Juízes 6
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Tornaram os filhos de Israel a fazer o mal diante do Senhor: Que os entregou por sete anos nas mãos dos madianitas, 2e foràm muito'oprimidos por êies. E fizeram para si covas e cavernas nos montes, e fortalezas para lhes poderem resistir. 3E tendo os israelitas feito as suas semeaduras, vinham os madianitas e os amalecitas, e os outros povos orientais: 4e pondo as suas tendas nos seus campos, talavam tudo quanto ainda estava eni erva até à entrada de Gaza: e não deixavam aos israelitas nada do necessário para a vida, nem ovelhas, nem bois, nem jumentos. 5Porque êles vinham com todos os seus rebanhos e tendas, e à maneira de gafanhotos cobriam tudo com uma multidão inumerável de homens. e camelos, destruindo tudo quando tocavam. 6E Israel foi em extremo humilhado na presença de Madian. 7Clamaram pois ao Senhor pedindo socorro contra os madianitas. 8E o Senhor lhes mandou um profeta, que lhes disse: Eis-aqui o que diz o Senhor Deus de Israel: Eu vos fiz sair do Egito, e vos tirei da casa da servidão, 9e vos livrei do poder dos egiptanos, e de todos os inimigos que vos afligiam: e lancei fora os amorreus à vossa chegada, e entreguei-vos a sua terra. 10E disse: Eu sou ó Senhor vosso Deus, não temais os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. E vós não quisestes ouvir a minha voz. 11Veio pois o anjo do Senhor, e assentou-se debaixo dum carvalho. que havia em Efra, e pertencia a Joás pai da família de Ezri. E estando Gedeão seu filho sacudindo e alimpando o seu trigo no lagar, para o esconder dos madianitas, 12lhe apareceu o anjo do Senhor, e disse: o Senhor é contigo, o homem o mais valente de todos. 13E Gedeão lhe disse: Se o Senhor é conosco, peço-te, Senhor meu, que me digas, por que caíram sobre nós todos os males? Onde estão aquelas suas maravilhas, que nossos pais nos têm contado, dizendo: O Senhor nos tirou do Egito? mas agora nos tem o Senhor desamparado, e nos entregou nas mãos dos madianitas. 14E o Senhor olhou para êle, e lhe disse: Vai nessa tua fortaleza, e livrarás a Israel do poder dos madianitas: sabe que eu sou quem te manda. 15Gedeão lhe replicou: Dizé-me, te peço, meu Senhor, como poderei eu livrar a Israel? Tu sabes que a minha família é a última de Manassés, e que eu sou o último na casa de meu pai. 16E o Senhor lhe respondeu: Eu serei contigo: e tu derrotarás os madianitas, como se fôssem um só homem. 17E prosseguiu Gedeão: Se eu achei graça diante de ti, dá-me um sinal por onde conheça que tu és quem me fala. 18E não te vás daqui, menos que eu não volte trazendo um sacrifício, para to oferecer. E êle lhe respondeu: Eu esperarei até que voltes. 19Gedeão pois entrou em casa, e cozeu um cabrito, e fêz duma certa medida de farinha pães asmos: e pondo á carne num cesto, e deitando o caldo da carne numa panela, trouxe tudo ao lugar debaixo do carvalho, e lho presenteou. 20O anjo do Senhor lhe disse: Toma esta carne e esses pães asmos, e põe-nos sôbre essa pedra, e derrama-lhes por cima êsse caldo. Tendo-o assim feito Gedeão, 21estendeu o anjo do Senhor a ponta da vara, que tinha na mão, e tocou a carne e os pães asmos: e imediatamente saiu da pedra fogo, e consumiu a carne, e os pães asmos: e o anjo do Senhor desapareceu de seus olhos. 22E vendo Gedeão que era um anjo do Senhor, disso: Ai de mim, Senhor meu Deus, que vi o anjo do Senhor face a face. 23E o Senhor lhe disse: A paz seja contigo: Não temas, não hás-de morrer. 24Ali mesmo pois edificou Gedeão um altar ao Senhor, e o chamou, a Paz do Senhor, nome que conserva até o dia de hoje. E estando êle ainda em Efra, que pertence à família de Ezri, 25naquela noite lhe disse o Senhor: Toma um touro de teu pai, e outro touro de sete anos, e derribarás o altar de Baal, que é de teu pai: e corta o bosque, que cerca o altar: 26e edificarás um altar ao Senhor teu Deus no alto desta pedra, sôbre a qual puseste antes o sacrifício: e tomarás o segundo touro, e o oferecerás em holocausto sôbre uma fogueira da lenha, que terás cortado do bosque. 27Gedeão tendo tomado dez dos seus servos, fêz o que o Senhor: lhe mandara. Mas temendo a família de seu pai, e os homens da cidade. não o quis fazer de dia, mas cumpriu tudo de noite. 28E como os homens daquela cidade tendo-se levantado pela manhã, vissem derrubado o altar de Baal. e cortado o bosque, e o outro touro pôsto sôbre o altar, que acabava de se ter erigido, 29disseram uns para os outros: Quem fêz isto? E averiguando o autor da obra. se lhes disse: Gedeão filho de Joás fêz tôdas estas coisas. 30E disseram a Joás: faze vir aqui teu filho, para que morra: porque destruiu o altar de. Baal, e cortou o bosque. 31Joás lhes respondeu: Acaso sois vós os vingadores de Baal, para combaterdes por êle? Aquêle que é seu inimigo, morra antes que chegue o dia de amanhã: se êle é Deus, vingue-se de quem destruiu o seu altar. 32Daquele dia em diante foi Gedeão chamado Jerobaal, por causa daquele dito de Joás: Vingue-se Baal. daquele que destruiu o seu altar. 33Entretanto todos os madianitas e os amalecitas e os povos do Oriente se ajuntaram num corpo; e tendo passado o Jordão, acamparam no vale de Jezrael. 34O Espírito do Senhor porém' entrou em Gedeão, o qual tocando com a trombeta convocou a casa de AbieZer, para que o seguisse. 35Enviou também mensageiros por tôda a tribo de Manassés, que também o seguiu: e enviou outros mensageiros às tribos de Aser e de Zabulon e Neftali, que lhe saíram ao encontro. 36E disse Gedeão a Deus: Se tu hás de livrar a Israel, por meio da minha mão, como disseste, 37porei eu na eira êste velo de lã: se o orvalho cair só no velo, e tôda a terra ficar sêca, conhecerei eu daí que salvarás a Israel pela minha mão, segundo prometeste. 38E assim sucedeu. E levantando-se ainda de noite espremendo o velo, encheu uma concha de orvalho. 39Tornou Gedeão a dizer a Deus: Não se acenda contra mim o teu furor se eu ainda fizer outra prova, pedindo sinal no velo. Peço que só o velo esteja sêco, e "tôda a terra molhada do orvalho. 40E naquela noite íêz o Senhor o que Gedeão lhe pedira: e só no velo houve secura, e orvalho em tôda a terra.