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Lucas 4

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Cheio pois do Espirito Santo voltou Jesus do Jordão, e foi levado pelo Espirito ao deserto. 2Onde esteve quarenta dias, e foi tentado pelo diabo. E não comeu nada nestes dias, e passados êles teve fome. 3Disse-lhe então o demônio: Se és Filho de Deus, dize a esta pedra que se converta em pão. 4E Jesus lhe respondeu: Está escrito que o homem não vive somente de pão. mas de tôda a palavra de Deus. 5E o demônio o levou a um alto monte, e lhe mostrou todos os reinos da redondeza da terra em um momento de tempo. 6E lhe disse: Dar-te-ei todo êste poder, e a glória dêstes reinos, porque êles me foram dados, e eu os dou a quem bem me parece. 7Portanto, se tu na minha presença prostrado me adorares, todos êles serão teus. 8E respondendo Jesus, lhe disse: Escrito está: Ao Senhor teu Deus adorarás, e a êle só servirás. 9Levou-o ainda a Jerusalém, e pô-lo sôbre o pináculo do Templo, e disse-lhe: Se és Filho de Deus!an-ça-te daqui abaixo. 10Porque está escrito que Deus mandou aos seus Anjos que tivessem cuidado de ti, e que te guardassem. 11E que te sustivessem em seus braços, para não maguares talvez o teu pé em alguma pedra. 12E respondendo Jesus, lhe disse: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus. 13E, acabada tôda a tentação, se retirou dele o demônio, até certo tempo. 14E voltou Jesus em virtude do Espírito para Galiléia, e a fama dele se divulgou por todo aquele, pais. 15E êle ensinava nas Sinagogas deles, e era acla-mado grande por todos. 16E veio a Nazaré, onde se havia criado, e entrou na Sinagoga segundo o seu costume em dia de sábado, e ldvantou-se para ler. 17E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías. E quando desenrolou o livro, achou o lugar onde estava escrito: 18O Espírito do Senhor repousou sôbre mim, pelo que êle me consagrou com a sua unção, e enviou-me a pregar o Evangelho aos pobres, a sarar aos quebrantados de coração. 19A anunciar aos cativos redenção, e aos cegos vistas, a pôr em liberdade aos quebrantados para seu resgate, a publicar o ano favorável do Senhor, e o dia da retribuição. 20E havendo enrolado o livro, o deu ao ministro, e se assentou. -E quantos havia na Sinagoga tinham os olhos fixos nele: 21E começou êle a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura nos vossos ouvidos. 22E todos lhe davam testemunho, e se admiravam da graça das palavras que saiam da sua bôca, e diziam: Não é êste o filho de José? 23Então lhes disse Jesus: Sem dúvida que vós me aplicareis êste provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo: tôdas aquelas grandes coisas que ouvimos dizer, que fizeste em Cafarnaum, faze-as também aqui na tua pátria. 24E prosseguiu: Na verdade vos digo, que nenhum profeta é bem aceito na sua pátria: 25Na verdade vos digo, que muitas viúvas havia em Israel nos dias de Elias, quando foi fechado o Céu por três anos e seis meses, quando houve uma grande fome por tôda a terra: 26E a nenhuma delas foi mandado Elias, senão a uma mulher viúva de Sarepta de Sidônia. 27E muitos leprosos havia em Israel em tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi limpo senão Naaman, da Síria. 28E todos os que estavam na Sinagoga, ouvindo isto, se encheram de ira. 29E levantaram-se, e o lançaram fora da cidade: E'o conduziram até ao cume do monte, sôbre o qual a sua: cidade estava fundada, para o precipitarem. 30Mas êle, passando pelo meio deles, se retirou. 31E desceu a Cafarnaum, cidade de Galiléia, e ali os ensinava nos sábados. 32E êles se espantavam da sua doutrina, porque a sua palavra era com autoridade. 33E estava na Sinagoga um homem possesso do espírito imundo, e exclamou em voz alta, 34dizendo: Deixa-nos, que tens tu conosco, Jesus Nazareno? Vieste a perder-nos? Bem sei quem és: E's o Santo Deus. 35Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te, e sai dêsse homem. E o demônio depois de o ter lançado em terra no meio de todos, saiu dele, sem lhe fazer algum mal. 36E ficaram todos cheios de pavor, e falavam uns com os outros, dizendo: Que coisa é esta, porque êle com poder, e com virtude manda aos espíritos imundos, e estes saem? 37E por todos os lugares do país corria a fama do seu nome. 38E saindo Jesus da Sinagoga, entrou em casa de, Simão. Ora a sogra de Simão padecia grandes febres: E pediram-lhe que se compadecesse dela. 39E inclinando-se em pé sôbre ela, pôs preceito à febre: E a febre a deixou.: E ela levantando-se logo, se pôs a servi-los. 40E quando foi sol pôsto, todos cs que tinham enfermos de diversas moléstias lhos traziam. E êle, pondo as mãos sôbre cada tim dêles, os sarava. 41E de muitos saiam os demônios, gritando, e dizendo: Tu és o Filho de Deus. Mas êle, repreendendo-os; não permitia que êles tal dissessem: Que sabiam que êle mesmo era o Cristo. 42E depois que foi dia, tendo saído, se retirou para um lugar deserto, e as gentes o buscavam, e foram até, onde êle estava: E o detinham para que se não apartasse deles. 43Êle lhes disse: Às outras cidades é necessário também que eu anuncie o reino de Deus: Que para isso é que fui enviado.: 44E andava pregando nas Sinagogas de Galiléia.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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