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Lucas 18

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1E propôs-lhes também Jesus esta parábola, para mostrar que importa orar sempre, e não cessar de O fazer, 2dizendo: Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava os homens. 3Havia também na mesma cidade uma viúva, que costumava vir buscá-lo, dizendo: Sustenta.o meu direito contra o que contende comigo. 4E ête por muito tempo lhe não quis deferir. Mas por último disse lá consigo: Ainda que eu não temo a Deus, nem respeito os homens, 5todavia como esta viúva me importuna, far-lhe-ei Justiça, para que por fim não suceda que vindo ela muitas vezes me carregue de afrontas. 6Então disse o Senhor: - Ouvi o que diz êste juiz iníquo: 7E Deus não fará justiça aos seus escolhidos; que estão clamando a êle de dia e de noite, e sofrerá êle que: os oprimam? 8Digo-vos que êle os vingará bem depressa. Mas quando vier o Filho do homem, julgais vós que achará êle alguma fé na terra? 9E propôs também esta parábola a uns, que confiavam em si mesmos, como se fossem justos, e desprezavam aos outros:. 10Subiram do: s homens ao templo a fazer oração: Um fariseu, e outro publicano. 11O fariseu posto ém pé, orava lá no seu interior desta forma: Graças te dou, meu Deus, porque não sou como os mais homens: Que são ladrões, uns injustos, uns adúlteros: Como é também êste publicano. 12Jejuo duas vezes na semana: Pago o dízimo de tudo o que tenho. 13O publicano, pelo contrário, posto lá de longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao Céu: Mas batia nos re "tos, dizendo: Meu Deus, sê propício a mim pecador. 14Digo-vos que êste voltou justificado para sua casa, e não o outro: Porque todo o que se exalta, será humilhado: E todo o que se humilha, será exaltado. 15E algumas pessoas lhe traziam também os seus meninos, para êle os tocar; o que vendo os discípulos, repeliram-nos com palavras desabridas. 16Porém Jesus, chamando a si os meninos disse Deixai vir a mim os meninos, e não lho embaraceis: Porque dos tais é o reino de Deus. 17Em verdade vos digo: Todo o que não receber o Reino de Deus, como um menino, não entrará nêle. 18Então lhe fêz esta pergunta um homem de qualidade, dizendo: Bom Mestre, que devo eu fazer para possuir a vida eterna? 19E Jesus lhe respondeu: Por que me chamas tu bom? ninguém é bom, senão só Deus. 20Tu sabes os mandamentos: Não matarás: Não. cometerás adultério: Não furtarás: Não cJ: rás falso testemunho: Honrarás a teu pai e a tua mãe. 21Disse o homem: Todos êstes mandamentos tenho eu guardado desde a minha mocidade. 22O que tendo ouvido Jesus, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa: Vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no Céu, e depois vem, e segue-me. 23Quando êle ouviu isto, se entristeceu, porque era mui rico. 24E Jesus vendo que êle ficará triste, disse: Que dificultosa coisa é entrarem no Reino de Deus os que têm cabedais. 25Porque é mais fácil entrar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no Reino de Deus. 26E disseram os que o ouviam:- Visto isso, quem é que pode salvar-se? 27Respondeu-lhes Jesus: O que é impossível aos homens, é possível a Deus. 28Então disse Pedro: Eis aqui estamos nós, que deixamos tudo, e te seguimos. 29Jesus lhes respondeu: Em verdade vos digo: Que ninguém há que, uma vez que deixou pelo reino de Deus a casa, ou os pais, ou os irmãos, ou a mulher, ou os filhos, 30logo neste mundo não receba muito mais, e no século futuro a vida eterna. 31Depois tomou Jesus à parte os doze Apóstolos, e lhes disse: Eis aqui vamos para Jerusalém, e tudo o que está escrito pelos profetas tocante ao Filho do homem, será cumprido: 32Porque êle será entregue aos gentios, e será escarnecido, e açoitado, e cuspido: 33E depois de o açoitarem, tirar-lhe-ão a vida, e êle ressurgirá ao terceiro dia. 34Mas os Apóstolos nada disto compreenderam, e era para eles êste discurso um segrêdo, e não penetravam coisa alguma do que se lhes dizia. 35Sucedeu, porém, que quando Jesus ia chegando a Jericó, estava sentado à borda da estrada um cego pedindo esmola. 36E ouvindo o tropel da gente que passava, perguntou que era aquilo. 37E responderam-lhe que era Jesus Nazareno que passava. 38No mesmo tempo se pôs êle a: bradar, dizendo: Jesus, filho de Davi, tem de mim piedade. 39E os que iam adiante repreendiam-no para que se calasse. Porém êle. cada vez gritava mais: Filho de Davi, tem de mim piedade. 40Então Jesus, parando, mandou que lho trouxessem. E quando êle chegou, fêz-lhe esta pergunta, 41dizendo: Que queres que te faça? E êle respondeu: Senhor, que eu veja. 42E Jesus lhe disse: Vê, a tua fé te salvou. 43E logo imediatamente viu, e o foi seguindo, engrandecendo a Deus. E todo o povo, assim que isto pre-senciou, deu louvor a Deus.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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