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Lamentações 4

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Aleph. Como assim se escureceu o ouro, se mudou a sua côr tão bela, foram espalhadas as pedras do Santuário pelos ângulos de tôdas as praças? 2Beth. Os filhos de Sião esclarecidos, e vestidos de fino ouro: Como assim têm sido reputados como vasos de terra obra de mãos de oleiro? 3Ghimel. Mas até as lâmias descobriram os seus peitos, deram leite às suas crias; a filha do meu povo fêz-se cruel, como a avestruz no deserto. 4Daleth. A língua do que mama pela sêde ficou pegada ao seu paladar: Os pequeninos pediram pão, e não havia quem lho partisse. 5He. Os que comiam delicadamente morreram nos caminhos: Os que se nutriam entre púrpuras, abraçaram o estêrco. 6Vau. E a iniqüidade da filha do meu povo se fêz maior que o pecado de Sodoma, a qual foi sovertida num momento, sem que mãos algumas se apoderassem dela. 7Zain. Os seus nazarenos eram mais alvos que a neve, mais nítidos que o leite, mais vermelhos que o antigo marfim, mais formosos que a safira. 8Heth. Denegrida está a face dêles mais do que os carvões: E não são conhecidos nas praças: A sua pele se pegou aos ossos: Secou-se, e tornou-se como um pau. 9Teth. Melhor lhes foi aos mortos à espada, que aos mortos de fome: Pois êstes padeceram uma morte lenta pela esterilidade da terra. 10Jod. As mãos das mulheres compassivas cozeram seus filhos: Serviram-lhes de mantimento na ruína da filha do meu povo. 11Caph. Deu o Senhor cumprimento ao seu furor, derramou a ira da sua indignação: E ateou fogo em Sião, o.qual devorou os fundamentos dela. 12Lamed. Nunca tal creram os reis da terra, nem todos os moradores do mundo, que entraria o inimigo, e o adversário pelas portas de Jerusalém: 13Mem. Pelos pecados dos seus profetas, e pelas inigiui-dades dos seus sacerdotes, que derramaram no meio dela o sangue dos justos. 14Nun. Erraram cegos nas praças, contaminaram-se de sangue: E não podendo, levantavam as extremidades das suas roupas. ( S) 15Samech. Apartai-vos, imundos, lhes gritaram: Retirai-vos, ide-vos, não nos toqueis: Porque altercaram, e os que foram comovidos disseram entre as gentes: Não continuará daqui em diante a habitar entre eles. 16Ain. A face do Senhor os apartou de si, não tornará a olhar para êles: Não respeitaram o rosto dos sacerdotes, nem se compadeceram os anciãos. 17Phe. Quando nós ainda subsistiamos, cansaram os nossos olhos de esperar para nós um vão socorro, olhando nós atentos para uma gente que nos não podia salvar. 18Sade. Os nossos passos escorregaram, andando pelas nossas ruas; está chegado o nosso fim: Os nossos dias estão cumpridos, porque chegou o nosso têrmo. 19Coph. Os nossos perseguidores foram mais velozes que as águias do céu: Êles nos perseguiram sôbre os montes, armmaram-nos ciladas no deserto. 20Res. O espírito da nossa bôca, o Cristo Nosso Senhor foi prêso por nossos pecados: A quem dissemos: À tua sombra viveremos entre as gentes. 21Sin. Alegra-te, e regozija-te, ó filha de Edom, que habitas na terra de Hus: A ti também chegará o cálice, tu serás dêle embriagada, e serás despida. 22Thau. Chegou ao seu têrmo a tua maldade, ó filha de Sião, não te tornará mais a transportar: Êle visitou a tua maldade, ó filha de Edom, descobriu os teus pecados.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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