Lucas 23
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E levantando-se tôda a multidão dos daquele conselho, levaram Jesus a Pilatos. 2E começaram a acusá-lo, dizendo: A êste temos achado pervertendo a nossa nação, e vedando dar o tributo a César, e dizendo que êle é o Cristo Rei. 3E Pilatos lhe perguntou, dizendo: Tu és o rei dos judeus? E êle respondendo, disse: Tu o dizes. 4Então disse Pilatos aos príncipes dos sacerdotes, e ao povo: Eu não acho neste homem crime algum. 5Mas êles porfiavam cada vez mais, dizendo: Êle subleva o povo com a doutrina que prega por tôda a Judéia, desde Galiléia, onde começou, até aqui. 6E Pilatos, ouvindo falar de Galiléia, perguntou se era galileu aquele homem. 7E quando soube que era da jurisdição de Herodes, remeteu-o ao mesmo Herodes, o qual naqueles dias pessoalmente se achava também em Jerusalém. 8E Herodes tendo visto a Jesus, folgou muito; porque de longo tempo tinha desejo de o ver, por ter ouvido dizer dêle muitas coisas, e esperava ver-lhe fazer algum milagre. 9Fêz-lhe pois muitas perguntas. Mas êle a nenhuma deu resposta. 10E os príncipes dos sacerdotes, e os escribas estavam ali presentes, acusando-o com grande instância. 11Herodes, porém, com os do seu exército desprezou-o, e fêz escárneo dêle, tendo-o mandado vestir de uma vestidura branca, e tornou-o a enviar a Pilatos. 12E naquele dia ficaram amigos Herodes e Pilatos, porque estavam antes inimigos um do outro. 13Pilatos, pois, tendo. chamado os príncipes dos sacerdotes, e os magistrados, e o povo, 14lhes disse: Vós apresentastes-me êste homem, como perturbador do povo, e vêde que fazendo-lhe eu perguntas diante de vós outros, não achei neste homem culpa alguma daquelas de que o acusais. 15Nem Herodes tampouco, porque vos remeti a êle e eis que nada se lhe tem provado que mereça morte. 16Soltá-lo-ei logo depois de o castigar. 17Ora, Pilatos estava precisado a soltar-lhes pela festa um criminoso. 18Por isso todo o povo gritou a uma voz dizendo: Faze morrer êste, e solta-nos Barrabás. 19O qual havia sido prêso por causa de uma sedi-. ção feita na cidade, e por causa de um homicídio. 20E Pilatos, que desejava livrar a Jesus, falou de novo aos judeus. 21Mas êles tornaram a gritar, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o. 22E terceira vez lhes disse Pilatos: Pois que mal fêz êle? Eu não acho nele causa alguma de morte; irei. logo castigá-lo, e depois soltá-lo-ei. 23Mas êles instavam, pedindo a grandes vozes que fôsse crucificado, e cresciam mais as suas vozes. 24Enfim ordenou Pilatos que se executasse o que êles pediam. 25No mesmo tempo soltou-lhes aquele que havia sido prêso por causa do homicídio, e da sedição, que era quem eles pediam, e permitiu-lhes que fizessem de Jesus o que, quisessem, 26Indo-o já levando, pegaram num certo homem de Cirene, chamado Simão, que vinha de uma granja, e puseram a Cruz sôbre êle, para que a levasse após de Jesus. 27E seguia-o uma grande multidão de povo, e de mulheres: Que batendo nos peitos o choravam e lamenta-vam. 28Mas Jesus voltando-se para elas, lhes disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sôbre mim, mas chorai sôbre vós mesmas, e sôbre vossos filhos. 29Porque sabei que virá tempo em que se dirá: Ditosas as que são estéreis, e ditosos os ventres que não geraram, e ditosos os peitos que não deram de mamar. 30Então começarão os homens a dizer aos montes: Caí sôbre nós: e aos outeiros: Cobri-nos. 31Porque se isto se faz no lenho verde, que se fa-Tá no sêco? 32E eram também levados com Jesus outros dois, que eram malfeitores, para se lhes dar a morte. 33E depois chegaram ao lugar que se. chama Calvário; ali o crucificaram a êle, e aos ladrões, um à direita e outro à esquerda. 34E Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Dividindo porém ós seus vestidos, sor-tearam-nos. 35Entretanto estava o povo olhando para êle e os príncipes -dos sacerdotes com o povo o escarneciam, dizendo: Quem salvou aos outros, que se salve a si, se êste é o Cristo escolhido de Deus. 36E da mesma sorte o escarneciam os soldados, chegando-se a êle, e oferecendo-lhe a beber vinagre, 37e dizendo: Se tu és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo. 38E estava também sôbre êle um título, escrito em letras gregas, e latinas, e hebraicas, o qual dizia: ESTE 39E um daqueles ladrões, que estavam dependura-dos, blasfemava contra êle, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós outros. 40Mas o outro respondendo, o repreendia, dizendo: Nem ainda tu temes a Deus, estando no mesmo suplício.: 41E nós outros o estamos nã: verdade justamente, porque recebemos o castigo que merecem as nossas obras: Mas êste nenhum mal fêz. 42E dizia a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares: no teu reino: 43E Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo: Que hoje serás comigo no paraíso. 44Era então quase a hora sexta, e tôda a terra ficou coberta de trevas até à hora nona:. 45Escureceu-se também o sol: E rasgou-se pelo. meio o véu do templo. 46E Jesus dando um grande brado, disse: Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito. E dizendo estas palavras, expirou. 47O centurião, porém, que tinha visto o que sucedera, deu glória a Deus, dizendo: Na verdade que êste homem era justo. 48E todo o povo que assistia a êste espetáculo, e via o que se passava, retirava-se batendo nos peitos. 49Todos os que eram do conhecimento de Jesus, e as mulheres que o tinham seguido desde Galiléia; estavam da mesma sorte vendo estas coisas lá de parte. 50E eis que um varão por nome José, que era do sanedrim, varão bom, e justo, 51que não tinha consentido com a detêrminação dos outros nem com o que êles tinham obrado, de Arimatéia, cidade de Judéia, o qual também esperava o reino de Deus: 52Êste homem pois foi ter com Pilatos, e pediu-lhe o corpo de Jesus: 53E depois que o desceu, amortalhou-o num lençol, e depositou-o num sepulcro aberto em rocha, onde ainda ninguém tinha sido pôsto. 54Era então dia da preparação, e já raiava o sábado. 55Ora, as mulheres, que tinham vindo de Galiléia com Jesus, indo atrás de José, observaram o sepulcro, e como o corpo de Jesus fôra nele depositado. 56E voltando, prepararam aromas e bálsamos: E quanto ao dia de sábado, estiveram sem fazer coisa alguma, segundo a lei.