Lucas 19
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E tendo entrado em Jericó, atravessava Jesus a cidade. 2E vivia nela um homem chamado Zaqueu: E era êle um dos principais entre os publicanos, e pessoa rica: 3E procurava ver a Jesus, para saber quem era: E não o podia conseguir por causa da muita gente, porque era pequeno de estatura. 4E correndo adiante, subiu. a um sicômoro para o ver: Porque por ali havia de passar. 5E quando Jesus chegou àquele lugar, levantando os olhos, ali o viu, e lhe disse: Zaqueu, desce depressa: Porque importa que eu fique hoje em tua casa. 6E desceu êle a tôda a pressa, e recebeu-o gostoso. 7E vendo isto todos, murmuravam, dizendo que tinha ido hospedar-se em casa de um homem pecador. 8Entretanto Zaqueu, pôsto na presença do Senhor, disse-lhe: Senhor: Eu estou para dar aos pobres a metade dos meus bens: E naquilo em que eu tiver defraudado a alguém, pagar-lho-ei quadruplicado. 9Sôbre o que lhe disse Jesus: Hoje entrou a salvação nesta casa: Porque êste também é filho de Abraão: 10Porque o Filho do homem. veio buscar e salvar o que tinha perecido. 11Ouvindo êles isto, continuando Jesus a falar, lhes propôs uma parábola, por ocasião de estar êle perto de Jerusalém: E porque cuidavam que o Reino de Deus se havia de manifestar cedo. 12Disse pois: Um homem de grande nascimento foi para um país muito distante a tomar posse de um reino, para depois voltar. 13E chamando dez servos seus, deu-lhes dez marcos de prata, e disse-lhes: Negociai até eu vir. 14Mas os do seu país o aborreciam, e enviaram nas suas costas deputados que fizessem êste protesto: Não queremos que êste seja nosso rei. 15E com efeito voltou êle com a posse do reino tomada: E mandou chamar aqueles servos, a quem dera o seu dinheiro, a fim de saber quanto cada um tinha negociado. 16Veio pois o primeiro dizendo: Senhor, o teu março adquiriu dez. 17E o Senhor lhe respondeu: Está bem, servo bom, porque fôste fiel no pouco serás governador de dez cidades.: 18Veio depois o segundo dizendo: Senhor, o teu março rendeu cinco. 19Eo Senhor lhe respondeu: Sê tu também governador de cinco cidades. 20Veio também o terceiro dizendo: Senhor, aqui tens o teu março, que eu guardei embrulhado num lenço: 21Porque tive mêdo de ti, que és um homem rígido: Que tiras donde não puseste, e que recolhes o que não semeaste. 22Disse-lhe o Senhor: Servo mau, pela tua mesma bôca te condeno eu: Tu sabias que eu era um homem rígido, que tiro donde não pus, e que recolho o que não semeei: 23Logo por que não meteste tu o meu dinheiro ao banco, para que quando viesse, o recebesse eu então com Os seus lucros? 24E disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe o março de prata, e dai-o ao que tem dez. 25E êles lhe responderam: Senhor, êste já tem dez. 26Pois eu vos digo, que a todo aquele que tiver se lhe dará, e terá mais: Mas ao que não tem, se lhe tirará ainda isso mesmo que tem. 27Quanto porém àqueles meus inimigos que não quiseram que eu fôsse seu rei, trazei-mos aqui, e tirai-lhes a vida em minha presença. 28E dito isto, ia Jesus adiante de todos subindo para Jerusalém. 29E aconteceu que quando chegou perto de Betfagé, e de Betânia, no monte que se chama das Oliveiras, enviou dois discípulos seus, 30dizendo: Ide a essa aldeia, que está fronteira: Entrando nela, achareis um jumentinho atado, em que nunca montou pessoa alguma: Desprendei-o e trazei-o. 31E se alguém vos perguntar: Por que o soltais vós? Dir-lhe-eis assim: Porque o Senhor deseja servir-se 32Partiram pois os que tinham sido enviados: E acharam lá o jumentinho, como o Senhor lhes dissera. 33E quando êles estavam desprendendo o tal jumentinho, lhes disseram seus donos: Por que soltais vós êsse jumentinho? 34E êles responderam: Porque o Senhor tem necessidade dêle. 35Trouxeram-no pois a Jesus. E lançando sôbre o jumentinho os seus vestidos, fizeram-no montar em cima. 36E por onde quer -que êle passava, estendiam os seus vestidos no caminho. 37Mas quando já ia chegando à descida do monte das Oliveiras, todos os seus discípulos, transportados de gôsto, começaram de chusma a louvar a Deus em altas vozes por tôdas as maravilhas que tinham visto, 38dizendo: Bendito o rei que vem em nome do Senhor paz no Céu, e glória nas alturas. 39Então alguns dos fariseus, que se achavam entre o povo, disseram-lhe: Mestre, repreende os teus discípulos. 40Aos qua: s êle respondeu: Asseguro-vos-que se ê!es se calarem, clamarão as mesmas pedras. 41E quando chegou perto, ao ver a cidade, chorou Jesus sôbre ela, dizendo: 42Ah! se ao menos neste dia, que agora te foi dado, conhecesses ainda tu o que te pode trazer a paz! mas por ora tudo isto está encoberto aos teus olhos. 43Porque virá um tempo funesto para ti: No qual os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão: E te porão em apêrto de tôdas as partes: 44E te derribarão por terra a ti, e a teus filhos, que estavam dentro de ti, e não deixarão em ti pedra sôbre pedra: Porquanto não conheceste o tempo da tua visitação. 45E havendo entrado no templo, começou a lançar fora todos os que vendiam e compravam nele, 46dizendo-lhes: Está escrito: Que a minha Casa é Casa de oração. E vós tendes feito dela um covil de ladrões. 47E todos os dias ensinava no templo. Mas os príncipes dos sacerdotes, e os escribas, e os principais do povo andavam vendo como o haviam de perder: 48Mas não achavam meio de lhe fazerem mal. Porque todo o povo estava suspenso quando o ouvia.