Lucas 6
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E aconteceu um dia de sábado, chamado segundo primeiro, que como' passasse pelas searas, os seus discipulos ccrtavam espigas, e machucando-as nas mãos as comiam. 2Taleuns dos fariseus lhes diziam: Por que fazeis o que não é lícito nos sábados? 3E respondendo-lhes Jesus, disse: Vós não tendes lido o que fêz Davi, quando teve fome êle, e os que com êle estavam? 4Como entrou na casa de Deus, e tomou os pães da proposição, e comeu deles, e deu aos que vinham com êle: Sendo assim que não podiam comer deles, senão só os sa 5Disse-lhes mais: O Filho do homem é Senhor também do sábado mesmo. 6E aconteceu que também outro sábado entrou Jesus na Sinagoga, e ensinava. E achava-se ali um homem que tinha ressecada a mão direita. 7E os escribas, e os fariseus o estavam observando, para ver se curava em sábado: A fim de terem de que o acusar. 8Mas Jesus sabia os pensamentos deles: E disse para o homem que tinha a mão ressecada: Levanta-te e põe-te em pé no meio. E levantando-se êle, ficou em pé. 9E Jesus lhes disse: Pergunto-vos, se é lícito nos sábados fazer bem, ou mal: Salvar a vida, ou tirá-la? 10Depois correndo a todos com os olhos, disse ao homem: Estende a tua mão. E estendeu-a êle, e foi-lhe restituida a mão. 11E êles se encheram de furor e falavam uns com os outros, para ver que fariam de Jesus. 12E aconteceu naqueles dias, que saiu ao monte a orar, e passou tôda a noite em oração a Deus. 13E quando foi dia, chamou os seus discípulos: E escolheu dentre êles doze que chamou Apóstolos, 14a saber: Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro, e André seu irmão, Tiago, e João, Filipe, e Bartolomeu, 15Mateus, e Tomé, Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado o Zelador. 16E Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, que foi o traidor. 17Descendo depois com êles, parou numa planície, acompanhado da comitiva de seus discípulos e de grande multidão de povo de tôda a Judéia e de Jerusalém e das terras marítimas, assim de Tiro, como de Sidônia. 18Que tinham concorrido a ouvi-lo e para que os sarasse das suas enfermidades. E os que eram vexados dos espíritos imundos ficavam sãos. 19E todo o povo fazia diligência por tocá-lo: Pois saía dêle uma virtude, que os curava a todos. 20E levantando êle os olhos para seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós os pobres: Porque vosso é o reino de Deus. 21Bem-aventurados os que agora tendes fome: Porque vós sereis fartos. Bem-aventurados os que agora chorais: Porque vós vos rireis. 22Bem-aventurados sereis quando os homens vos aborrecerem, e quando vos separarem, e carregarem de injúrias, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem. 23Folgai naquele dia, e exultai: Porque olhai, grande é o vosso galardão no Céu: Porque desta maneira tratavam aos profetas os pais dêles. 24Mas ai de vós os que sois ricos, porque tendes a vossa consolação. 25Ai de vós os que estais fartos: Porque vireis a ter fome. Ai de vós os que agora rides: Porque geme-reis e chorareis. 26Aide vós, quando vos louvarem os homens: Porque assim faziam os falsos profetas aos pais dêles. 27Mas digo-vos a vós outros, que me ouvis: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos têm ódio. 28Dizei bem dos que dizem mal de vós, e orai pelos que vos caluniam. 29E ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra. E ao que te tirar a capa, não deiendas levar também a túnica. 30E dá a todo aquele que te pedir: E'ao que tomar o que é teu, não lho tornes a pedir. 31Eco que quereis que vos façam a vós os homens, isso mesmo fazei vós a êles. 32E se vós amais aos que vos amam, que merecimento é o que vós tereis? porque os pecadores também amam aos que os amam a êles. 33E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que merecimento é o que vós tereis? porque isto mesmo fazem os pecadores. 34E se vós emprestardes àqueles, de quem esperais receber, que merecimento é o que vós tereis? porque também os pecadores emprestam uns aos outros, para que se lhes faça outrotanto. 35Amai pois a vossos inimigos: Fazei bem, e em-prestai, sem daí esperardes nada: E tereis muito avultada recompensa, e sereis filhos do Altíssimo, que faz bem aos mesmos que lhe são ingratos e maus. 36Sêde pois misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. 37Não julgueis, e não sereis julgados: Não con-deneis, e não sereis condenados. Perdoai, e sereis perdoados. 38Dai, e dar-se-vos-á: No seio vos meterão uma boa medida, e bem cheia, e bem acalcada, e bem acogula-da. Porque qual fôr a medida de que vós usardes para os outros, tal será a que se use para vós. 39E pôs-lhe também esta comparação: Pode acaso um cego guiar outro cego? não é assim que um e outro cairão no barranco? 40Não é o discípulo sôbre o mestre: Mas todo o discípulo será perfeito, se o fôr como seu mestre. 41E por que vês tu uma aresta no ôlho de teu irmão, e não reparas na trave, que tens no teu ôlho? 42Ou como podes tu dizer a teu irmão: Deixa-me, irmão, tirar-te do teu ôlho uma aresta. Quando tu não vês que tens no teu uma trave? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu ôlho: E depois verás para tirar a aresta do ôlho de teu irmão. 43Porque não é boa árvore, a que dá frutos maus: Nem má árvore, a que dá bons frutos. 44Porquanto cada árvore é conhecida pelo sou fruto. Porque nem os homens colhem figos dos espinhceiros: Nem dos abrolhos vindimam uvas. 45O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem: E o homem mau, do mau tesouro tira o mal. Porque do que está cheio o coração, disso é que fala à bôca. 46Mas por que me chamais vós, Senhor, Senhor: E não fazeis o que eu vos digo? 47Todo o que vem a mim, e ouve as minhas palavras e as põe por obra: Eu vos mostrarei a quem êle é semelhante. 48É semelhante a um homem que edifica uma casa, o qual cavou profundamente e pôs o fundamento sôbre uma rocha: E quando veio uma enchente d'águas, deu impetuosamente a inundação sôbre aquela casa, e não pôde movê-la: Porque estava fundada sôbre rocha. 49Mas o que ouve, é não obra: E” semelhante a um homem que fabrica a sua casa sôbre terra levadiça: Na qual bateu com violência a corrente do rio, e logo caiu: E foi grande a ruína daquela casa.