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Juízes 15

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Pouco tempo depois, estando já próximos os dias da ceifa do trigo, querendo Sansão ver sua mulher, foi, e lhe levou um cabrito. E como quisesse entrar, como costumava na sua câmara, o pai dela o impediu, dizendo: 2Eu cuidei que a aborrecias, e por isso a dei a um teu amigo: mas ela tem uma irmã, que é mais moça e mais formosa do que ela, toma-a por mulher em seu lugar. 3Sansão lhe respondeu: De hoje em diante não poderão os filisteus queixar-se de mim: eu vos farei todo o mal que puder. 4E partiu, e tomou trezentas rapôsas, e ajuntou-as umas às outras pelas caudas, e no meio atou uns fachos: 5E tendo-lhes chegado fogo, largou-as, para irem cada uma para seu cabo. Elas partiram logo a correr pelo meio das searas dos filisteus. E incendiadas estás, tántó os trigos enfeixados, como os que ainda estavam por segar, se queimaram de tal modo que -o mesmo fogo consumiu também as vinhas e olivais. 6Ê disseram os filisteus: Quem íêz isto? respon-déu-se-lhes: Foi Sansão, genro daquele de Tamnata, porque lhe tirou sua mulher, e a deu a outro. E foram os filisteus: e queimaram tanto a mulher, como a seu pai. 7Então lhes disse Sansão: Não obstante terdes feito isto, eu ainda assim não deixarei de me vingar de vós, e então sossegarei. 8E fêz nêles um grande destroço, de sorte que atônitos punham as pernas sôbre as coxas. E descendo dali, morou na cova do Rochedo de Etan. 9Tendo pois vindo os filisteus ao país de Judá, se acamparam no lugar, que depois se chamou Lequi, que quer dizer, Queixada, onde o seu exército foi desbaratado. 10E os da tribo de Judá lhes disseram: Por que viestes contra nós? Êles lhes responderam: Viemos prender a Sansão, e pagar-lhe o mal que nos fêz. 11Então vieram três mil homens da tribo de Judá, à cova do Rochedo de Etan, e disseram a Sansão: Tu não sabes, que estamos sujeitos aos filisteus? pois por '- que quiseste fazer-lhes isto? Êle lhes respondeu: Eu fiz-lhes como êles me fizeram a mim. 12Nós viemos, replicaram êles, para te prender, e para te entregar nas mãos dos filisteus. Pois jurai-me,- lhes disse Sansão, e prometei-me, que me não haveis de matar. 13Êles lhe responderam: Não te mataremos, mas entregar-te-emos preso. Ligaram-no pois com duas, cordas novas, e tiraram-no do Rochedo de Etan. 14E chegando ao lugar da Queixada, e saindo-lhe ao encontro os filisteus com apupadas, caiu sôbre êle o espírito do Senhor: e como o linho costuma consumir-se ao cheiro do fogo, assim quebrou êle, e desfez as cordas, com que estava ligado. 15E pegando na queixada de um jumento, que achou à mão, e que jazia ali, matou com ela mil homens, 16e disse: Eu com a queixada de um jumento, com a queixada de um potro de jumenta os derrotei, e matei mil homens. 17E logo que acabou de cantar estas palavras, lançou a queixada da mão, e chamou àquele lugar Rama- - tlequi, que quer dizer, elevação da queixada. 18E sentindo grande sede, clamou ao Senhor, e disse: Tu fôste o que salvaste o teu servo e o que lhe deste esta grande vitória: eis agora morro eu de sêde, e cairei nas mãos dos incircuncidados. 19Abriu pois o Senhor um dos dentes molares na queixada do jumento, e saíram dêle águas. E bebendo delas Sansão recobrou alento e recuperou as forças. Por isso foi àquele lugar chamado até o dia de hoje fonte do que invoca da queixada. 20E julgou a Israel vinte anos nos dias dos filisteus.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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