Lucas 5
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E aconteceu que atropelando-o a gente, acudia a êle para ouvir a palavra de Deus: E êle estava à borda do lago de Genesaré. 2E viu duas barcas que estavam à borda do lago: E os pescadores haviam saltado em terra, e lavavam as suas rêdes. 3E entrando em uma destas barcas, que era de Simão, lhe rogou que o apartasse um pouco da terra. E estando sentado ensinava ao povo desde a barca. 4E logo que acabou de falar disse a Simão: Faze-te mais ao largo, e soltai as vossas rêdes para pescar. 5E respondendo Simão, lhe disse: Mestre, depois de trabalharmos tôda a noite, não apanhamos coisa alguma: Porém sôbre a tua Palavra soltarei a rede. 6E depois que assim o. fizeram, apanharam peixe em tanta abundância, que a rede se lhes rompia. 7O que os obrigou a dar sinal aos companheiros, que estavam em outra barca, para que os viessem ajudar. E vieram, e encheram tanto ambas as barcas, que pouco faltava que elas não fossem ao fundo. 8O que vendo Simão Pedro, lançou-se aos pés de Jesus, dizendo: Retira-te de mim, Senhor, que sou um homem pecador. 9Porque o espanto o tinha assombrado a êle e a todos os que se achavam com êle, de ver a pesca de peixes que haviam feito: 10E da mesma sorte havia deixado atônitos a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, aque eram companheiros de Simão. Mas Jesus disse a Simão: Não tenhas mêdo: Desta hora em diante serás pescador de homens. 11E.como chegaram à terra as barcas, deixando tudo, fcram-no seguindo. 12E sucedeu que se achava Jesus em uma daquelas cidades, e eis que apareceu um homem cheio de lepra, o qual vendo a Jesus, e lançando-se com o rosto em terra, lhe fêz esta rogativa, dizendo: Senhor, se tu queres, bem me podes limpar. 13E êle, estendendo a mão, lhe tocou, dizendo: Quero: Sê limpo. E no mesmo ponto desapareceu dêle a lepra: 14E o mesmo Jesus lhe mandou que a ninguém o dissesse: Mas, vai, lhe disse, mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua limpeza o que foi ordenado por Moisés, para lhes servir de testemunho. 15Entretanto se dilatava cada vez mais a fama do seu nome: E concorriam muitas gentes para o ouvirem, e para serem curadas das suas enfermidades. 16Mas êle se retirava para o deserto, e se punha em oração. 17E aconteceu um dia que também êle se achava sentado ensinando. E estavam igualmente assentados ali uns fariseus, e doutores da lei, que tinham vindo de tôdas as aldeias de Galiléia, e de Judéia, e de Jerusalém: E a virtude do Senhor operava para os sarar. 18E eis que apareceram uns homens que traziam sôbre um leito um homem que estava paralítico: É o procuravam introduzir dentro na casa, e pô-lo diante de'e. 19Mas não achando por onde o introduzir, por ser muita a gente, subiram ao telhado, e pelas lages desceram-no com e leito no meio da casa diante de Jesus. 20O qual, como viu a fé dos homens, disse: Homem, os teus pecados te são perdoados. 21Então começaram os escribas, e os fariseus a discorrer lá consigo, dizendo: Quem é êste que diz blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão só Deus? 22Mas Jesus, como entendia os pensamentos deles, respondendo, lhes disse: Que considerais vós lá nos vossos corações?. 23Qual é mais fácil dizer: São-te perdoados os pecados: Ou dizer: Levanta-te, e anda? 24Pois para que saibas que o Filho do homem tem sôbre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico): A ti te digo, levanta-te, toma o teu leito e vai-te para tua casa. 25E levantando-se logo à vista deles, tomou o leito em que jazia: E foi para sua casa, engrandecendo a Deus. 26E ficaram todos pasmados e engrandeceram a Deus. E penetraram-se de temor, dizendo: Hoje temos visto prodígios. 27E depois disto saiu Jesus, e viu sentado no telônio um publicano, por nome Levi, e disse-lhe: Segue-me. 28E êle, deixando tudo, levantando-se, o seguiu. 29E Levi lhe deu um grande banquete em sua casa: Onde concorreu grande número de publicanos, e de outros, que estavam sentados à mesa com êles. 30Porém os fariseus, e os escribas deles murmu-ravarh, dizendo aos discípulos de Jesus: Por que comeis e bebeis vós com publicanos e pecadores? 31E respondendo Jesus, lhes disse: Os que se acham sãos não necessitam' de médico, mas os que estão. enfermos. 32Eu vim chamar não os justos, mas os pecadores a penitência. 33Então lhe disseram êles: Por que razão os discípulos de João, e assim mesmo os dos fariseus, fazem muitos jejuns, e orações: E os teus comem, e bebem? 34Aos quais respondeu Jesus: Porventura podeis vós fazer que jejuem cs amigos do espõso, enquanto o espôso está com êles? 35Mas lá virão d'as, nos quais quando o espôso lhes for tirado, então jejuarão naqueles d'as. 36E também lhes propôs esta comparação: Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho: Porque doutra sorte rompe-se o pano novo e o retalho novo não condiz com o velho. 37Também ninguém lança vinho novo em odres velhos: Porque de outra sorte fará o vinho novo arrebentar os odres, e entornar-se-á o mesmo vinho, e perder-se-ão os odres: 38Mas o vinho novo deve-se recolher em odres novos, e assim tudo se conserva. 39De mais que ninguém bebendo do vinho velho. quer logo do novo, porque diz: E” melhor o velho.