Marcos 15
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E logo pela manhã, tendo conselho os príncipes dos sacerdotes com os anciãos, e os escribas, e com todo o conselho, fazendo amarrar a Jesus, o levaram e entre-gatam a Pilatos. 2E Pilatos lhe perguntou: Tu és o rei dos judeus? E êle; respondendo, lhe disse: Tu o dizes. 3E b príncipe dos sacerdotes o acusava de muitas coisas. 4E Pilatos lhe perguntou outra vez, dizendo: Tu não respondes coisa alguma? Vê de quantos crimes te acusain. 5Mas Jesus não respondeu mais palavra, de sorte que Pilatos estava admirado. 6Ora, Pilatos costumava no dia da festa soltar-lhes um dos presos, qualquer que êles pedissem. 7E havia um chamado Barrabás, que estava preso com outros sediciosos, porque em: certo motim havia feito uma morte. 8E como concorresse o povo, começou a pedir-lhe a graça que sempre lhes fazia. 9E Pilatos lhes respondeu, e disse: Quereis que vos solte ao rei dos judeus? 10Porque êle sabia que os príncipes dos sacerdotes. lho haviam entregado por inveja. 11Mas os pontífices concitaram o povo, para que lhes soltasse antes a Barrabás. 12E Pilatos, falando outra vez, lhes disse: Pois que quereis que eu faça ao rei dos judeus? 13E êles tornaram a gritar: Crucifica-o. 14E Pilatos lhes replicava: Pois que mal fêz êle? E êles cada vez gritavam mais: Crucifica-o. 15Então Pilatos, querendo satisfazer ao povo, soltou-lhes Barrabás, e depois de fazer açoutar a Jesus, o entregou para que o crucificassem. 16E os soldados o levaram ao páteo do Pretório, e ali convocam tôda a coorte. 17E o vestem de púrpura, e, tecendo uma coroa de espinhos, lha põem na cabeça. 18E começaram a saudá-lo: Deus te salve, rei dos judeus. 19E lhe davam na cabeça com uma cana: E lhe cuspiam no rosto, e pondo-se de joelhos, o adoravam. 20E depois de o terem assim escarnecido o despiram da púrpura, e lhe vestiram os seus vestidos, e então o tiram para iora, para o crucilicarem. 21E acertando de passar por ali certo homem de Cirene, por nome Simão, que vinha duma herdade, pai de Alexandre, e de Rufo, o obrigaram a levar-lhe a Cruz. 22E o levam a um lugar chamado Gólgota: Que quer dizer lugar do Calvário. 23E davamlhe a beber vinho misturado com mirra: E não o tomou. 24E depois de o cruciiicarem, repartiram os seus vestidos, lançando sortes sobre eles, para ver a parte que cada um levaria. 25Era pois a hora de têrça: Tempo em que eles o crucificaram: 26Ea causa da sua condenação estava escrita neste título: O REI DOS JUDEUS. 27Crucificaram também com êle a dois ladrões: Um à sua direita, e outro à esquerda. 28E se cumpriu a Escritura, que diz: E foi contado com os maus. 29E os que iam passando blasfemavam dele, mo-templo de Deus e que o reedificas em três dias, 30livra-te a ti mesmo, descendo da cruz. 31Desta maneira escarnecendo-o também os príncipes dos sacerdotes com os escribas, diziam uns. para os outros: Êle salvou aos outros, a si mesmo não se pode salvar. 32Êsse Cristo, rei de Israel, desça agora da cruz, para que o vejamos, e creiamos. Também os que haviam sido crucificados com êle, o afrontavam de palavras. 33E chegada a hora de sexta, se cobriu tôda a terra de trevas até à hora de noa. 34E à hora de noa deu Jesus um grande brado, dizendo: Eli, Eli, lamma sabacthani? que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? 35E ouvindo isto alguns dos circunstantes, diziam:. Vede que êle chama por Elias. 36E correndo um, e ensopando uma esponja em vinagre, e atando-a numa cana, dava-lhe a beber, dizendo: Deixai, vejamos se Elias vem tirá-lo. 37Então Jesus dando um grande brado, expirou. 38Eo véu do templo se rasgou em duas partes, de alto a baixo. 39E o centurião, que estava bem defronte, vendo que Jesus expirara, dando êste brado, disse: Verdadeiramente êste homem era Filho de Deus. 40E achavam-se também ali algumas mulheres vendo de longe: Entre as quais estava Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago Menor, e de José, e Salomé: 41E quando Jesus estava em Galiléia, elas o seguiam, e lhe assistiam com o necessário, e assim muitas outras, que juntamente com êle haviam subido a Jerusalém. 42E quando era já tarde (pois era a Parasceve, que vem a ser a vigília do sábado), 43veio José de Arimatéia, ilustre senador, que também êle esperava o reino de Deus, e foi com tôda a resolução à casa de Pilatos, e pediu-lhe o corpo de Jesus. 44E Pilatos se admirava de que Jesus morresse tão depressa. E chamando ao centurião, lhe perguntou se era já morto. 45E depois que o soube do centurião, deu o corpo a José. 46E José tendo comprado um lençol, e tirando-o da Cruz, o amortalhou no lençol, e depositou-o num sepulcro, que estava aberto em rocha, e arrimou uma pedra à bôca do sepulcro. 47Entretanto Maria Madalena, e Maria, mãe de José, estavam observando onde êle se depositava.