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Lucas 22

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Estava pois chegada a festa dos pães asmos, que se chama a Páscoa: 2E os príncipes dos sacerdotes, e os escribas andavam buscando modo de tirarem a vida a Jesus: Porém temiam o povo. 3Ora, satanás entrou em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, um dos doze: 4E foi, e tratou com os príncipes dos sacerdotes, e com os magistrados, de como lho entregaria. 5E êles folgaram com isso, e ajustaram de lhe darem dinheiro. 6E Judas deu também a sua palavra. Para o que buscava ocasião oportuna de lho entregar sem tumulto. 7Entretanto chegou o dia dos pães. asmos, no qual era necessário imolar-se a Páscoa. 8Enviou pois Jesus a Pedro e a João, dizendo: Ide aparelhar-nos a Páscoa, para a comermos. 9E êles lhe perguntaram: Onde queres tu que nós ta aparelhemos? 10E respondeu-lhes Jesus: Tanto que vós entrardes na cidade, sair-vos-á ao encontro um certo homem, que levará uma bilha de água: Ide seguindo-o até à casa em que êle entrar. 11E direis ao pai de família da casa: O Mestre te manda dizer, onde está o aposento que tu mc dás, para eu nele comer a Páscoa com os meus discípulos? 12E êle vos mostrará uma grande sala tôda ornada, e ali fazei os preparos. 13Indo êles pois, acharam tudo como o Senhor lhes - dissera, e prepararam a Páscoa. 14E chegada que foi a hora, pôs-se Jesus à mesa, e com êle os doze Apóstolos: 15E disse-lhes: Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes da minha Paixão. 16Porque vos declaro. que a não tornarei mais a comer, até que ela se cumpra no Reino de Deus. 17E depois de tomar o cálice, deu graças, e disse: Tomai-o, e distribui-o entre vós:. 18Porque vos declaro que não tornarei a beber do fruto da vida enquanto não chegar o Reino de Deus. 19Também depois de tomar o pão deu graças, e partiu-o, e deu-lho, dizendo: Êste é o meu corpo, que se dá por vós: Fazei-isto em memória de mim. 20Tomou também da mesma sorte o cálice, depois de cear, dizendo: Êste cálice é o Novo Testamento em meu sangue, que será derramado por vós. 21Entretanto eis aí a mão de quem me há de entregar, está à mesa comigo. 22E na verdade o Filo do homem vai, segundo o que está decretado: Mas ai daquele homem, por quem êle há de ser entregue! 23Começaram êles então a perguntar entre si, qual dêles seria o que tal houvesse de fazer. 24E excitou-se também entre êles a questão, sôbre qual dêles se devia reputar o maior. 25Porém Jesus lhes disse: Os reis dos gentios dominam sôbre êles: E os que têm sôbre êles autoridade, chamam-se benfeitores. 26Não há de ser.porém assim entre vós outros: Mas o que entre vós é maior, faça-se como o mais pequeno: E o que governa, seja como o que serve. 27Porque qual é maior, o que está sentado à mesa, ou o que serve? Não é maior o que está sentado à mesa? Pois eu estou no meio de vós outros, assim como o que serve: 28Mas. vós outros sois os que haveis permanecido comigo nas minhas tentações: 29E por isso eu preparo o reino para vós outros, como meu Pai o tem preparado para mim. 30Para que comais, e bebais à minha mesa, no meu reino: E vos senteis sôbre tronos, para julgar as doze tribos de Israel. 31Disse mais o Senhor: Simão, Simão, eis aí vos pediu satanás com instância para vos joeirar como trigo. 32Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não falte: E tu enfim, depois de convertido, conforta a teus irmãos. 33Respondendo-lhe Pedro: Senhor, eu estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão, como a morrer. 34Mas Jesus lhe disse: Declaro-te, Pedro, que não cantará hoje o galo, sem que tu por três vezes não hajas negado que me conheces. Depois perguntou-lhes: 35Quando eu vos mandei caminhar sem bolsa, e sem alforge, e sem sapatos, faltou-vos porventura alguma coisa? 36E êles responderam: Nada. Prosseguiu logo Jesus: Pois agora quem tem bolsa, tome-a, e também alforge: E o que a não tem, venda a sua túnica e compre espada. 37Porque vos digo, que é necessário que se veja cumprido em mim ainda isto que está escrito: E foi repti-tado por um dos iníquos. Porque as coisas que dizem respeito a mim, vão já a ter o seu cumprimento. 38Mas êles responderam: Senhor, eis aqui estão duas espadas. E Jesus lhes disse: Basta. 39E tendo saído, foi dali, como costumava, para o monte das Oliveiras. E seus discípulos o seguiram também. 40E quando chegou àquele lugar, lhes disse: Orai para que não entreis em tentação. 41E Jesus se arrancou dêles obra de um tiro de pedra: E pôsto de joelhos, orava, 42dizendo: Pai, se é do teu agrado, transfere de mim êste cálice: Não se faça contudo a minha vontade, senão a tua, 43Então lhe apareceu um anjo do Céu, que o con-fortava. E pôsto em agonia, orava Jesus com maior instância. 44E veio-lhe um suor, como de gotas de sangue, que corria sôbre a terra. 45Depois, tendo-se levantado da oração, e vindo ter com seus discípulos, achou-os dormindo de tristeza. 46E disse-lhes: Que, vós dormis? Levantai-vos, orai, para que não entreis em tentação. 47Estando êle ainda falando, eis que chega um tropel de gente: E um dos doze, que se chamava Judas, vinha à testa dêles: O qual se chegou a Jesus para o beijar. 48E Jesus lhe disse: Judas, basta que entregues o Filho do homem, dando-lhe mn ósculo? 49Então os que estavam com Jesus, vendo no que isto viria a parar, disseram para êle: Senhor, firamo-los à espada? 50E um dêles deu um golpe num servo do sumo pontífice, e cortou-lhe a orelha direita. 51Mas respondendo Jesus, disse: Deixai-os, basta. E tendo-lhe tocado a orelha, o sarou. 52E voltando-se Jesus para os príncipes dos sacerdotes, e para os magistrados do templo, e para os anciãos, que tinham vindo contra êles, disse: Viestes armados de espadas e de varapaus como contra um ladrão? 53Havendo eu estado cada dia convosco no templo, nunca estendestes as mãos contra mim: Porém esta é a vossa hora, e o poder das trevas. 54Prgndendo logo a Jesus, o levaram à casa do sumo pontífice: E Pedro o ia seguindo de longe. 55E tendo-se acendido fogo no meio do pátio, e sentando-se todos em roda, estava Pedro no meio dêles. 56Então uma escrava, que o viu sentado ao lume, depois de encarar bem nele, disse: ste também era da companhia daquele homem. 57Mas Pedro o negou, dizendo: Mulher, eu não o conheço. 58E daí a pouco vendo-o outro, disse-lhe: Tu também és dos tais. Ao que Pedro respondeu: Homem, não o sou. 59E tendo-se passado o intervalo quase de uma hora, afirmava outro o mesmo, dizendo: Certamente que êste também estava com êle: Pois que também é galileu. 60E Pedro lhe respondeu: Homem, eu rião sei que é o que tu dizes. E no mesmo ponto, quando êle ainda falava, cantou o galo. 61E voltando-se o Senhor pôs os olhos em Pedro. E Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Antes que o galo cante, me negarás três vezes: 62E tendo saído para fora, chorou Pedro amargamente. 63Entretanto os que tinham prêso 'a Jesus, faziam escárneo dêle, ferindo-o. 64E vendaram-lhe os olhos, e davam-lhe na cara: E perguntavam-lhe, dizendo: Adivinha quêm é o que te deu? 65E diziam outras muitas afrontas, blasfemando 66E depois que foi dia se ajuntaram os anciãos do povo, e os príncipes dos sacerdotes, e os escribas, e o levaram ao seu conselho, dizendo ali: Se tu és o Cristo, dize-no-lo. 67E respondeu-lhes Jesus: Se vo-lo disser, não me haveis de dar crédito. 68E também se vos fizer qualquer pergunta, não me haveis de responder, nem deixar ir. 69Mas depois disto estará sentado o Filho do homem à mão direita do poder de Deus. 70Então disseram todos: Logo tu és o Filho de Deus? Respondeu êle: Vós o dizeis, que eu o sou. 71E eles prosseguiram: Que mais testemunho nos é necessário? quando nós mesmos' o -ouvimos.da sua bôca.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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