Marcos 5
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E passaram à outra banda do mar ao território dos. gerasenos”. 2E ao sair Jesus da barca, veio logo a êles dos sepulcros um homem possesso do espírito imundo. 3O qual tinha nos sepulcros o seu domicílio, e nem com cadeias o podia já alguém suster preso: 4Porque tendo sido atado muitas vezes com grilhões, e com cadeias, tinha quebrado as cadeias, e despedaçado os grilhões e ninguém o-podia domar 5E sempre de dia e de noite andava pelos sepulcros, e pelos montes, gritando, e ferindo-se com pedras. 6Vendo pois a Jesus de longe, 7E dando um grande grito, disse: Que tens tu comigo, Jesus, Filho de Deus Altíssimo? eu te esconjuro por Deus, que me não atormentes. 8Porque Jesus lhe dizia: Espírito imundo, sai dêsse homem. 9E perguntou-lhe: Que nome é o teu? Ao que êle respondeu: Legião é o meu nome, porque somos muitos. 10E pedialhe instantemente que o não lançasse fora do país. 11Andava pois ali pastando ao redor do monte uma grande manada de porcos. 12E os imundos espíritos suplicavam a Jesus, dizendo: Manda-nos para os porcos, para nos metermos neles. 13Deu-lhes Jesus logo esta permissão. E saindo os espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada que era de alguns dois mil, foi precipitar-se com grande violência no mar, e ali todos se a rogaram. 14E os que os andavam apascentando, fugiram e foram dar a notícia à cidade, e pelos campos. Então saíram muitos a ver o que tinha sucedido: 15E vão ter com Jesus: E vêem ao que tinha sido vexado do demônio, sentado, vestido, e em seu perfeito juízo: E tiveram mêdo. 16E os que se tinham achado presentes lhes contaram todo o fato, como havia acontecido ao endemoninhado, e o dos porcos. 17E começaram a rogar a Jesus que se retirasse dos confins dêles. 18E ao tempo que êle ia para entrar na barca, então começou o que fôra vexado do demônio a pedir-lhe que o deixasse ir com êle. 19E Jesus o não admitiu, mas disse-lhe: Vai para a tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fêz, e a misericórdia que usou contigo. 20E foi-se, e começou a publicar em Decápolis quão grandes coisas lhe havia feito Jesus: E todos se admiravam. 21E tendo passado Jesus segunda vez à banda dalém, numa barca, concorreu a êle muita gente do povo, que se achava junto na ribeira. 22E chegou um dos príncipes da sinagoga, por nome Jairo: E vendo a Jesus, lançou-se a seus pés. 23E pediu-lhe com instância, dizendo: Eu tenho uma filha que está nas últimas; vem imporihe amão para a curares, e para lhe dares vida. 24E foi Jesus com êle, e era tanto o povo que o seguia, que o apertavam. 25Então uma mulher, que havia doze anos que padecia um fluxo de sangue: 26E que tinha sofrido muito às mãos de vários médicos: E que havia gastado tudo quanto tinha, nem por isso aproveitara coisa alguma, antes cada' vez se achava pior: 27Tendo ouvido falar de Jesus, veio por detrásen-tre a chusma, e tocou-lhe o vestido: 28Porque dizia: Se eu tocar ainda que seja só o seu vestido, ficarei sã. 29E no mesmo instante se lhe secou a fonte do seu sangue: Ela sentiu no seu corpo estar curada do mal. 30Mas Jesus, conhecendo logo em si mesmo a virtude que sairá dêle, voltando para a gente, disse: Quem tocou meus vestidos? 31E responderam-lhe seus discípulos: Tu vês que a chusma te vai comprimindo de tôdas as partes, e então perguntas: Quem me tocou? 32E Jesus olhava em roda para ver a que isto fizera. 33A mulher, porém, que sabia o que se tinha passado nela, cheia de mêdo, e tôda tremendo, veio lançar-se a seus pés, e declarou-lhe tôda a verdade. 34E Jesus lhe disse: Filha, a tua fé te salvou: Vai-te em paz, e fica curada do teu mal. 35Ainda êle não tinha acabado de falar quando chegam alguns da casa do príncipe da sinagoga, dizerido: É morta tua filha: Por que queres tu dar ao Mestre o trabalho de ir mais longe? 36Mas Jesus tendo ouvido o que êles falavam, disse ao príncipe da sinagoga: Não tenhas mêdo: Crê sòmente.: 37E não permitiu que o acompanhasse nenhum senão Pedro e Tiago, e João, irmão de Tiago. 38Depois que chegaram à casa do príncipe da sinagoga, viu logo Jesus o reboliço é os que estavam chorando, e fazendo grandes prantos.” 39E tendo entrado, lhes disse: Para que é esta turbação e este chôro que fazeis? A menina não está morta. mas dorme. 40E zombavam dele. Mas Jesus, tendo feito sair todos para fora, tomou o pai e a mãe da menina, e os que consigo trazia, e entrou onde a menina estava deitada. 41E tomando a mão da menina, lhe disse: Talitha, cu III i, que quer dizer: Menina (eu te mando) levanta-te: 42E no mesmo ponto se levantou a menina, e começou a andar: Porque era já de doze anos: E eles ficaram assombrados com grande espanto. 43Mas Jesus lhes mandou, com preceito expresso, que ninguém o soubesse: E disse que dessem de comer à menina.