os filisteus, que são incircuncidados? E Sansão disse a seu pai: Dá-me esta, porque agradou aos meus olhos. 4Ora seus pais não sabiam que isto se fazia por disposição do Senhor, e que buscava ocasião de ir contra os filisteus: porque naquele tempo dominavam os filisteus sôbre Israel. 5Veio pois Sansão com seu pai e com sua mãe a Tamnata. E quando tinham chegado às vinhas da cidade, apareceu um leão novo, feroz, e que rugia, e se pôs diante de Sansão. 6Mas o espírito do Senhor se apossou de Sansão, que despedaçou o leão, fazendo-o em quartos como se fôra um cabrito sem ter coisa alguma na mão: e não quis delatar isto a seu pai nem a sua mãe. 7Depois desceu e falou com a mulher que tinha agradado aos seus olhos. 8E voltando alguns dias depois para casar com ela, se apartou do caminho para ver o cadáver do leão, e eis que estava na bôca do leão um enxame de abelhas e um favo de mel. 9E tomando-o nas mãos, ia comendo nele pelo caminho: e chegando onde estavam seu pai e sua mãe, deu-lhes uma parte, que êles também comeram; mas não lhes quis descobrir, que aquele mel o tinha êle tirado do corpo do leão. 10Veio pois seu pai a casa desta mulher, e fêz um banquete por conta de seu filho Sansão: porque assim o costumavam fazer os mancebos. 11Como pois os habitantes daquele lugar o vissem, deram-lhe trinta companheiros para estarem com êle, 12Aos quais disse Sansão: Propor-vos-ei um problema: e se vós souberdes decifrá-lo dentro destes sete dias de boda, dar-vos-ei trinta lençóis, e outras tantas túnicas. 13mas se o não souberdes decifrar, dar-me-éis a mim trinta lençóis, e outras tantas túnicas. Êles lhe responderam: Propõe o problema, para que o ouçamos. 14E Sansão lhes disse: Do comedor saiu comida, e do forte saiu doçura; eles por três dias não puderam soltar o enigma proposto. 15E como se chegasse o dia sétimo, disseram à mulher de Sansão: Acaricia a teu marido, e faze que êle te descubra o que significa o enigma: e se o não quiseres fazer, queimar-te-emos a ti, e a casa de teu pai: acaso nos convidastes vós para a vossa boda, só para nos despojardes? 16A mulher se punha a chorar diante de Sansão, e se queixava dizendo: Tu não me amas, antes me aborreces; por isso me não queres declarar o enigma que propuseste aos mancebos do meu povo. Mas êle lhe respondeu: Eu não quis descobrir a meu pai, nem a minha mãe: e como to poderei declarar? 17Ela pois chorava diante dêle os sete dias da boda: e enfim ao dia sétimo, como lhe fôsse molesta lho declarou. O que ela logo descobriu aos seus compatriotas. 18E êles no dia sétimo antes de se pôr o sol, lhe disseram: Que coisa há mais doce do que o mel, e que coisa há mais forte do que o leão? E êle lhes respondeu: Se vós não tivésseis lavrado com a minha novilha, não teríeis percebido o meu enigma. 19Veio portanto o espírito do Senhor sôbre Sansão, e tendo ido a Ascalon, matou lá a trinta homens: aos quais tirou os vestidos, e os deu àqueles que tinham explicado o enigma. E sobremaneira irado, voltou para casa de seu pai: 20Sua mulher porém se casou com um dos amigos, e dos que o tinham acompanhado na boda.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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