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Juízes 8

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Então lhe disseram os filhos de Efraim: Que é isto que pretendeste fazer, não nos querendo chamar, quando ias pelejar contra os madianitas? e queixando-se amargamente, pouco faltou para virem às mãos. 2Gedeão lhe respondeu: Que coisa podia eu fazer, que igualasse ao que vós fizestes? porventura não vale mais um cacho de Efraim, do que as vindimas de Abiezer? 3O Senhor vos entregou nas mãos os príncipes de Madian, Oreb, e Zeb: que pude eu fazer, que chegasse ao que vós fizestes? E dizendo isto, se aplacou a ira daqueles homens que-se tinham enfurecido contra êle. 4E tendo chegado ao Jordão, passou êste rio com os trezentos homens, que trazia consigo: e de cansados não podiam perseguir os que fugiam. 5Disse pois aos moradores de Socot: Rogo-vos que me deis pão para esta gente, que aqui trago, porque se acham em extremo desfalecidos, a fim de podermos ir em alcance de Zebée e Salmana, reis de Madian. 6Os príncipes de Socot responderam: Talvez tens tu já em teu poder as palmas das mãos de Zebée e a Salmana, e por isso nos pedes que demos pão ao teu exército. 7Disse-lhes Gedeão: Pois quando o Senhor me tiver entregado às mãos a Zebée e a Salmana, eu vos moerei as carnes com os espinhos, e abrolhos do deserto. 8E abalando dali, veio a Fanuel: e íêz a mesma suplica aos moradores deste país. E êles lhe deram a mesma resposta, que os de Socot. 9Gedeão lhes disse também: Quando eu voltar em paz, vitorioso, derrubarei esta tôrre. 10Ora Zebée, e Salmana estavam em descanso com o resto do exército. Porque de todas as tropas do Oriente só tinham ficado quinze mil homens, por haverem sido mortos cento e vinte mil combatentes homens de armas. 11E Gedeão tomando o caminho dos que habitavam em tendas, da banda oriental de Nobe, e de Jegbaa, destroçou o campo dos inimigos que se davam por seguros, sem recearem nada de contrário. 12E Zebée e Salmana fugiram, Gedeão indo em seu seguimento os prendeu, pondo em desordem todo o seu exército. 13E tendo voltado da batalha antes do nascer do sol, 14tomou um servo dos de Socot: e perguntou-lhe os nomes dos príncipes e anciãos de Socot, è descreveu a nota de setenta e sete pessoas. 15E veio a Socot, e disse-lhes: Eis-aqui tendes a Zebée, e a Salmana, a respeito dos quais me motejaste, dizendo: talvez estão já em teu poder as mãos de Zebée e de Salmana, e por isso pedes que demos pão à tua gente, que está cansada e desfalecida. 16Tomou pois os anciãos da cidade e espinhos e abrolhos do deserto, e moeu com êles, e despedaçou aqueles homens de Socot. 17Botou também abaixo a torre de Fanuel, depois de ter morto os habitantes da cidade. 18E disse a Zebée e a Salmana: Que tais eram aqueles homens, que vós matastes no Tabor? Responderam êles: Semelhantes a ti, e um dêles como filho de um rei. 19E êle ihes respondeu: Pois esses foram meus irmãos, filhos de minha mãe. Viva o Senhor, que se vós lhe tivésseis salvado a vida, eu vos não mataria. 20E disse para Jeter seu filho primogênito: Levanta-te, e mata-os. Porém Jeter não tirou pela espada: Porque como era ainda rapaz, tinha mêdo. 21E disseram Zebée e Salmana: Vem tu mesmo, e lança-te sôbre nós; porque segundo a idade do homem, assim é o seu esforço. Lavantou-se Gedeão, e matou a Zebée e a Salmana: e tomou os ornamentos e crescentes, que se costumam pôr por adorno em os pescoços dos camelos dos reis. 22E todos os filhos de Israel disseram a Gedeão: Sê nosso príncipe, tu, e teu filho, e o filho de teu filho: Porque nos livraste do poder de Madian. 23E êle lhes respondeu: Nem eu, nem meu filho vos dominará, mas o Senhor terá domínio sôbre vós. 24E lhes disse: Uma só coisa vos peço: Dai-me as arrecadas da vossa presa. Porque os ismaelitas costumavam trazer arrecadas de ouro. 25Êles responderam: Nós tas daremos de muito boa vontade. E estendendo no chão uma capa, botaram nelas as arrecadas havidas da presa: 26E pesaram as arrecadas pedidas, mil e setecentos siclos de ouro, fora os ornamentos e colares, e vestidos de escarlata, de que os reis de Madian costumavam usar, e fora as coleiras de ouro dos camelos. 27E disto fêz Gedeão um Efod, e o pôs na sua cidade de Efra. O que deu ocasião a que todo o Israel idolatrasse, e foi a ruína de Gedeão e de tôda a sua casa. 28Foram pois humilhados os madianitas diante dos filhos de Israel, nem puderam mais levantar cabeça: Mas todo o país ficou em paz os quarenta anos, que Gedeão governou. 29Retirou-se pois Jerobaal filho de Joás, e habitou em sua casa: 30E teve setenta filhos, que saíram da sua coxa: Porque tinha muitas mulheres. 31E uma concubina, que êle tinha em Siquem, lhe pariu um filho chamado Abimelec. 32E morreu Gedeão filho de Joás numa boa velhice, e foi sepultado no jazigo de Joás seu pai em Efra que pertencia à família de Ezri. 33Mas depois que Gedeão morreu, se rebelaram os filhos de Israel, e se contaminaram com Baal. E fizeram aliança com Baal, para que fôsse seu Deus: 34Nem se recordaram do Senhor seu Deus que os livrou das mãos de todos os seus inimigos que os cercavam: 35Nem usaram de piedade com a casa de Gedeão chamado Jerobaal em reconhecimento de todos os benefícios, que tinha feito a Israel.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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