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Lucas 20

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1E aconteceu um daqueles dias que, estando Jesus no templo ensinando ao povo, e anunciando o Evangelho, se ajuntaram os príncipes dos sacerdotes, e os escriizas com os anciãos. 2E falaram-lhe nestes têrmos: Dize-nos, rom que autoridade fazes tu estas coisas? ou: Quem é que te deu êste poder? 3E respondendo Jesus, lhes disse: Também eu vos farei uma pergunta. Respondei-me: 4O batismo de João era do Céu ou era dos homens? 5Mas êles discorriam dentro de si, dizendo. Se dissermos que era do Céu, dirá: Por que razão logo não crestes nele? 6E se dissermos que era dos homens, todo o povo nos apedrejará: Porque êles têm por certo que João era um profeta. 7Responderam pois que não sabiam donde era. 8Disse-lhes então Jesus: Pois nem eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. 9E começou a dizer ao povo esta parábola: Um homem plantou uma vinha, e arrendou-a a uns fazendeiros: E êle estêve ausente por muitos tempos. 10E em uma ocasião enviou um dos, seus servos aos fazendeiros, para que lhe dessem do fruto da vinha. Eles, depois de o ferirem, recambiaram-no sem coisa alguma. 11E tornou a enviar outro servo. Mas êles, ferindo também a êste, e carregando-o de afrontas, o despediram vazio. 12Tornou a enviar ainda terceiro: Êles, ferindo também a êste, o deitaram fora. 13Disse então o senhor da vinha: Que hei de fazer? Mandarei meu filho amado: Sem dúvida que quando o virem, lhe guardarão: respeito. 14Quando os fazendeiros o viram, discorreram entre si, dizendo: Êste é o herdeiro, matemo-lo, para fazer nossa a herança. 15E lançando-o fora da vinha, o mataram. Que lhes fará pois o senhor da vinha? 16Virá e acabará de todo com aqueles fazendeiros, e dará a vinha a outros. O que ouvindo eles, lhe disseram: Deus tal não permita. 17E êle olhando para êles, disse: Pois que quer dizer isto que está escrito: A pedra, que desprezaram os edificadores, esta veio a ser a principal do ângulo? 18Todo o que cair sôbre aquela pedra, ficará quebrantado: E sôbre quem ela cair, será feito em migalhas. 19E os príncipes dos sacerdotes, e os escribas lhe desejavam lançar as mãos naquela hora: Mas temeram ao povo: E isto porque entenderam que contra êles havia proposto esta parábola. 20Com o ôlho pois nele mandaram espias, que se disfarçassem em homens de bem, para o apanharem no que dizia, a fim de o entregarem à jurisdição e poder do governador. 21Estes pois lhe fizeram uma pergunta, dizendo: Mestre, sabemos que falas e ensinas retamente: E que não fazes acepção de pessoas, mas que ensinas o caminho de Deus em verdade: 22E' -nos permitido dar o tributo a César ou não? 23E entendendo Jesus a astúcia dêles, lhes disse: Por que me tentais? 24Mostrai-me cá um dinheiro: De quem é a imagem e a inscrição que tem? Respondendo eles, lhe disseram: De César. 25Então lhes disse o Senhor: Pagai logo a César o que é de César: E a Deus o que é de Deus. 26E não puderam repreender as suas palavras diante do povo: Antes, admirados da sua resposta, se calaram. 27Chegaram depois alguns dos saduceus, que dizem que não há ressurreição, e lhe fizeram esta pergunta, 28dizendo: Mestre, Moisés nos deixou escrito: Se morrer o irmão de algum, tendo mulher, e êste não deixar filhos, que se case com ela o irmão do tal, e dê sucessão a seu irmão. 29Havia pois sete irmãos: O primeiro dos quais casou, e morreu, sem filhos. 30Casou também o segundo com a viúva, é morreu sem filho. 31Casou depois com ela o terceiro. - E assim suces-sivamente todos os sete, os quais também morreram sem deixar sucessão. 32Morreu enfim também a mulher depois de todos eles. 33Quando fôr pois a ressurreição, de qual dêles será ela mulher? Pois que o foi de todos os sete. 34E Jesus lhes disse: Os filhos dêste século casam homens com mulheres, e mulheres com homens: 35Mas os que forem julgados dignos daquele século, e da ressurreição dos mortos, nem os homens desposarão mulheres, nem as mulheres homens: 36Porque não poderão jamais morrer: Porquanto são iguais aos Anjos, e são filhos de Deus: Visto serem filhos da ressurreição. 37E que os mortos hajam de ressuscitar, o mostrou também Moisés ao pé da sarça, quando chamou ao Senhor o Deus de Abraão, e o Deus de Isaac, e o Deus de Jacó. 38Ora, Deus não.o é de mortos, mas de vivos: Porque todos vivem para êle. 39E respondendo alguns dos escribas, lhe disseram: Mestre, disseste bem. 40E dali em diante não se atreveram mais a fazer-lhe pergunta alguma. 41Mas Jesus lhes disse: Como dizem que o Cristo é filho de Davi? 42Porque Davi mesmo no livro dos Salmos d'z: Disse o Senhor ao meu Senhor: Senta-te à minha mão direita, 43até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés. 44Logo Davi lhe chama Senhor: Pois como é êle seu filho? 45Estando-o porém ouvindo todo o povo, disse Jesus a seus discípulos: 46Guardai-vos dos escribas, que querem andar com roupas talares, e gostam de ser saudados nas praças, e das primeiras cadeiras nas Sinagogas, e dos primeiros assentos nos banquetes: 47Que devoram as casas das viúvas, fingindo largas orações. Êstes tais receberão maior condenação.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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