Juízes 5
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E naquele dia Débora e Barac filho de Abinoem, cantaram, dizendo: 2Vós os que dentre os filhos de Israel espontâneamente oferecestes as vossas vidas ao perigo, bendizei ao Senhor. 3Ouvi, reis, escutai atentos, príncipes: Eu sou, eu sou a que cantarei ao Senhor, a que entoarei hinos ao Senhor Deus de Israel. 4Senhor, quando Tu saías de Seir, e passavas pelo país de Edom, a terra se moveu, e os céus e as nuvens distilaram águas. 5Os montes se derreteram à face do Senhor, e o Sinai à face do Senhor Deus de Israel. 6Nos dias de Samgar filho de Anat, nos dias de - Jael, não se trilhavam os caminhos: e os que haviam de passar por êles, iam por atalhos desviados. 7Cessaram os valentes em Israel, e desapareceram: até que se levantou Débora, até que se levantou uma mãe em Israel. 8O Senhor escolheu novas guerras, e êle mesmo derribou as portas dos inimigos: não apareceu nem escudo nem lança nos quarenta mil de Israel. 9O meu coração ama aos príncipes de Israel: vós os que voluntários vos oferecestes ao perigo, bendizei ao Senhor. 10Vós os que montais sôbre luzidios jumentos, e os que ocupais as cadeiras da justiça, e os que andais pelo caminho, falai. 11Aí onde foram quebradas as carroças, e se afo-gou o exército dos inimigos, aí sejam contadas as justiças do Senhor e a sua clemência para com os valentes de Israel; então desceu o povo do Senhor às portas, e alcançou o principado. 12Levanta-te, levanta-te, Débora, levanta-te, levanta-te, e entoa um cântico: levanta-te, Barac, e toma posse dos teus cativos, filho de Abinoem. 13Salvaram-se as relíquias do povo, o Senhor pelejou nas pessoas destes valentes. 14Um de Efraim os derrotou em Amalec, e depois dêle 'um de Benjamim contra os teus povos, ó Amalec: de Maquir desceram os príncipes, e de Zabulon os que comandassem o exército para batalhar. 15Os capitães de Issacar se acharam com. Débora, e seguiram as pisadas de Barac, o qual se lançou no perigo, como num precipício e num abismo: dividido Rúben contra si mesmo, se acharam em contenda os seus homens de valor. 16Por que habitas tu entre dois termos, para ouvires os balidos dos rebanhos? Dividido Rúben contra si mesmo, se acharam em contenda os seus homens de valor. 17Galaad estava descansado da banda de além do Jordão, e Dan se ocupava em equipar as suas naus: Aser habitava na costa do mar, e se deixava estar nos seus portos. 18Mas Zabulon e Neftali se expuseram à morte na terra de Merome. 19Vieram os reis e pelejaram: pelejaram os reis de Canaã em Tanac junto às águas de Magedo, e ainda assim não levaram presa alguma. 20Do céu se pelejou contra êles: As estrelas persistindo na sua ordem e no seu curso, pelejaram contra Sisara. 21A torrente de Cison arrastou os seus cadáveres, a torrente de Cadumim, a torrente de Cison: Põe o pé, alma minha, sôbre estes valentes. 22As unhas dos cavalos caíram com o ímpeto” da fuga, e os mais robustos dos inimigos se precipitaram na sua ruína: 23Amaldiçoai a terra de Meroz, disse o anjo do Senhor, amaldiçoai os seus habitantes, porque não acudiram a socorrer o Senhor, a ajudar os mais valentes dos seus guerreiros. 24Bendita seja entre as mulheres Jael esposa de Haber Cineu, e seja bendita na sua tenda. 25Ela deu leite ao que lhe pedia água, e numa taça de príncipes lhe presenteou manteiga. 26Estendendo a mão esquerda a um prego, e a direita a um martelo dos oficiais, buscando na cabeça lugar para a ferida, deu o golpe em Sisara, trespassando-lhe com grande íôrça as fontes. 27Caiu entre os seus pés: Desfaleceu, e expirou: Revolvia-se ante os seus pés, e jazia morto e miserável. 28A. mãe de Sisara olhando pela janela, gritava, e desde o seu quarto dizia: Por que tarda tanto em voltar a sua carroça? por que são tão pesados os pés dos seus quatro cavalos? 29Mas uma das suas mulheres mais advertida do que as outras, respondeu à sogra estas palavras: 30Talvez que a esta hora reparta o esbulho, e escolha para si a mais formosa das cativas: Vestidos de várias côres se dão do despojo a Sisara, e várias joias se lhe destinam para o adorno do seu pescoço. 31Assim pereçam, Senhor, todos os teus inimigos: Os que porém te amam, brilhem como o sol quando nasce. 32E esteve a terra em paz quarenta anos.