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Lamentações 1

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Aleph. Como assim solitária está assentada uma cidade cheia de povo: Chegou a ser como viúva a Senhora das Gentes: A princesa das províncias ficou sujeita ao tributo. 2Beth. Chorou sem cessar durante a noite, e as suas lágrimas correm pelas faces: Não há quem a console entre todos os seus: amados: Todos os seus amigos a desprezaram, e se lhe tornaram inimigos. 3Ghimel. A filha de Judá passou a outro país por causa da aflição, e grandeza da servidão: Ela habitou entre as gentes, e não achou repouso: Todos os seus perseguidores se apoderaram dela no meio das suas angústias. 4Daleth. As ruas de Sião choram, porque não há quem venha às solenidades: Tôdas as suas portas se acham destruídas: Os seus sacerdotes gemendo: As: suas virgens esquálidas, e ela oprimida de amargura. 5He. Os seus adversários se assenhorearam dela, enriqueceram-se os seus inimigos: Porque o Senhor falou contra ela pela multidão das suas iniquidades: Os seus filhinhos foram levados para o cativeiro ante a face do que os atribulava. 6Vau. E desterrou-se da filha de Sião tôda a sua formosura: Os seus príncipes ficaram sendo como carneiros, que não acham pastagens: E foram caminhando todos fracos diante do inimigo que os perseguia. 7Zain. Jerusalém se recordou dos dias da sua aflição, e da prevaricação de tôdas as suas coisas apetecíveis, que tivera desde os dias antigos, quando o seu povo caia debaixo da mão inimiga, e não havia quem lhe acudisse: Os seus inimigos a viram, e fizeram escárnio dos seus sábados. 8Heth. Jerusalém cometeu um grande pecado, por isso ela se tornou errante: Todos os que a honravam a desprezaram, porque viram a sua ignomínia: E ela gemendo voltou o rosto para trás. THETH 9Teth. As suas impuridades apareceram nos seus pés, e ela se não recordou do seu fim: Ela foi pasmosamente abatida sem ter consolador: Vê, Senhor, a minha aflição, porque o inimigo se elevou. 10Jod. Lançou o inimigo a sua mão a tôdas as coisas mais preciosas dela: Porque viu entrar no seu santuário as gentes, acêrca das quais tu havias mandado que não entrassem na tua Igreja. 11Caph. Todo seu povo está gemendo, e mendigando pão: Eles deram tudo o que tinham de precioso a trôco de alimento para sustentar a vida: Vê, Senhor, e considera o vilipêndio, a que estou reduzida. 12Lamed. O' vós todos os que passais pelo caminho, atendei, e vede, se há dor semelhante à minha dor: Porque me vindimou como falou o Senhor no dia da ira do seu furor. 13Mem. Êle enviou lá do alto um fogo sôbre meus ossos, e me ensinou: Estenderei uma rêde aos meus pés, fêz-me cair para trás: Pôs-me em desolação, afogada em tristeza todo o dia. 14Nun. Estêve em vigia o jugo das minhas maldades: Com a sua mão foram elas encadeadas, e postas sôbre o meu pescoço: Enfraqueceu-se a minha fôrça: Entregou-me o Senhor em uma mão, pelo pêso da qual não poderei jamais levantar-me. 15Samech. Tirou o Senhor todos os meus magnates do meio de mim: Chamou contra mim o tempo, para quebrantar os meus escolhidos: O Senhor calcou o lagar à virgem filha de Judá. 16Ain. Por isso eu choro, e os meus olhos derramam rios de lágrimas: Porque se alongou de mim o consolador, que podia tornar-me a vida: Os meus filhos se perderam, porque prevaleceu o inimigo. 17Phe. Estendeu Sião as suas mãos, não há quem a console: Enviou o Senhor contra Jacó os seus inimigos em roda dêle. Tornou-se Jerusalém entre êles como uma mulher, que está imunda com as purgações mêns-truas. 18Sade. Justo é o Senhor, porque eu rebelde aos seus preceitos o provoquei à ira: Ouvi, eu vos rogo, todos os povos, e vêde a minha dor: As minhas virgens, e os meus mancebos foram para o cativeiro. 19Coph. Chamei os meus amigos, e êles me enganaram: Os meus sacerdotes, e os meus anciãos foram consumidos na cidade: Quando êles queriam buscar algum mantimento com que sustentassem a vida. 20Res. Olha, Senhor, que estou atribulada, turbadas estão as minhas entranhas: Conturbado está o meu coração dentro de mim mesma, porque estou cheia de amargura: De fora me mata a espada, e de dentro há uma imagem da morte. 21Sin. Ouviram que eu suspiro, e não há quem me console: Todos os meus inimigos souberam a minha desventura, alegraram-se porque tu o fizeste: Trouxeste o dia da consolação, e tornar-se-ão semelhantes a mim. 22Thau. Entre todo o mal dêles diante de ti: E vindima-os, como a mim me vindimaste, por causa de todas as minhas iniquidades: Porque muitos são os meus gem:- dos, e o meu coração está magoado.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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