Lamentações 2
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Aleph. Como cobriu o Senhor de escuridade no seu furor a filha de Sião: Derribou do céu à terra a iínclita de Israel, e não se lembrou do estrado de seus pés no dia do seu furor. 2Beth. Senhor precipitou tudo o que havia de espe-cioso em Jacó, e não perdoou a nada: Êle destruiu no seu furor as fortificações das virgens de Judá, e as lançou por terra: Tratou como profanos ao reino, e aos seus príncipes. 3Ghimel. Quebrantou na ira do seu furor todo o poder de Israel: Retirou para trás a sua direita da face do inimigo: E acendeu em Jacó um como fogo que tudo devora com a sua chama em giro. 4Daleth. Estendeu o seu arco como inimigo, firmou a sua direita como adversário: E matou tudo o que era formoso à vista na tenda da filha de Sião, derramou como fogo a sua indignação. 5He. Senhor se tornou como inimigo: Derribou a Israel, derribou tôdas as suas muralhas, destruiu as suas fortificações, e encheu de humilhação aos homens, e mulheres da filha de Judá. 6Vau. E destruiu como um enxido a sua tenda, demoliu o seu tabernáculo: Ao esquecimento entregou o Senhor em Sião as festas, e o sábado: E ao opróbrio e à indignação do seu furor o rei, e o sacerdote. 7Zain. Senhor rejeitou o seu Altar, amaldiçoou o seu santo lugar: Entregou na mão do inimigo os muros das suas tôrres: Deram gritos na casa do Senhor, como em dia de solenidade. 8Heth. Senhor resolveu abater o muro da filha de Sião: Estendeu o seu cordel, e não retirou a sua mão, sem que ficasse tudo arruinado: E o antemural gemeu, e o muro foi da mesma sorte destruído. 9Teth. As suas portas estão encravadas na terra: Êle quebrou e fêz pedaços as suas trancas: Baniu o seu rei, e os seus príncipes para entre as nações: Não há lei, nem os seus profetas receberam visões do Senhor. 10Jod. Os velhos da filha de Sião se assentaram em terra, ficaram em silêncio: Cobriram as suas cabeças de cinza, vestiram-se de cilícios, as virgens de Jerusalém abaixaram as suas cabeças até à terra. 11Caph. Os meus olhos enfraqueceram à fôrça de chorar, as minhas entranhas se turbaram: O meu fígado se derramou pela terra vendo a ruína da filha do meu povo, quando cairam mortos os meninos e as crianças de mama nas praças da cidade. 12Lamed. Êles diziam a suas mães: Onde está o trigo e o vinho? Quando, como se fôssem feridos, desfaleciam nas praças da cidade: Quando exaltavam as suas almas no seio de suas mães. 13Mem. A quem te compararei? Ou a quem te asseme-lharei, filha de Jerusalém? A quem te igualarei, e como te consolarei, ó virgem filha de Sião? Porque grande é como o mar o teu desfalecimento: Quem te remediará? 14Nun. Os teus profetas viram para ti coisas falsas, e fátuas, e não te manifestavam a tua iniquidade, para te excitarem à penitência: E viram para ti profecias falsas de desgraça, e para os teus inimigos a expulsão da Judéia. 15Samech. Todos os que passavam pelo caminho, batiam com as mãos, vendo-te: Êles assobiaram e menearam a sua cabeça à filha de Jerusalém: Esta é aquela cidade, diziam eles, duma exiremada formosura, as delícias de tôda a terra? 16Ain. Todos os teus inimigos abriram contra ti a sua bôca: assobiaram, e rangeram com os dentes, e disseram: Devorá-la-emos: Eis-aqui está o dia que nós esperávamos: Nós o achamos, nós o vemos. 17Phe. Fêz o Senhor o que tinha determinado, cumpriu a sua palavra, que mandando pronunciara desde os dias antigos: Destruiu, e não perdoou, e alegrou ao inimigo sôbre ti, e exaltou o poder dos teus adversários. 18Sade. O seu coração clamou ao Senhor sôbre os muros da filha de Sião: Faze correr uma como torrente de lágrimas de dia, e de noite: Não te dês descanso algum, nem a menina do teu ôlho se cale. 19Coph. Levanta-te, louva de noite no princípio das vigílias: Derrama o teu coração como água diante do acatamento do Senhor: Levanta as tuas mãos a êle pela alma de teus filhinhos, que cairam mortos de fome a todos os cantos das ruas. 20Res. Ve, Senhor, e considera a quem assim vindimaste: E” possível que as mulheres hão de comer os frutos das suas entranhas, as crianças que não excedem o tamanho da palma da mão? Que há de ser morto no santuário do Senhor o sacerdote, e o profeta? 21Sin. Ficaram nas ruas estendidos por terra o moço, e o velho: As minhas virgens, e os meus mancebos caíram mortos à espada: Tu os mataste no dia do teu furor: Feriste-os, e não tiveste compaixão alguma. 22Thau. Chamaste como a um dia de solenidade aos que me aterrassem de tôdas as partes, e não houve no dia do furor do Senhor quem escapasse, nem ficasse com vida: Aos que criei, e alimentei, o meu inimigo os acabou.